segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

As equipes do Super Monaco GP

Tirei as teias de aranha novamente aqui deste blog porque foi o único espaço que encontrei para comentar um fato relevante: os 25 anos do lançamento do jogo Super Monaco GP para o Sega Genesis (conhecido no Brasil como Mega Drive).

Revisitei o jogo e disputei algumas temporada para fazer o que nunca fiz quando mais novo: explorar todas as possibilidades do jogo.

Posto isto descobri toda a sistemática do jogo no modo "World Championship". É a seguinte:

  • As equipes e pilotos presentes no jogo receberam corruptelas dos nomes reais da temporada de 1989 da Formula 1, e aposto que você sempre teve vontade de ver o caminhão de todas elas. Bom, você finalmente terá esta oportunidade vendo a imagem de todas elas aqui;
  • Observe a quantidade de mecânicos e de peças em casa imagem:
 ZEROFORCE (Zakspeed)
Piloto: P. Klinger (Bernd Schneider)
"Nós agradecemos a você por se juntar a nós."

ORCHIS (Onyx)
Piloto: C. Tegner (Stefan Johansson)
"Oi!" (Oi?)

COMET (Coloni)
Piloto: E. Tornio (J. J. Lehto)
"Bem, vamos aproveitar a corrida juntos."

RIGEL (Rial)
Piloto: R. Cotman (Nigel Mansell - zuaram legal com o Leão)
"Eu invejo o seu espírito elevado." (Eu, hein!)

MINARAE (Minardi)
Piloto: Você (depois o cara que você tomar a vaga)
"Vamos trabalhar duro pra vencer."

LINDEN (Ligier)
Piloto: M. Moreau (René Arnoux)
"De qualquer forma, me dê o dinheiro do seguro."

DARDAN (Dallara)
Piloto: E. Bellini (Ivan Capelli)
"Nós vamos ser muito rigorosos com você, ok?"

BULLETS (Arrows)
Piloto: B. Miller (Eddie Cheever) e depois G. Ceara (Ayrton Senna)
"Somos uma equipe estável. Não nos decepcione."

MAY (March)
Piloto: G. Turner (Johnny Herbert)
"Eu vou confiar em seu talento."

LOSEL (Lotus)
Piloto: E. Pacheco (Luis Perez-Sala)
"Preste atenção em problemas e dirija com cuidado."

TYRANT (Tyrrel)
Piloto: M. Hamano (Satoru Nakajima)

"Vamos manter os nossos desempenhos passados."

BLANCHE (Brabham)
Piloto: J. Herbin (Jean Alesi)
"Nós vamos ter uma festa para você mais tarde." (Opa!)

BESTOWAL (Benetton)
Piloto: A. Picos (Nelson Piquet)
"Nós temos a máquina mais confiável." (Modéstia a parte)

MILLIONS (Williams)
Piloto: G. Alberti (Michele Alboreto)
"Você está se familiarizando com a F1?"

FIRENZE (Ferrari)
Piloto: F. Elssler (Gerhard Berger)
"Vamos tentar vencer a equipe Madonna." (Invejosa!)

MADONNA (McLaren)
Piloto: A. Asselin (Alain Prost), depois você e G. Ceara (Ayrton Senna) quando este inevitavelmente lhe tomar a vaga.
"Seja um piloto de ponta com o melhor carro."

  • Ou seja, de uma equipe só com três malucos e uma poça de óleo você pode ir até uma equipe rica, cheio de gente pra lhe assesorar e repleta de peças de reposição.
  • Os autódromos do jogo também são os da temporada de 1989, mas não na mesma ordem daquele ano, e sim nesta ordem:
  1. Imola - San Marino
  2. Jacarépaguá - Brasil
  3. Paul Ricard - França
  4. Hungaroring - Hungria
  5. Hockenheim - Alemanha Ocidental(!)
  6. Phoenix - EUA
  7. Montreal - Canadá
  8. Silverstone - Inglaterra
  9. Monza - Itália
  10. Estoril - Portugal
  11. Jerez de la Frontera - Espanha
  12. Hermanos Rodriguez - México
  13. Suzuka - Japão
  14. Spa Francorchamps - Bélgica
  15. Adelaide - Australia
  16. Monte Carlo - Mônaco
  • Você disputa a primeira temporada começando na Minarae (Minardi) e tem que remar no grid para obter bons resultados;
  • Após o treino oficial você pode escolher um piloto de outra equipe para ser seu rival. O objetivo é chegar na frente dele, mesmo que você não vença a corrida;
  • Se você perder duas corridas seguidas para o mesmo rival é Game Over pra você;
  • Contudo se você vencê-lo duas vezes você toma o lugar do derrotado na equipe dele;
  • O objetivo é ganhar seu primeiro título de Formula 1. Caso isso não ocorra na primeira temporada você muda de equipe de acordo com sua posição na classificação final da temporada anterior;
  • Quando o título vier o jogo anuncia que chegou a hora de você defendê-lo. É nessa hora que surge G. Ceara em sua Bullets turbinada. Ele o desafia na primeira corrida e você percebe que você, agora na tão sonhada Madonna e na pole position do GP de San Marino, testemunha uma largada em disparada de seu rival, e por mais que você voe na pista o brasileiro mantêm sempre a mesma distância entre 8 e 9 décimos à sua frente, como se os dois carros fossem dois imãs de mesma polaridade se repelindo;
  • Como o máximo que você pode conseguir nas duas corridas - Imola e Jacarepaguá - são dois segundos lugares (com o G. Ceara vencendo ambas) ele toma seu lugar na Madonna e você acaba sendo jogado para a Dardan, a partir daí as corridas voltam ao normal e você pode voltar a vencer normalmente e desafiar (e tomar o lugar de) outros pilotos tranquilamente - quer dizer, todos menos na Madonna que não dispensará G. Ceara de jeito nenhum;
  • No fim das contas vencer sua segunda temporada não nem um pouco complicado e você conseguirá facilmente dar o troco na Madonna e em G. Ceara, zerando finalmente o jogo.
Enfim, apesar de o jogo ter jogabilidade bem simples comparado aos games atuais o meso se mostra bastante desafiador por conta das tretas que rolam dentro do paddock virtual. Por conta disso Super Monaco GP sempre terá lugar cativo no coração dos gamers da geração 16 bits.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Batalha do celular - Capítulo II

Não pensei que escreveria um novo texto aqui tão rapidamente, mas vá lá.

Como dizem que xingar muito no twitter costuma chamar a atenção de empresas resolvi fazê-lo com a LG. Que prontamente se manifestou "disposta" a resolver o problema. Solicitou que eu restaurasse as configurações de fábrica.

Agora além do problema no touch screen continuar perdi todos os dados armazenados no celular.

Pelo visto esta saga promete.

Batalha do celular - Capítulo I

Resolvi voltar a postar o blog devido a um aborrecimento recente. Meu celular começou a pressionar o touch screen sozinho.

O aparelho: um P698f da LG, dá problema desde que eu o comprei, mas até agora eram toleráveis como queda de sinal constantemente e reiniciar sozinho, já perdi as contas dos aborrecimentos que tive por conta dele.

Porém desde ontem o celular começou a pressionar teclas sozinho, inviabilizando o uso de qualquer outra coisa que não seja ligar e receber chamadas.

Hoje ao ir na assistência técnica já fui informado que são APENAS TRÊS DIAS só para descobrir o problema, e possivelmente mais quinze para fazer os possíveis reparos.


Como esta aventura promete muitos aborrecimentos resolvi narrar todos os passos para que todos saibam se a LG e sua assistência técnica são empresas prestativas ou uma quadrilha de picaretas.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Obama em Brasília


Inspirado no roteiro traçado pelo Microcontoscos, passo agora para vocês o roteiro da visita do presidente norte-americano Barack Obama na capital federal.

Como não sei mexer com photoshop me abstenho de usar muitas imagens:

08:00 - Recepção na Base Aérea promovida pelas famílias das vítimas do Gol 1907.

08:30 - Desfile pelo engarrafamento da EPAR e do Eixão Sul.

10:00 - Café da manhã na Pastelaria Viçosa da Rodoviária do Plano.

11:00 - Turismo cívico no Grande Circular, excepcionalmente operado pela Viplan.

11:30 - Parada na Feira da Torre para tirar fotos no mirante e ser recepcionado pelo Sombra e por outros artistas locais.

12:30 - Almoço no Pátio Brasil.

14:00 - Enquanto Barack Obama vai comprar eletrônicos na Feira dos Importados, sua mulher Michelle e suas filhas irão comprar roupas na Feira do Guará.

15:00 - Banho de rio nas piscinas da Água Mineral*.

16:00 - Encontro com populares para a tradicional buchada na Feira da Ceilândia.

16:30 - Jogar golzinho com meninos em rua do Setor O.

17:00 - Escutar música no MP3 enquanto enfrenta o trânsito da EPTG.

18:00 - Curtir o pôr do sol na Ponte JK.

20:00 - Bebedeira universitária nos barzinhos da 408 Norte.

22:00 - Saideira e fim de noite no Pontão.

Meia-noite: Pegar o avião para aí sim seguir o roteiro do Microcontoscos.

*Por motivos de segurança os agentes da CIA vetaram banhos no Lago Paranoá, comida do RU da UnB e encontros com José Sarney e Durval Barbosa.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Se pudesse mudar algo no ano de 2010, mudaria o que e por que?

Depois da viagem de Aracaju teria chegado no aeroporto e ido pra casa de ônibus. Ter pedido carona fez eu me envolver no maior aborrecimento de muito tempo.

Pode perguntar, pode ser que a resposta lhe satisfaça.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Procrastinação


Já devem ter percebido que o blog ficou um tempão sem atualizações.

Ultimamente tenho me envolvido em muitos projetos diferentes. Coisas novas estão sendo preparadas para 2010. Além disso a Serenata de Natal está em sua reta final de apresentações aí fica difícil parar no PC para pensar em algo. Inclusive quando paro fico com preguiça de escrever aqui no blog só de pensar que me acostumei a escrever textos longos e não queria quebrar esta linha.

Aliás tenho sentido que espaços como este blog já não se adequam mais ao estilo da internet atual. A informação tem que ser passada de forma mais ágil e a tendência é que tudo se dilua em pequenas idéias lançadas em grandes quantidades. Este é um dos motivos do sucesso que o twitter faz atualmente.

O blog não sofre ameaças de nenhuma natureza. Contraditoriamente dezembro é um mês de muitas tarefas que resultam em menos posts, mas em outra mão as idéias se tornam mais férteis.

Para este ano que está chegando teremos novidades. É tudo o que posso dizer. Até lá aguardem as coisas boas que vês por aí.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sobre o Rio


Não achei foto que ilustrasse melhor o momento vivido pelo Rio (e pelo Brasil inteiro por tabela) do que esta aqui. Soldados se protegendo. E muitas câmeras atrás.

A sequência de fotos completa está aqui.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Viagem de busão


Do blog Bebida Liberada

Apesar de ser um país interligado por rodovias na maioria de sua extensão, o Brasil conseguiu baratear bastante o custo das passagens de avião. Mas o fato é que grande parcela da população, seja por medo, por falta de grana ou por qualquer outro motivo, já viajou de ônibus. E cabem algumas observações nesta empreitada.A viagem de ônibus começa na compra do bilhete. Minha avó sempre dizia para viajar do lado onde fica o motorista, pois o reflexo do mesmo é se salvar em uma eventual batida. Já meu pai falava que o melhor é no meio do ônibus, pois não sacode tanto e você não fica enjoado. Só que EU sempre quis MESMO era viajar do lado de uma gatinha, mas parece que é como ser entrevistado pelo Ibope: em ambos os casos, nunca fui e não conheço ninguém que tenha realizado o feito. Na maioria das vezes quem sentava ao meu lado era idoso, louco/a querendo puxar assunto ou, uma pessoa (?) muito estranha.

Outra dúvida que sempre tive é se guardo as malas lá em baixo no bagageiro, pois sempre que fiz isso, esqueci algo que precisava e quando não o faço a mala não cabe no espaço destinado a ela dentro do ônibus. Falando da viagem propriamente dita, normalmente começa muito bem. Porém, após alguns minutos sempre tem alguém que invariavelmente vai reclamar do ar condicionado (normalmente uma mulher dizendo que está muito frio).

Quando o trajeto é noturno e você está MORRENDO de sono, invariavelmente se depara com pelo menos um destes seres: o “Cult” que resolve ler alguma coisa de madrugada e acende aquela luzinha; a dupla que julga ser um bom horário para bater um papo; o non-sense que resolve atender o celular pra ganhar um beijinho de boa noite (da mãe/namorada); a criança que não para de chorar ou; o cara que ronca como se fosse um filhote de javali.


Ainda rola a parada do ônibus que se constitui basicamente em alguma do tipo “comeu-morreu” com aquele kibe (“não amigão, é coxinha” e o sujeito espanta as moscas de cima) engordurado ou aquelas lindíssimas onde um folheado custa 15 pratas e um café 10 (acho que é lá que o flanelinha aqui da rua está tomando café…). A viagem, via de regra termina com o sorriso amarelo de algum conhecido, amigo, parente que teve de acordar às 5 da manhã para te buscar na rodoviária e te encontrar todo suado e fedido (porque a menina conseguiu convencer o motorista de que estava muito frio e o ônibus ficou com aquele futum de 50 pessoas respirando).

É, talvez avião tenha mesmo um melhor custo benefício pois a viagem é mais rápida e higiênica. E ainda por cima rola uma birita no serviço de bordo!

P.S.: Em compensação o avião não vai naqueles confins do interior, e é aí que está a graça da viagem de ônibus.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O Festival dos Festivais



Descobri que há 25 anos estava sendo realizado o Festival dos Festivais: o último suspiro do que representou a chamada Era dos Festivais.

Há alguns dias atrás estava eu assistindo (na verdade reassistindo) vídeos das apresentações dos intérpretes escalados, pelo menos os mais famosos atualmente e peguei meu irmão que não era nascido na época para que virássemos críticos musicais. Detalhe: eu era nascido, mas tinha apenas três anos na época do festival. Aí ao descobrir que o festival está comemorando bodas de prata resolvi me aprofundar em todos os vídeos que chegaram até nós via youtube e me deparei com o primeiro dilema, na verdade o dilema que me motivou a escrever este texto despretensioso e que serve de reflexão para toda nossa geração que vive de nostalgia mas que nunca se preocupou com algo essencial: a validade do julgamento de pessoas dos dias atuais.

Num exercício fácil percebemos algo óbvio mas que não levamos em consideração num primeiro momento, e isto vale para pessoas que viveram momentos históricos distintos (leia-se uma distância de no mínimo vinte anos). Não temos valores e pensamentos iguais ao das pessoas que viveram há 25 anos atrás logo não teremos a mesma visão das pessoas de antigamente sobre quais músicas eram boas e quais eram ruins. Pra falar a verdade a tendência seria dizer que nada prestou naquele festival. E aí tem duas coisas a se levar em consideração:

- Apesar de ter conseguido pouquíssimas informações sobre o evento em si, deu pra perceber principalmente pelos vídeos o quanto o festival mostra aos meus contemporâneos no que diz respeito ao contexto cultural vigente na época. Os vídeos quase gritam o que era os anos 80 em todos os aspectos visuais, musicais, gráficos e comportamentais.

- Se por um lado não podemos julgar nem as músicas e nem as preferências da época, podemos fazer um paralelismo: fazer nossas escolhas com os parâmetros atuais e comparar com os da época. Pode não ter fundamento histórico, psicológico e nem educativo, mas é divertido.

E deixando um pouco de fazer divagações falemos agora dos "melhores momentos" daquele que é considerado o último festival de MPB relevante para a história. E apesar de que na época este formato de competição já se encontrava desgastada Deve se considerar que vários cantores que faziam ou passariam a fazer sucesso na época estavam lá defendendo músicas sendo que algumas ficariam eternizadas.

Claro, nem tudo que ficou eternizado foi por conta da qualidade musical. Dois destaques de certa relevância: Pedro Bial, ainda um ilustre desconhecido, brindando o público com uma saraivada de versos "poéticos" em meio a uma música que não diz muita coisa. E um grupo infantil (o que mais havia na época): Os Abelhudos - se apresentando com a música "O Dono da Terra" e pelos relatos que consegui o grupo fez com que a criançada passasse a torcer por eles. Óbvio.

Mas nada foi mais "fail" no festival do que as legendas da transmissão. Para o povo aprender as letras foi uma deseducação pois as legendas sumiam, voltavam, entravam na hora errada e com muitos erros gritantes em comparação com o que estava sendo cantado.

Enfim, depois de três meses passou-se a etapa eliminatória regionalizada e veio a grande final do dia 9 de Novembro de 1985 no Rio de Janeiro, onde se consagraram grandes nomes da época. Rita Lee mesmo se apresentou depois de passar um tempo sumida da mídia.

E sim, Oswaldo Montenegro - o rato de festival - estava lá. E Emílio Santiago também. Até a Rosana "como uma deusa" Fiengo deu as caras por lá.

Meus destaques positivos: Leila Pinheiro. Não sei se ela gravou "Verde" (a música do topo do texto) em estúdio antes ou depois do festival, mas ela é maravilhosa, ótima pedida para ouvir num dia chuvoso de fim do verão. Não à toa Verde ganhou o terceiro lugar do festival. Outro destaque relevante ao meu ver foi

Em segundo lugar ficou "Mira Ira", interpretada por Miriam Mirah. Confesso que não conheço nem música nem intérprete mas a música me agradou e também ao júri que deu a ela o prêmio de melhor arranjo. Quem conhecer pode dar maiores detalhes. E li nos comentários das músicas do festival que a música vencedora causa controvérsias até hoje. Eu mesmo, com a minha cabeça de hoje não consigo entender como Escrito nas Estrelas, com uma letra pavorosa e com uma Tetê Espíndola com um visual mais pavoroso ainda (acho que mesmo para os padrões da época) levou o prêmio maior da competição.

E qual é a desses dois aí fantasiados de coração? Vergonha alheia ao máximo aqui.

Enfim, não vivia a época, só tinha três anos de idade como disse, então não me sinto apto a julgar a decisão e os demais resultados. Mas lembro com clareza o tanto que essa música fez sucesso na época, principalmente no ano seguinte ao do festival. Mas é inegável que sempre que alguém quer zoar uma rodinha de violão tenta imitar os agudos de Tetê:

"CASO DO ACASO BEM MARCADO EM CARTAS DE TARÔ..."

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Orgulho candango

Tentei encontrar uma imagem de uma bandeira real mas não encontrei nenhuma, de modo que vai a da Wikipedia mesmo.

Brasília completou cinquenta anos em 2010, será que já é possível descrever características típicas tanto da cidade como das pessoas que a habitam? Vários e-mails já circularam com características, mas sempre falando de coisas mais abrangentes, relacionadas com o dia a dia, nada que fosse o suficiente para que surgisse o estereótipo que caracterizasse o brasiliense típico.
Imagine como é um típico carioca. Agora um paulista. Agora um mineiro. Agora um gaúcho. Agora um baiano. Agora um cearense. Agora um brasiliense. Provavelmente uma imagem surgiu na sua cabeça em todos os casos. Todos? Tenho quase certeza que na hora de imaginar um brasiliense você fez força e não conseguiu. O brasiliense ainda é uma figura amorfa numa cidade que ainda recebe levas e levas de pessoas que se mudam para cá pelos mais diversos motivos. E até mesmo a cidade se mostra essencialmente heterogênea quando se analiza seu povo, pode comparar até mesmo entre os aspectos físicos dentre as cidades do DF: não temos uma cidade uniforme.

Entre os que nascem aqui são bem poucos ainda os que tem pais e familiares nativos, a maioria esmagadora tem pais nascidos em outros estados e acabam se influenciando pela cultura de outros estados, notadamente gaúchos, mineiros, pernambucanos e até mesmo paraenses, entre outros. Isso resulta num povo que não se enxerga como brasiliense além do que está registrado na certidão de nascimento. São descendentes, não nativos, tal qual aqueles que tem sobrenomes estrangeiros incomuns e se ocupam em fazer árvores genealógicas atrás de antepassados nobres (leiam-se europeus não ibéricos, de preferência teutônicos e/ou italianos).

Outro fenômeno que percebo é que aqueles que nasceram aqui se sentem inferiores àqueles que nasceram em outros estados e vieram para cá. Quem veio trouxe um sotaque, uma cultura, alguns hábitos e coisa e tal. Quem mora aqui e nasceu aqui não tem quase nada do que se orgulhar, não ostenta bandeira no carro, camisetas estilizadas, frases de efeito, nada, tem até vergonha pois nasceu na terra dos corruptos.

Este é outro fenômeno. Brasília é terra de corrupto e de marajá que ganha salário alto trabalhando para político. Esta é a imagem que os que moram em outros estados tem de Brasília - a ilha da fantasia. E não há mais como argumentar com antigamente quando se dizia que os corruptos vinham de outros estados para trabalhar aqui: lembram do mensalão do DEM e de todas as imagens e acontecimentos subsequentes? Fizeram os que aqui nasceram e moram (e votam) morrer de vontade de enfiar a cabeça no buraco de tanta vergonha.

Até mesmo no cenário político, não há ninguém que defenda a cidade com a veemência de quem defende uma bandeira, um povo, mesmo porque quem é esse povo? Como falei acima ele é amorfo, não tem cara, não tem alma. Acorda, trabalha, almoça, janta e dorme, todo santo dia. Não cria, consome tudo modelado e gerado em outros centros, é acomodado. Sua única iniciativa é fazer concurso, aliás, esta é a temática que domina o papo dos nativos hoje em dia.

Para que o brasiliense comce a se reconhecer e a se afirmar como tal a meu ver seria necessário que o cenário cultural, artístico, a princípio, saísse desta pasmaceira generalizada. E para que isto aconteça as pessoas devem iniciar um processo de saída da inércia, buscar e pensar iniciativas inovadoras para agitar a cidade e conquistar o interesse da classe proletária. Outras esferas como a esportiva e a política também serviriam de catalizadores para iniciativas de autoafirmação.

Não cabe a mim, obviamente, exigir que estes fenêmenos aconteçam: eles devem ser espontâneos. Acho até que as pessoas se reconhecerem como candangos é o primeiro passo para que surjam a alma característica da cidade, mas uma alma forte e que faça com que as pessoas não tenham mais vergonha de dizerem que nasceram aqui. E sim, apesar da denominação "candango" ser utilizada para aqueles que foram pioneiros na cidade (tem gente que briga se usar essa palavra em vão) defendo que ela seja estendida e aceita como gentílico de Brasília. A expressão está eternamente associada a capital federal e tem até ares mais épicos do que "brasiliense". Além do mais cidade nenhuma no mundo é definitivamente finalizada, está sempre em formação permanente, de modo que todos que aqui moramos trabalhamos para fazer um pouco mais da cidade e para a cidade. Ela é dinâmica, nunca para, nunca se finaliza.

Então somos sim candangos, e devemos ter orgulho de "construir" uma cidade como esta a cada dia.


Uma boa iniciativa é a do cartunista Gomez. Todo sábado ele tem publicado tirinhas com cenas típicas da cidade. Já é um começo. Dá pra matar um pouco da saudade do Eixinho.


Criação sumida de Humberto Junqueira. Retirada do site do fanzine Dejeto.