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domingo, 9 de maio de 2010

O mundo não é maternal


Por Martha Medeiros

É bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é adulto.

Quando se é adolescente a gente pensa que viveria melhor sem ela, mas é um erro de cálculo.

Mãe é bom em qualquer idade. Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco.

O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome.

Não liga se virarmos a noite na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos. O mundo quer defender o seu, não o nosso.
O mundo quer que a gente fique horas no telefone, torrando dinheiro.

Quer que a gente case logo e compre um apartamento que vai nos deixar endividados por vinte anos. O mundo quer que a gente ande na moda, que a gente troque de carro, que a gente tenha boa aparência e estoure o cartão de crédito.

Mãe também quer que a gente tenha boa aparência, mas está mais preocupada com o nosso banho, com os nossos dentes e nossos ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue, que a gente fume, que a gente beba.

O mundo nos olha superficialmente. Não consegue enxergar através. Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento. O mundo quer que sejamos lindos, sarados e vitoriosos para enfeitar ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta. O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece um pedaço de bolo feito em casa.

O mundo quer nosso voto, mas não quer atender nossas necessidades. O mundo, quando não concorda com a gente, nos pune, nos rotula, nos exclui. O mundo não tem doçura, não tem paciência, não pára para nos ouvir.

O mundo pergunta quantos eletrodomésticos temos em casa e qual é o nosso grau de instrução, mas não sabe nada dos nossos medos de infância, das nossas notas no colégio, de como foi duro arranjar o primeiro emprego.

Para o mundo, quem menos corre, voa. Quem não se comunica se estrumbica. Quem com ferro fere, com ferro será ferido.

O mundo não quer saber de indivíduos, e sim de slogans e estatísticas.

Mãe é de outro mundo. É emocionalmente incorreta: exclusivista, parcial, metida, brigona, insistente, dramática, chega a ser até corruptível se oferecermos em troca alguma atenção. Sofre no lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as nossas vontades, enquanto que o mundo propriamente dito exige eficiência máxima, seleciona os mais bem-dotados e cobra caro pelo seu tempo.

Mãe é de graça.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Homenagem ao Glauco


O blog do Universo HQ está recebendo e publicando diversas homenagens ao cartunista, vale a pena dar uma conferida.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Rock'n Roll Doctor (III)

Mais ilustrações do colega Pablo Gomes.

Rita Lee

Chico Science

Raul Seixas

Para conhecer mais do seu trabalho clique aqui.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Rock'n Roll Doctor (II)

Mais ilustrações do colega Pablo Gomes.

Joey Ramone

Elvis Presley

Angus Young

Para conhecer mais do seu trabalho clique aqui.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Em defesa de Barrichello

Créditos: Globoesporte.com

Por Flávio Gomes (que acaba complementando um texto meu do início de abril).
Texto publicado após o GP do Brasil, ocorrido no dia 18/10/2009.

De todas as pessoas que encontrei hoje, ouvi: “Esse Rubinho é um cagado, mesmo”, “Puta azar deu o Rubinho”, “Esse Rubinho é muito ruim”, “O cara é muito azarado, tinha de furar um pneu?”, “Esse cara é muito ruim, não vai ser campeão nunca”, “Quando a gente mais espera dele, faz isso”.

E algumas variáveis sobre o mesmo tema.

Eu já tinha dessa impressão, mas depois deste fim de semana, tenho certeza. O problema de Barrichello não é ele, não são seus carros, não são seus companheiros de equipe. O problema de Barrichello é a TV Globo.

E por que a Globo, e não toda a mídia? Porque não se deve ter nenhuma ilusão. A imensa maioria das pessoas no Brasil só se informa sobre F-1 pela Globo. “Se informa” é um eufemismo, melhor corrigir. Digamos que a cultura de F-1 que a imensa maioria das pessoas tem no Brasil vem daquilo que a Globo diz.

E a Globo só diz besteira. A cultura de F-1 do brasileiro médio é zero, talhada pelas cascatas globais.

Barrichello não fez nada de errado ontem, não errou ao tentar a pole com o carro mais leve, não teve azar nenhum, não foi cagado. Mas a histeria global, martelada dia após dia — e quando a corrida é no Brasil, e ele está na pole, chega a ser quase uma lavagem cerebral, uma lobotomia —, faz com que o público aqui acredite que Rubinho do Brasil tem a obrigação de ganhar, e se não ganhar, das duas uma: ou sacanearam com ele, ou é um cagado que não tem mais jeito.

As pessoas veem uma corrida de F-1 aqui com zero de informação honesta. Ontem, depois de dez voltas já era possível afirmar que Rubens não venceria a prova. Simples: não abria de Webber e iria parar cinco voltas antes nos boxes. Cinco voltas, com um carro mais rápido e cada vez mais leve, seriam mais do que suficientes para Webber voltar à sua frente do pit stop. E Kubica, também. Ambos passaram.

Rubens apostou no clima instável de São Paulo, no que fez muito bem. Larga na pole, pula na frente, vai que chove no início, todos têm de parar, a vantagem do carro mais pesado é anulada. Ou, ainda: acontece alguma merda atrás dele, Webber se enrosca, Kubica bate, fica para trás, e a vantagem é igualmente anulada.

Mas há uma desonestidade editorial clara naquilo que a Globo faz, alimentando uma expectativa que não poderá ser cumprida. Porque corrida de carro é muito mais do que essa gritaria de “Vâmo, Rubinho!”, “Não erra agora, Rubinho!”, “Acelera, Rubinho!”. Corrida de carro tem lógica, é matemática, e quem mostra um evento desses a milhões de pessoas tem a obrigação de ser honesto.

Porque se não for, as pessoas não têm elementos para entender a derrota. E se amparam na explicação que está à mão: o cara é cagado, dá azar, não vai ganhar nunca. Ou, ainda: furaram o pneu dele de propósito.

E, aí, vai-se criando a fama, dia após dia, de perdedor, azarado, cagado. Uma farsa, uma mentira. A TV mente o tempo todo. Foi assim nos anos pós-Senna, em que Barrichello, de Jordan ou Stewart, não tinha a menor chance de ganhar uma corrida, embora a TV dissesse o contrário. Porque corria contra Williams, Ferrari, McLaren, Benetton. Depois, na Ferrari, a venda de ilusões baratas era igualmente cruel, porque contra um piloto como Schumacher, Barrichello jamais seria campeão. Não seria porque Schumacher era muito melhor. Se eu for companheiro de Barrichello numa corrida de qualquer coisa, não terei chance alguma de andar na frente dele. Deem um kart para ele e outro para mim, e ele vai chegar na frente todas as vezes. Entreguem um Lada igualzinho ao meu, e não vou ser mais rápido que ele nunca, em nenhuma volta.

Mas a Globo vende a esperança, porque acha que as pessoas só vão se interessar por seu evento se houver a chance de um brasileiro vencer, mesmo se for uma mentira deslavada, como na maioria das vezes. É um engodo, e uma sacanagem com o piloto. A expectativa que se cria por seus resultados é criada na TV. OK, muitas vezes Rubens embarcou na onda, mas é o menor dos culpados.

Se a TV não se dedicasse tanto a iludir seus telespectadores tratados como otários, Barrichello não seria zoado como é há anos, pela Globo inclusive. Poderia conduzir sua carreira com mais tranquilidade e serenidade. Ele não tem a obrigação de vencer por ninguém, pelo povo, pelo país. Tem obrigação de trabalhar direito para quem lhe paga, e por ele mesmo.

Um dia depois de uma corrida normal, na qual fez o que podia fazer dentro dos limites de seu carro e de seu talento, o coitado tem de aguentar um tijolo a mais nessa construção de uma imagem que não corresponde à realidade. Barrichello pode não ser o melhor piloto do mundo, está longe disso, mas é um dos bons dos últimos anos, como outros tantos. Nem muito mais, nem muito menos. Não estaria há tanto tempo correndo se não tivesse qualidades.

Quando parar, muito provavelmente sem ter sido campeão, terá para sempre colado na testa o rótulo de cagado, azarado, lento, o que for. Pode agradecer à TV por isso. Foi ela que, nesses anos todos, disse ao Brasil que Rubens era algo que nunca foi. Talvez ele nunca entenda isso, até porque adora ser bajulado pela Globo, com seu pseudo-jornalismo esportivo meloso, ufanista e cascateiro. Mas é assim.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Rock'n Roll Doctor

Ilustrações (geniais) do colega Pablo Gomes.

Jimi Hendrix

Ozzy Osbourne

Gene Simmons

Para conhecer mais do seu trabalho clique aqui.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Torcer pra time grande é fácil...

Por Antônio Bordallo (do blog Sport-to-Wear)

Quando vejo hoje que o timezinho da moda é Chelsea, que é blues pra cá, blues pra lá, me lembro que não tem tantas décadas assim, o time era uma coisa meio que relegada à um segundo escalão, que niguém assim escolheria facilmente pra torcer. Na verdade nem eu mesmo achava tanta graça naquele escudo com um leão e CFC… mas agora que entrou capital, grandes contratações e as modinhas de virar torcedor de clube europeu só porque jogou com o mesmo no Winning Eleven ou porque passaram a acompanhar futebol inglês na TV, toda essa paparicação ao clube me fez pensar nos verdadeiros torcedores dele, que aguentavam as gozaçoes dos rivais na época que era apenas um time medíocre de Londres… Bem, esse pessoal criou uma camisa em resposta, e a mesma diz tudo:


(pra quem não entendeu: EU ESTAVA LÁ QUANDO NÓS ERAMOS MERDA!)

Puta resposta, não? Com direito ao escudinho escroto e tudo…

Agora eu tô esperando a hora em que os grandes e leais torcedores do América do Rio vão poder finalmente vestir uma camisa como essa com orgulho…

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Viver despenteada


Autora desconhecida

Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie,
por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade…
O mundo é louco, definitivamente louco…
O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o teu rosto enruga.
E o que é realmente bom dessa vida, despenteia…
  • Fazer amor, despenteia;
  • Rir às gargalhadas, despenteia;
  • Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia;
  • Tirar a roupa, despenteia;
  • Beijar à pessoa amada, despenteia;
  • Brincar, despenteia;
  • Cantar até ficar sem ar, despenteia;
  • Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível…
Então, como sempre, cada vez que nos vejamos
eu vou estar com o cabelo bagunçado…
mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.

É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir

Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável,
toda arrumada por dentro e por fora,
O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:
Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça,
coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria…
e talvez deveria seguir as instruções, mas
quando vão me dar a ordem de ser feliz?
Por acaso não se dão conta que para ficar bonita
eu tenho que me sentir bonita…
A pessoa mais bonita que posso ser!

O único que realmente importa é que ao me olhar no espelho,
veja a mulher que devo ser.
Por isso, minha recomendação a todas as mulheres:

Entregue-se, Coma coisas gostosas, Beije, Abrace,
dance, apaixone-se, relaxe, Viaje, pule,
durma tarde, acorde cedo, Corra,
Voe, Cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável,
Admire a paisagem, aproveite,

e acima de tudo, deixa a vida te despentear!!!!

O pior que pode passar é que, rindo frente ao espelho, você precise se pentear de novo...

Enviado por DJ Lêu (o DJ do forró pé-de-serra em Brasília).

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Campanha SOS Nordeste


Por Adriana Caitano (do blog Forró Pé-de-Serra DF).

Pessoal, sempre que falamos de Nordeste por aqui é sobre música e alegria. Mas desta vez venho fazer um alerta aos apaixonados pela cultura e pela história daquela região. Todos temos visto as recorrentes enchentes que têm prejudicado a vida daquele povo tão acostumado à seca. Essa é a hora de prestarmos a nossa solidariedade a quem precisa. Reproduzo aqui, com algumas adaptações (tirei a parte da politicagem), o texto encaminhado pela assessoria de imprensa da Secretaria de Justiça do DF (Sejus). Vale a pena prestar atenção e ajudar:

"As fortes chuvas recorrentes na região Nordeste já afetaram mais de duzentas mil pessoas nos estados do Maranhão e Piauí. De acordo com a Defesa Civil do Maranhão, 55.798 pessoas estão desabrigadas ou desalojadas. O número de mortes subiu de seis para oito. No Piauí, 25 municípios estão em situação de emergência. Bahia e Ceará também sofrem com as enchentes.

Preocupado em ajudar os moradores do Maranhão, primeiro estado a sofrer com as chuvas, o governo do DF determinou que houvesse uma campanha para acudir as necessidades primárias dos desabrigados e desalojados da região, como: alimentação, vestuário, cobertores, colchões e medicamentos. Como outros estados passaram a sofrer com as enchentes, a Sejus estendeu a campanha e passou a chamá-la de SOS Nordeste.

Os organizadores pedem ajuda à população de Brasília, que já deu prova de sua solidariedade em outras campanhas. Órgãos públicos e parceiros da rede privada aderiram à campanha e já disponibilizaram espaços para arrecadação de donativos. São eles:
* Delegacias de Polícia;
* Administrações Regionais = 28 Regionais;
* Unidades do Na Hora da Hora Rodoviária, Taguatinga e Shopping Top Mall;
* Defensoria Pública do Distrito Federal = 30 unidades;
* Quarteís da PM e CBMDF = 28 unidades;
* Rede de Supermercado Pão de Acúçar = 20 unidades;
* Bob's = 08 unidades;
* Mc Donald's = 08 unidades;
* Rede de Supermercado Big Box = 28 unidades;
* Rede Gasol = 92 postos;
* Escolas e Universidade Particulares = 10 unidades;
* Shoppings = Terraço Shopping, Taguatinga Shopping, Brasília Shopping e outros.

CENTRAL DE ATENDIMENTO DO SOS NORDESTE
3905 -7143 / 3905 - 7148

***

Para quem quiser ajudar depositando quantias em dinheiro, há esta alternativa.

Retirado do site da Prefeitura Municipal de Teresina.

Prefeitura abre conta para doações aos alagados

DOAÇÕES − A assistência às vítimas das enchentes em Teresina também poderá ser feita com doações da população. A Prefeitura de Teresina, sensibilizada com os problemas das famílias atingidas pelas chuvas, abriu uma conta no Banco do Brasil para que as pessoas interessadas em ajudar financeiramente possam contribuir no atendimento aos alagados.

A conta corrente foi nomeada de PMT Enchentes 2009. Os depósitos podem ser feitos na conta número 7720-8, agência 3791-5 do Banco do Brasil. O dinheiro depositado nesta conta será utilizado para a compra de alimentos, agasalhos, roupas, colchões, entre outros itens que serão utilizados pelas famílias que foram recebidas em residências acolhedoras ou estão em abrigos.

“Muitas pessoas estão nos ligando querendo ajudar não apenas com doação de alimentos e roupas, mas também com dinheiro. Recebemos ligações de pessoas de outros estados que se comoveram com a situação de Teresina e também estão interessadas em ajudar. Daí a importância da abertura dessa conta que facilitará as doações e complementará o trabalho que já vem sendo realizado pela SEMTCAS”, explica Graça Amorim, secretaria Municipal de Trabalho, Cidadania e Assistência Social

Mais informações:
SEMTCAS
Secretaria Municipal do Trabalho, Cidadania e de Assistência Social
Rua Firmino Pires, 121 – centro
CEP: 64.000-070 - Teresina-PI
(86) 3215–7587 / 32157485
Fax: (86) 3215-7586
semtcas@gmail.com

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Quem está doente: Adriano ou os outros?

Adriano em versão digital: Fico chateado de tomar essa decisão por causa daqueles garotos que "jogam comigo" no Playstation.*

Por Emir Sader, sociólogo.

Que sociedade é esta que, quando alguém diz que não estava feliz no meio de tanto treino, tanta pressão, tanta grana, tanta viagem, que prefere voltar à favela onde nasceu e cresceu, compra cerveja e hambúrguer para todo mundo, fica empinando pipa – se considera que está psiquicamente doente e tem que procurar um psiquiatra? Estará doente ele ou os deslumbrados no meio da grana, das mulheres, das drogas, da publicidade, da imprensa, da venda da imagem? Quem precisa mais de apoio psiquiátrico: o Adriano ou o Ronaldinho Gaucho?

O normal é ter, consumir, se apropriar de bens, vender sua imagem como mercadoria, se deslumbrar com a riqueza, a fama, odiar e hostilizar suas origens, se desvincular do Brasil. Esses parecem “normais”. Anormal é alguém renunciar a um contrato milionário com um tipo italiano, primeiro colocado no campeonato de lá.

Normal é ser membro de alguma igreja esquisita, cujo casal de pastores principais foram presos por desvio de fundos. Normal é casar virgem, ser careta, evangélico, bem comportado, responder a todas as solicitações e assinar todos os contratos. Normal é receber uma proposta milionária de um clube inglês dirigida por um sheik, ficar pensando um bom tempo, depois resolver não aceitar e ser elogiado por ter preferido seu clube, quando antes ele ficou avaliando, com a calculadora na mão, se valia a pena trocar um contrato milionário por outro.

Considera-se desequilibrado mental quem recusa um contrato milionário, para viver com bermuda, camiseta e sandália havaiana. Falou à imprensa de todo o mundo, disposta a confissões espetaculares sobre o que havia feito nos três dias em que esteve supostamente desaparecido – quando a imprensa não sabe onde está alguém, está “desaparecido”, chegou-se até a dizer que Adriano teria morrido -, buscando pressioná-lo para que confessasse que era alcoólatra e/ou dependente de drogas, encontrar mulheres espetaculares na jogada.

Falou como ser humano, que singelamente tem a coragem de renunciar às milionárias cifras, eventualmente até pagar multar pela sua ruptura, dizer que “vai dar um tempo”, que não era feliz no que estava fazendo, que reencontrou essa felicidade na favela da sua infância, no meio dos seus amigos e da sua família.

Este comportamento deveria ser considerado humano, normal, equilibrado. Mas numa sociedade em que “não se rasga dinheiro”, em que a fama e a grana são os objetivos máximos a ser alcançados, quem está doente: Adriano ou essa sociedade? Quem ter que ser curada? Quem é normal, quem está feliz?

***

Emir Sader é sociólogo e cientista político, sendo ligado ao Partido dos Trabalhadores (PT). Seu blog está hospedado no site da Agência Carta Maior.

O testo original encontra-se neste link.

E Adriano passa a ser tema da nova enquete, Você acha acertada a decisão de Adriano de interromper a carreira por tempo indeterminado?

Resultado da última enquete: Na hora de comprar remédios você dá preferência a qual tipo de medicamento?

De laboratório: 50%
De manipulação: 38%
Homeopático: 12%

*Adriano foi capa do jogo Pro Evolution Soccer 6, disponível para várias plataformas de videogame.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Paixão de Cristo, versão Poço da Panela

Igreja do Poço da Panela

Por Samarone Lima, jornalista e escritor.

O pernambucano é um sujeito obcecado. Quando vai chegando o Carnaval, tudo se torna festa, o ar se torna carnavalesco, não se fala em outra coisa, o comércio se transfigura, para você comprar uma fantasia, precisa enfrentar uma multidão, em lojinhas abarrotadas e calorentas, ali no centro, nas ruazinhas ao lado do Mercado de São José. Os músicos, que passam o ano na magra, tocando aqui e ali, tocam feito uns desesperados (tem saxofonista que termina a festa quase sem beiço), mal têm tempo de comer um queijo com mortadela.

Passado o Carnaval, o pernambucano olha para o lado e busca sua nova obsessão - a Semana Santa, que falarei logo em seguida.

Na época do São João, não se escuta outra coisa, a não ser o velho, obsessivo, fundamental, insuperável forró. Todos os sanfoneiros vivos, semi-vivos e mortos são evocados, relembrados, recuperados, tem sanfoneiro que toca três vezes na mesma noite, o mês inteiro, os dedos tudo inchados, o “arraial” é obrigatório em cada esquina, as cidades ardem em fogueira ancestrais, parece que a vida seria uma marcha patética e triste, rumo ano nada, uma melancolia profunda e celeste, sem um bom forró pé-de-serra e a espiga de milho cozida no barrigão.

Entre o Carnaval e o São João, tem outra obsessão pernambucana: a Páscoa, ou, melhor dito, a Semana Santa.

Tudo na vida de uma pessoa é a Paixão de Cristo, Nova Jerusalém, o eterno Cristo, José Pimentel, a Via-Sacra. Só hoje (vi agora há pouco no jornal), teremos sete apresentações da Paixão de Cristo, em diferentes bairros e cidade, com diferentes Cristos e Marias, apóstolos os mais diversos, interpretados das formas mais intensas. Me interessa muito a Paixão de Cristo no Morro do Peludo, em Ouro Preto, Olinda, de graça.

Os mercados ficam empanturrados de gente, em busca de peixe, todos descobrem que não podem viver sem bacalhau, o vinho sai comendo no centro, do Concha y Toro ao Carreteiro, ou galões imensos de Sangue de Boi, que Deus o tenha.

Sobre a Paixão de Cristo, tenho algo a lhes contar.

Há alguns anos, foi realizada uma encenação muito caprichada, aqui no Poço da Panela, com arquibancada e tudo o mais. Aconteceram alguns fatos que fugiram ao controle da organização, e por conta dos tais fatos inesperados, foi a última vez que a Paixão do Poço foi realizada. Após um exaustivo trabalho de reportagem, consegui descobrir o motivo do fim do evento em nossa comunidade. Vamos a eles.

Primeiro, tivemos problemas com o burrinho que trazia Jesus. Não se sabe ainda o motivo, mas o fato é que o dito animal vinha num passo lento, diria manco, com Jesus acenando, acho que com uma oliveira nas mãos, eu sempre confundo os episódios, mas pouco importa, o que importa é que na Paixão, Jesus chega num bucólico burrinho de algum canto. Lá pelas tantas, o jumentinho daqui arretou-se e saiu em disparada, atravessou a multidão e mudou os rumos da histórica cena. Muitas ruas depois, Jesus foi resgatado com vida, assustado e pálido, mas conseguiu retornar à encenação, após muita adulação com nosso jerico.

Tivemos problemas com Marco Careca, que foi escalado para ser um soldado romano. Marco é um sujeito simples daqui, um negro careca e com poucos dentes, vive de bicos, sempre passa de bicicleta com um sorrisão, mas não se enganem - é o pior jogador de futebol que já tive oportunidade de ver em campo. Pois bem, ele recebeu a roupa do soldado e incorporou mesmo o personagem. Com um chicote na mão, começou a fustigar Jesus (infelizmente não consegui descobrir quem interpretava Jesus).

“Calma, Marco, que isso é uma encenação. Tá doendo, visse?”, sussurrou Jesus, já bastante avariado e com as costas ardendo.

O sol estava de rachar e Marco, numa pose de soldado romano recém-contratado, não quis saber de acordo.

“Encenação o caralho, comigo é na vera”, respondeu, descendo mais uma chibatada no lombo do nosso Jesus Cristo.

A platéia achou lindo aquele realismo.

Sabe-se que Jesus apanhou pra caramba, até chegar à cruz, que estava aqui, defronte à Igreja do Poço. Amarraram Jesus. Novamente, Marcos Romano entrou em ação. Amarrou os pulsos de Jesus com toda a força que tinha, e a mão do camarada começou a ficar preta.

“Marco, tá doendo, cara”.

“Eu tô dizendo mesmo…”, respondeu o soldado Marco.

“Jesus levou foi prego nas màos, e tu não queres sofrer um apertinho…”

A situação estava complicada, quando uma galera de outro bairro chegou, e começou uma confusão com a moçada do Poço. Sei apenas que era uma rixa antiga. Daqui a pouco, o cacete estava comendo no centro, soldados romanos brigando com inimigos do outro bairro, os apóstolos dando pedradas em filisteus, Maria parece que se escondeu em Seu Vital, foi cacete até umas horas, até que a cruz, onde estava pendurado Jesus, começou a cair, e ninguém percebeu.

“Minha mão, minha mão”, gritava Jesus, mas os céus não se preocupavam.

Alguém acudiu Jesus, não sei se foi Maria, pode ter sido dona Da Luz, que sempre ajuda os outros.

Foi a última Paixão de Cristo por aqui. Depois dessa, ainda tentamos organizar uma Via-Sacra, mas a definição dos personagens foi uma confusão, acabou não dando certo, e somos muito preguiçosos para decorar as falas.

Outro dia, conversando com Marco Careca, aqui em Biu Coió, perguntei se era verdade as lapadas que ele tinha dado em Cristo.

“Ôx, e apois. Eu vou ficar alisando, é?”.

Tomou mais uma lapada de cana e completou, orgulhoso:

“Botei foi quente em Jesus”.

***

Samarone Lima é jornalista, professor de jornalismo e literatura, cearense e mantêm o blog Estuário onde arrisca uma crônicas quase-poesias.

O texto em questão foi publicado em 12/04/2006.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Uma segregação silenciosa

Ceilândia (em destaque o P Sul), Taguatinga e lááááááááááááááá longe a "Capital da Todos os Brasileiros" - foto: Augusto Areal - http://www.infobrasilia.com.br

Brasília sendo capital do Brasil já é um atrativo mais do que suficiente para que famílias de comunidades mais pobres do país se aventurem a tentar uma melhor sorte por aqui, afinal de contas foi com este espírito que gente de todos os cantos atenderam o chamado de Juscelino Kubitsckek para participar da construção de Brasília.

Havia um ideal pregado de que esta seria a cidade mais democrática que já existiu, onde, diziam-se, o motorista moraria no mesmo prédio que o deputado. Não era preciso esperar muito para ver que tal fato muito dificilmente aconteceria, a própria epopéia da construção já mostrava o quanto esta visão era utópica, principalmente para os operários, a quem não restava nada a não ser trabalhar incessantemente para atender um cronograma que demandava pressa nas inaugurações. E quando acabava o expediente aquele povo tinha que voltar para as vilas que ficavam cada vez mais distantes daquele canteiro de obras monumental.

E para aqueles que não conseguiam (ou não permitiam) se assentar em vilas operárias restava construir barracos com sacos de cimento em áreas que o poder vigente classificaria como "invasões". Dezenas delas se proliferaram, umas mais perto, outras mais distantes, inclusive uma dessas mais distantes deu origem à cidade de Taguatinga.

Com o passar dos anos as invasões mais próximas da parte monumental da capital federal foram sendo retiradas. O motivo alegado era o de fornecer melhores condições de vida a essas pessoas, mas a verdade é que aquele aspecto de pobreza, produzido diga-se de passagem pela estrutura de trabalho imposta pela construção daqueles prédios próximos, constrastava com a beleza que aqueles monumentos queriam passar, sem falar que as classes mais abastadas não podiam ter aquela visão enfeiando a vista de suas varandas, mesmo que estes não saibam que indiretamente contribuem para que aquelas famílias estejam naquela situação, de que jeito não vem ao caso colocar aqui pois demandaria uma explicação tão ou mais extensa que este texto.

E desse processo de embelezamento da paisagem da capital surgiram as outras cidades-satélites, cada vez mais afastadas da parte monumental: Gama, Sobradinho, Samambaia, Santa Maria, Recanto das Emas, Paranoá e aquela que carrega a razão de sua existência até hoje em seu nome, Ceilândia, nome originado pela sigla do Centro de Erradicação de Invasões - CEI. O Paranoá também merece destaque pois foi criada como um remanejamento de uma invasão que ocupava uma área próxima ao Lago Sul que possuía uma vista privilegiada do Plano Piloto, ideal para a especulação imobiliária.

Há também a questão do entorno do Distrito Federal. Devido às maiores dificuldades de se instalar no quadrilátero, muitas pessoas acabam por fixar residência em municípios próximos no estado de Goiás, cuja infraestrutura básica e de serviços não acompanhou o crescimento populacional, o que faz com que estas pessoas fiquem até mais dependentes dos serviços básicos, como educação e saúde, existentes em Brasília do que as pessoas que moram nas cidades-satélites.

Até hoje tanto os pioneiros como os migrantes que vieram depois vivem como na música Cidadão cantada por Zé Geraldo, ou pior que isso pois a maneira como a cidade se desenvolveu no que diz respeito à setorização foi para separar bem definidamente os espaços de ricos e pobres. Quatro exemplos deixam isso bem claro:

- Conte nos dedos, quantas linhas de ônibus passam em locais como Pier 21, clubes à beira do Lago, Academia de Tênis, entre outros locais notoriamente frequentados por pessoas que tenham dinheiro para comprar uma carro que chegue até lá;

- O Conjunto Nacional que também já é um exemplo notório: Percebam que a parte sul (a mais próxima da Rodoviária) tem maior concentração de lojas populares enquanto a parte norte tem maior concentração de lojas mais chiques e de grife;

- Há também a resistência da população moradora do Lago Norte à construção de pontes na península. O argumento é a de que tais obras aumentariam a criminalidade, ou seja, na cabeça deles pobreza é sinônimo de criminalidade, sendo que ninguém para pra pensar porque que há essa ligação (preciso dizer?);

- Pra finalizar é comum em hospitais de Brasília a concentração de ambulâncias de cidades do interior de Goiás, Minas Gerais e até da Bahia. Muitos condenam tal prática por considerarem que isso contribui para a superlotação da rede hospitalar, mas estas pessoas por acaso teriam acesso a atendimento semelhante em suas cidades de origem? Aliás isso vale para diversos serviços, tanto públicos como privados.

A melhoria das condições de vida nos bolsões de pobreza criados pelo descaso e pela sanha eleitoral assim como a desconcentração dos postos de trabalho (aqui em Brasília mesmo quase todos os empregos se concentram no Plano Piloto, além do que trabalhar perto da Esplanada traz mais status) resolve muito mais do que simplesmente afastar estas pessoas de nossa convivência como quem varre a sujeira pra debaixo do tapete. Isto demandaria uma mudança de consciência que este texto por si só não é capaz sequer de iniciar. Mas não percamos a ciência de que grandes mudanças se fazem a longo prazo, e cada contribuição feita nesse sentido é um passo que se dá para que alcançemos nossos ideais, que aqui é o da inclusão de todos na sociedade que queremos viver, independente de onde elas nascem ou moram.

***

Atualização: Acerca da temática, recomendo dois filmes dirigidos pelo cineasta Vladmir Carvalho: Conterrâneos Velhos de Guerra, que mostra o surgimento da Ceilândia, relatos de pioneiros de Brasília e a ação da polícia no despejo de invasões; e Brasília Segundo Feldman, que é um apanhado de filmagens feitas pelo americano que dá nome ao filme no ano de 1959, durante a construção de Brasília.

terça-feira, 3 de março de 2009

O país de um eixo só - parte 2

Faixas afixadas pela torcida do América de Natal, quando o mesmo enfrentou o Flamengo na capital potiguar em 2007 (créditos: Globoesporte.com).

Por Sidney Nicéas (publicado originalmente em seu blog De 2 em 2)

Corroborando com a postagem do dia 30/10/08 (LEIA AQUI) e, claro, completando-a, eis que a Rede Globo, mostrando o seu sentido mais avesso de ‘nacionalidade’, ‘jogou’ o futebol carioca Nordeste adentro.

Agora, Pernambuco e os demais estados nordestinos não possuem mais um bloco exclusivo do ‘Globo Esporte’. As notícias esportivas locais são veiculadas dentro do noticiário estadual (aqui, o NETV). No horário outrora destinado às afiliadas, o nordestino tem ‘empurrado goela abaixo’ as notícias do futebol carioca...

O que somos? Cariocas, por acaso?

Essa é só mais uma peça pregada pela Globo. Uma peça bairrista e mesquinha. E não me venham falar de auto-preconceito (e que a emissora alterou seu quadro por outras ‘razões’ – se houvesse alguma ‘razão’ para tal, o espaço poderia muito bem ser preenchido com notícias realmente nacionais). Não bastasse ter o eixo Rio-São Paulo inundando a programação ‘nacional’ da emissora, agora vem mais essa.

Hoje, domingo, 1º de março de 2009, liguei a TV pretendendo assistir ao jogo do Campeonato Pernambucano, Vitória x Sport. Ainda passava o famigerado Domingão do Faustão. E eis que o apresentador anunciou, ignorando outros diversos jogos que seriam transmitidos pelas afiliadas Brasil afora: “Você vai conferir agora Santos e São Paulo e a final da Taça Guanabara entre Resende e Botafogo”.

O que somos? Paulistas e cariocas, por acaso?

Enquanto o futebol do Rio de Janeiro sobrevive graças a esquemas milionários escusos, a maior emissora do país mostra que dessa lama faz parte - e ignora o ‘todo’ para enfatizar única vertente. Alimenta essa ânsia de fazer os clubes do citado eixo (não só os cariocas) cada vez maiores – o resto que se dane. Enfim, acentua as enormes diferenças desse Brasil gigante. E olhe que estou me referindo aqui apenas ao futebol...

O que somos? Idiotas???

Deixar de assistir o canal não é solução (afinal, a TV é gratuita e tem obrigação de ser nacional). É preciso mostrar que não somos trouxas. Que somos o berço dessa nação e que merecemos, sim, respeito, igualdade e valorização. Quer saber como? Basta divulgar isso e enviar um montão de e-mails para lá externando, com toda a educação peculiar ao povo nordestino, que não somos idiotas:

Webmail do Globo.com: webm@redeglobo.com.br
PE360 Graus: http://pe360graus.globo.com/pe360graus/faleconosco.aspx

segunda-feira, 2 de março de 2009

O país de um eixo só - parte 1


Por Sidney Nicéas (publicado originalmente em seu blog De 2 em 2)

A vida num país acontece naturalmente. Uma nação é movida por eixos, engrenagens incansáveis acionadas em cada milímetro do território nacional, por cada cidadão. Mas, no Brasil, parece que não é assim...

Conduzidas pela mídia, essas engrenagens tupiniquins foram se resumindo a um eixo específico: Rio de Janeiro/São Paulo. A definida mídia nacional (que deveria ter igual missão – nacional) se perde com o foco super dimensionado no sudeste, especialmente no citado eixo, causando a impressão de que todo o país ali se resume.

Exemplos? Novelas – com suas tramas acontecendo quase que exclusivamente nessas duas cidades (o Rio paraíso, Sampa ‘A’ metrópole); futebol – só Flamengo e Corínthians em referências mil (e haja citações em toda a programação); música – qualquer ‘coisa’ vira sucesso comercial (e o resto que se exploda); até a violência – foco exacerbado às ações criminosas (ou será que no resto do país a mídia nacional dá atenção aos casos de seqüestro e assassinatos em família?).

A vida acontece no Rio de Janeiro e em São Paulo, é verdade, assim como na Paraíba, no Piauí, Rio Grande do Norte, Alagoas, Maranhão, Sergipe, Acre, Roraima, Rondônia, Mato Grosso...

Esse papo pode parecer mesquinho, mas não é. A idéia é tão somente refletir e questionar: quando o Brasil se tratará por igual? Quando a mídia será realmente imparcial? Quando seremos, enfim, uma nação de verdade?

Todavia, enquanto eu continuar enxergando o Brasil como ‘o país de um eixo só’, permanecerei movendo as engrenagens que me cabem – como escrever o que penso sobre esse assunto, por exemplo... E acreditando num amanhã melhor...

***

N. do E.: A charge no alto retrata o BBB8, ocorrido ano passado. Na ocasião especulou-se que a votação decisiva para escolher quem venceria o certame foi manipulada. Durante a votação o apresentador Pedro Bial afirmava que houve uma disputa acirrada e uma alternância constante da liderança. Porém como não havia um prazo certo para o encerramento da votação, a mesma teria sido encerrada apenas quando o paulista Rafinha se encontrava à frente da piauiense Gyselle.

Nunca levei BBB a sério, mas não duvido que isso tenha acontecido (quer dizer, aconteça).

No próximo post publicarei o segundo texto de Sidney sobre essa... digamos... "concentração de influência".