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sexta-feira, 18 de março de 2011

Obama em Brasília


Inspirado no roteiro traçado pelo Microcontoscos, passo agora para vocês o roteiro da visita do presidente norte-americano Barack Obama na capital federal.

Como não sei mexer com photoshop me abstenho de usar muitas imagens:

08:00 - Recepção na Base Aérea promovida pelas famílias das vítimas do Gol 1907.

08:30 - Desfile pelo engarrafamento da EPAR e do Eixão Sul.

10:00 - Café da manhã na Pastelaria Viçosa da Rodoviária do Plano.

11:00 - Turismo cívico no Grande Circular, excepcionalmente operado pela Viplan.

11:30 - Parada na Feira da Torre para tirar fotos no mirante e ser recepcionado pelo Sombra e por outros artistas locais.

12:30 - Almoço no Pátio Brasil.

14:00 - Enquanto Barack Obama vai comprar eletrônicos na Feira dos Importados, sua mulher Michelle e suas filhas irão comprar roupas na Feira do Guará.

15:00 - Banho de rio nas piscinas da Água Mineral*.

16:00 - Encontro com populares para a tradicional buchada na Feira da Ceilândia.

16:30 - Jogar golzinho com meninos em rua do Setor O.

17:00 - Escutar música no MP3 enquanto enfrenta o trânsito da EPTG.

18:00 - Curtir o pôr do sol na Ponte JK.

20:00 - Bebedeira universitária nos barzinhos da 408 Norte.

22:00 - Saideira e fim de noite no Pontão.

Meia-noite: Pegar o avião para aí sim seguir o roteiro do Microcontoscos.

*Por motivos de segurança os agentes da CIA vetaram banhos no Lago Paranoá, comida do RU da UnB e encontros com José Sarney e Durval Barbosa.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Orgulho candango

Tentei encontrar uma imagem de uma bandeira real mas não encontrei nenhuma, de modo que vai a da Wikipedia mesmo.

Brasília completou cinquenta anos em 2010, será que já é possível descrever características típicas tanto da cidade como das pessoas que a habitam? Vários e-mails já circularam com características, mas sempre falando de coisas mais abrangentes, relacionadas com o dia a dia, nada que fosse o suficiente para que surgisse o estereótipo que caracterizasse o brasiliense típico.
Imagine como é um típico carioca. Agora um paulista. Agora um mineiro. Agora um gaúcho. Agora um baiano. Agora um cearense. Agora um brasiliense. Provavelmente uma imagem surgiu na sua cabeça em todos os casos. Todos? Tenho quase certeza que na hora de imaginar um brasiliense você fez força e não conseguiu. O brasiliense ainda é uma figura amorfa numa cidade que ainda recebe levas e levas de pessoas que se mudam para cá pelos mais diversos motivos. E até mesmo a cidade se mostra essencialmente heterogênea quando se analiza seu povo, pode comparar até mesmo entre os aspectos físicos dentre as cidades do DF: não temos uma cidade uniforme.

Entre os que nascem aqui são bem poucos ainda os que tem pais e familiares nativos, a maioria esmagadora tem pais nascidos em outros estados e acabam se influenciando pela cultura de outros estados, notadamente gaúchos, mineiros, pernambucanos e até mesmo paraenses, entre outros. Isso resulta num povo que não se enxerga como brasiliense além do que está registrado na certidão de nascimento. São descendentes, não nativos, tal qual aqueles que tem sobrenomes estrangeiros incomuns e se ocupam em fazer árvores genealógicas atrás de antepassados nobres (leiam-se europeus não ibéricos, de preferência teutônicos e/ou italianos).

Outro fenômeno que percebo é que aqueles que nasceram aqui se sentem inferiores àqueles que nasceram em outros estados e vieram para cá. Quem veio trouxe um sotaque, uma cultura, alguns hábitos e coisa e tal. Quem mora aqui e nasceu aqui não tem quase nada do que se orgulhar, não ostenta bandeira no carro, camisetas estilizadas, frases de efeito, nada, tem até vergonha pois nasceu na terra dos corruptos.

Este é outro fenômeno. Brasília é terra de corrupto e de marajá que ganha salário alto trabalhando para político. Esta é a imagem que os que moram em outros estados tem de Brasília - a ilha da fantasia. E não há mais como argumentar com antigamente quando se dizia que os corruptos vinham de outros estados para trabalhar aqui: lembram do mensalão do DEM e de todas as imagens e acontecimentos subsequentes? Fizeram os que aqui nasceram e moram (e votam) morrer de vontade de enfiar a cabeça no buraco de tanta vergonha.

Até mesmo no cenário político, não há ninguém que defenda a cidade com a veemência de quem defende uma bandeira, um povo, mesmo porque quem é esse povo? Como falei acima ele é amorfo, não tem cara, não tem alma. Acorda, trabalha, almoça, janta e dorme, todo santo dia. Não cria, consome tudo modelado e gerado em outros centros, é acomodado. Sua única iniciativa é fazer concurso, aliás, esta é a temática que domina o papo dos nativos hoje em dia.

Para que o brasiliense comce a se reconhecer e a se afirmar como tal a meu ver seria necessário que o cenário cultural, artístico, a princípio, saísse desta pasmaceira generalizada. E para que isto aconteça as pessoas devem iniciar um processo de saída da inércia, buscar e pensar iniciativas inovadoras para agitar a cidade e conquistar o interesse da classe proletária. Outras esferas como a esportiva e a política também serviriam de catalizadores para iniciativas de autoafirmação.

Não cabe a mim, obviamente, exigir que estes fenêmenos aconteçam: eles devem ser espontâneos. Acho até que as pessoas se reconhecerem como candangos é o primeiro passo para que surjam a alma característica da cidade, mas uma alma forte e que faça com que as pessoas não tenham mais vergonha de dizerem que nasceram aqui. E sim, apesar da denominação "candango" ser utilizada para aqueles que foram pioneiros na cidade (tem gente que briga se usar essa palavra em vão) defendo que ela seja estendida e aceita como gentílico de Brasília. A expressão está eternamente associada a capital federal e tem até ares mais épicos do que "brasiliense". Além do mais cidade nenhuma no mundo é definitivamente finalizada, está sempre em formação permanente, de modo que todos que aqui moramos trabalhamos para fazer um pouco mais da cidade e para a cidade. Ela é dinâmica, nunca para, nunca se finaliza.

Então somos sim candangos, e devemos ter orgulho de "construir" uma cidade como esta a cada dia.


Uma boa iniciativa é a do cartunista Gomez. Todo sábado ele tem publicado tirinhas com cenas típicas da cidade. Já é um começo. Dá pra matar um pouco da saudade do Eixinho.


Criação sumida de Humberto Junqueira. Retirada do site do fanzine Dejeto.