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terça-feira, 22 de junho de 2010

Xenofobia


Encontrei um lugar legal para degustar uma iguaria que não conhecia, mas que me foi uma grata surresa descobrir seu paladar. O lugar se chama La Porteña e a iguaria se chama empanada e, querendo ou não, parece ser a especialidade da casa, que também serve massas e vinhos num ambiente bem receptivo.

O proprietário, Gustavo, é argentino e deve ter uns dez anos que está radicado em Brasília. Quando estava de saída ele me deu a dica de que iria colocar uma TV para passar o jogo da Argentina, no dia seguinte, no mesmo local.

E no dia seguinte estava lá e pude assistir o jogo tranquilamente e num ambiente legal e animado. Foi uma experiência interessante trocar idéias com pessoas de experiências e culturas diferentes.

E foi com um comentário do Gustavo que me veio o estalo, ele apesar de torcer para uma final entre Brasil e Argentina, mas falou, brincando, que receava que teria qe fechar, passar o ponto, etc. caso isto acontecesse.

Esta copa, tocando no assunto, tem me deixado pensativo com o quanto, pelo menos na minha opinião, as brincadeiras com os argentinos estão em quantidade cada vez maior, sendo que algumas chegam a constranger mexendo com estereótipos como se nossos vizinhos fossem gente esquisita e chata que vive a zombar de nós brasileiros, o que justificaria tamanho escárnio de nossa parte.

Bom, nunca vivi em Buenos Aires para poder comparar esta rivalidade. Mas de ver os argentinos que já conheci até hoje tudo isto me parece mais uma coisa fabricada pela mídia e por gente que quer mais é aparecer. Quer dois exemplos? E vind dos dois lados? Galvão Bueno (que sempre acha bom ganhar da Argentina) e Maradona (que vive a repetir que é melhor que Pelé).

Sou um admirador tanto da cultura daquele país (muito mais riquíssima do que o futebol acaba não nos deixando ver) como do futebol de lá, assim como a paixão latina que arasta multidões de apaixonados por aquelas bandas. Por isso recomendo o que estou praticando neste período de copa: criar os próprios conceitos e rever os que já existiam par tratar "os hermanos" com "os irmãos" que compartilham do mesmo continente que a gente. Bem melhor do que dar ouvidos a comerciais de cerveja que dizem ter pena de latinhas que vão para a Argentina.

Ah, e para quem quiser a La Porteña fica na 202 Norte.

terça-feira, 25 de maio de 2010

O colete

Fácil de usar e não tem este nome à toa.

Um colega de trabalho me mostrou um blogueiro que grava vídeos para colocar no vocêtubo (Flávio Gomes, adorei essa) falando ele mesmo de coisas do cotidiano. Começa falando de Rebolation e de como isso lhe dava vergonha alheia, depois vai emendando assuntos como sobre o jeito de se comportar de pessoas ricas, sobre o emprego dele de colorista de quadrinhos (e oferecendo vagas de emprego) e ensinando coisas prosaicas sobre como fazer café e arroz doce. OU seja, nada com nada.

Mas uma coisa me chamou a atenção além do fato de ele esculhambar (com meu apoio) quem gosta de rebolation. Quando ele foi falar dos ricos com uma definição que eu não faria melhor ele soltou a seguinte pérola:
  • Tem coisas mais importantes do que ser rico, como saber nadar.
Brincadeiras a parte para quem já fez a associação, na mesma hora me lembrei do naufrágio da lancha que ocorreu no lago Paranoá de sexta pra sábado. Garotada, churrascando, bebendo, foi dar um rolé de lancha pra curtir, aposto que com tantas preocupações como estar bonito, impressionar, ninguém deve ter se preocupado em botar coletes salva vidas, afinal barcos dificilmente afundam né? Por que iriam acontecer justo com eles?

Posso estar parecendo cruel mas há de se lembrar que, mesmo tendo somente três coletes para onze pessoas a bordo - o que já são dois erros - o relato dos jovens é de que apenas um dos rapazes o vestiu durante o trajeto e, mesmo assim, logo o tirou, porque na nossa cabeça ter esse tipo de precaução é coisa de gente paranóica e chata, que fica se preocupando com pouca coisa e é regrada demais, que só coloca o cinto no carro porque é obrigado e acha um saco ter que seguir tanta orientação quando vai viajar de avião.

Tantas coisas simples, que se tivesse msido seguidas teriam evitado uma tragédia. Coisas que se repetem todo dia e não aprendemos nunca. Só depois que alguém se machuca ou coisa pior.

Envio meus pêsames à família que perdeu suas duas filhas no Lago Paranoá e lamento que só no próximo fim de semana veremos gente de colete nos barcos que trafegam por suas águas. Depois todo mundo esquece do ocorrido e só quem vai nos lembrar de se preocupar com a segurança será o Batalhão Lacustre da Polícia Militar.

Para quem quiser se orientar pode clicar na imagem ali de cima, imprimir e levar para a embarcação. Não sem antes comprar os coletes em alguma loja náutica.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Visões de Brasília (VIII) - Visita ao fundador


Bom, já dei aqui neste espaço os meus parabéns por mais uma tentativa da classe política de Brasília de engambelar a população. Agora é torcer para que esta dê uma mostra de maturidade nas urnas.

Mas o dia 21 de abril de 2010 ficará marcado como o aniversário em que Brasília foi mais Brasília em sua celebração. Somente o povo que a constrói a cada dia esteve presente nas festividades, confirmando que pelo menos para isso toda a crise institucional que a cidade viveu nos últimos meses serviu, para que ninguém se utilizasse da data para tantar colher dividendos políticos, como Arruda e Paulo Octávio pretendiam fazer. Não rolou, quer dizer, quase rolou.

Vou dizer o que presenciei, ou seja, não posso fazer um panorama detalhado. Como brasiliense que se preze fui pra Esplanada coalhada de gente. As mesmas atrações de sempre, e acho que a única coisa diferente que rolou foi a Parada Disney que eu mesmo não fiz questão de ver pois não me empolgou nem um pouco, além de não ter nada a ver com a ocasião. Fui foi torrar no solzão do vôlei de praia, que po falar nisso está bem disputado pelo que eu andei vendo, a disputa das finais é uma boa pedida pro fim de semana.

Porém tempo demais no sol acabou me deixando com um princípio de insolação e fui pro almoço meio molenga, decidido a voltar pra casa e encerrar meu feriado. Porém no caminho (estava com minha colega, a Cris) decidimos dar uma passada no Memorial JK acreditando que a coasião proporcionaria uma viagem inesquecível. Estava certo.

Para minha surpresa, muita gente teve a mesma idéia, incluindo aí muitos estrangeiros ávidos para conhecerem a epopéia candanga.

Para mim sempre que entro no memorial a parte mais marcanté é quando me deparo com este vão central no piso superior onde está a lápide preta escrito "O FUNDADOR". Aquele espaço tem uma aura que é difícil de descrever, só estando lá para sentir e naquela quarta estava especialmente mais forte esta sensação.

O resto do prédio também transpirava história, por conta dos objetos expostos e dos vídeos apresentados. O único revés se deu quando desci para o piso inferior e dei de cara com Paulo Octávio, o clã dos Kubitschek (do qual ele agora faz parte) e uma claque de companhia que aos poucos foi tomando o lugar do povo comum que ali estava há algumas horas atrás. Era a cerimônia que PO participava no dia, só que sem toda a exposição que ele teria se ainda fosse vice-governador-e-articulador-de-esquema.

Seja como for, meu 21/04/2010 foi melhor do que eu esperava.

E independente de já ter passado o dia 21, a visita ao Memorial é sempre uma boa pedida para quem quer viver (ou reviver) um pouco do que foi os tempos de JK, portanto, quem quiser conhecer pode se informar do horário de visitação e pode tirar o escorpião do bolso, pois a entrada custa R$ 6,00. Sem meia.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Romântico incorrigível


Tentarei ser breve, mesmo porque creio que o assunto não exija muitas palavras.

Tenho andado desanimado com a vida estes dias, por motivos que prefiro não escrever aqui.

Isto não é novidade. Não é a primeira vez e nem vai ser a última que fico assim.

Mas muitas vezes, e talvez nesta última também tenha sido assim, isso vem por frustações. E frustações vêm quando criamos expectativas que não se cumprem.

E aí é que está meu problema. Tenho o hábito de ver e imaginar as coisas de uma maneira muito romantizada, idealizada. É quase como se houvesse um script que define o que é normal de acontecer e o que não é.

Por várias vezes disse a mim mesmo que seria mais racional, menos passional. Que não voltaria a criar mais expectativas quanto às pessoas. Mas não tem jeito, eu não aprendo, eu sou o que escrevi aí em cima no título e, por isso, vivo de me dar mal.

Mas hoje já estou melhor, mais feliz, mais confiante, e escrevi este post pensando em pessoas que às vezes, se sentem assim.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Reflexões sobre Mulheres, TPM, etc.



Comentários? Alguém?

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Viver despenteada


Autora desconhecida

Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie,
por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade…
O mundo é louco, definitivamente louco…
O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o teu rosto enruga.
E o que é realmente bom dessa vida, despenteia…
  • Fazer amor, despenteia;
  • Rir às gargalhadas, despenteia;
  • Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia;
  • Tirar a roupa, despenteia;
  • Beijar à pessoa amada, despenteia;
  • Brincar, despenteia;
  • Cantar até ficar sem ar, despenteia;
  • Dançar até duvidar se foi boa idéia colocar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível…
Então, como sempre, cada vez que nos vejamos
eu vou estar com o cabelo bagunçado…
mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.

É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir

Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável,
toda arrumada por dentro e por fora,
O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:
Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça,
coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria…
e talvez deveria seguir as instruções, mas
quando vão me dar a ordem de ser feliz?
Por acaso não se dão conta que para ficar bonita
eu tenho que me sentir bonita…
A pessoa mais bonita que posso ser!

O único que realmente importa é que ao me olhar no espelho,
veja a mulher que devo ser.
Por isso, minha recomendação a todas as mulheres:

Entregue-se, Coma coisas gostosas, Beije, Abrace,
dance, apaixone-se, relaxe, Viaje, pule,
durma tarde, acorde cedo, Corra,
Voe, Cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável,
Admire a paisagem, aproveite,

e acima de tudo, deixa a vida te despentear!!!!

O pior que pode passar é que, rindo frente ao espelho, você precise se pentear de novo...

Enviado por DJ Lêu (o DJ do forró pé-de-serra em Brasília).

terça-feira, 28 de julho de 2009

O descaso e a perda


Qualquer um sabe: o ser humano não sabe dar valor ao que tem. Até uma máxima já foi cunhada a respeito - Só damos valor às coisas (ou mesmo às pessoas) quando as perdemos. E não é por falta de exemplos, demonstramos isso no nosso dia-a-dia até mais vezes do que imaginamos, é só parar para prestar atenção.

O exemplo mais clássico disso é o de quando morre alguém, seja alguém próximo ou distante. Mãe é que gosta de dar este exemplo quando a contestamos alguma vez ou quando cogitamos sair de casa, principalmente por motivos de desentendimento, e aí tome terrorismo pro lado dos filhos - "Ah, você só vaí valorizar depois que eu morrer e blá, blá, blá...". Mas isto não acontece só com quem está perto da gente, é só você pensar o seguinte,alguém lembrava da existência de Michael Jackson antes do dia 25 do mês passado? Alguém ainda ouvia as músicas dele antes do dia 25 do mês passado? Alguém sabia que Michael tinha um canal no Youtube antes do dia 25 do mês passado? E por aí vai, excetuando aqueles que eram fãs mesmo, pra maioria Michael estava ultrapassado.

Agora vamos passar para o lado do consumismo. Atire a primeira pedra quem nunca ficou dias namorando algum produto visto no shopping num período de vacas magras e quando finalmente comprou acabou encostando a "conquista" num canto. Roupas são as maiores vítimas deste descaso, mas este comportamento já se manifesta desde pequeno - ou será que você já esqueceu daqueles brinquedos que pedíamos ardorosamente no Natal e abandonávamos num canto depois de tanto brincar, ao mesmo tempo que perguntávamos quanto tempo faltava pra chegar nosso aniversário.

Pois é, o aniversário, ou qualquer próxima data pra se ganhar outro presente para substituir aquele do qual já enjoamos, é a data onde passamos a desejar outra coisa, talvez o brinquedo que o vizinho ganhou e que achou mais legal do que aquele que você alugou seus pais um tempão pra comprar. E não é porque crescemos que este comportamento acaba, pelo contrário, quem nunca achou o quintal do(a) vizinho(a) mais florido do que o nosso? Quem nunca achou que o emprego do(a) colega era melhor que o nosso? Quem é que nunca achou a mulher(marido) do próximo mais bonita(o) do que a(o) nossa(o)? É amigos, tudo que é do outro é melhor até que passe a ser nosso, aí fica ruim. É a inveja que cega a gente.


E não é só o concreto que recebe nosso descaso, o abstrato também. Já percebeu que quando alguém chega pra gente dizendo que está a fim acabamos ficando com um pé atrás? Isso acontece por conta de outro defeito do ser humano: minimizar aquilo que ganhamos "sem esforço", "de graça". Todo homem é a fim daquela menina que é a mais bonita (e a mais desejada) do pedaço, mas se acontece de ela começar a "dar bola pro cara" ele logo deixa de dar valor a ela, acha "fácil demais". Agora troquemos a menina bonita por aquela mais comunzinha, aquela que ninguém nota - fatalmente vai acontecer a mesma coisa ("fácil demais"), mas um belo dia um outro cara se interessa por ela e os dois começam a namorar, aí vem aquela sensação de perda com a frase "poxa, até que ela é bonitinha".

Pra finalizar tem aqueles objetos que não conseguimos e, por conta disso, logo diminuímos. Isso te é familiar? Sim, a raposa e as uvas. Se a raposa não consegue alcançá-las logo diz que elas estão verdes, mas se logo depois chega outra raposa e as alcança ela logo esquece o que disse e volta até com mais vontade pra tentar pegar, mesmo que depois ela descubra que uva verde é azeda.

Inveja, orgulho, luixúria, vá lá saber o que conduz este tipo de comportamento, mas que de certa forma é nocivo é.

Tem remédio este tipo de comportamento? Deve ter, não sou psicólogo para solucionar com eficácia este problema, mas posso propor um exercício mental. Quando desejarmos alguma coisa ou alguém façamos um esforço para não cairmos na tentação de visualizarmos um troféu a ser conquistado, ou seja, almejarmos algo apenas por ser difícil conquistá-lo. Vejamos um notebook que porventura estejamos loucos para comprar, tente analisar os pormenores do objeto para minimizar aquela sensação de "não devia ter comprado isso" que vem depois, afinal de contas você realmente anda precisando comprar um notebook ou só quuer comprar porque todo mundo está comprando?

Isso vale também para quando nos, er..., apaixonamos: aquela menina bonita e que se faz de difícil pode acabar virando uma grande furada - vocês podem ter gostos conflitantes que acabem por tornar insuportável um convívio futuro. Mas como em coração na maioria das vezes não se manda, aí já vai passar a ser outra história...

terça-feira, 7 de julho de 2009

E tudo mudou...


Luis Fernando Veríssimo

O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss
O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma

O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace,
megahair, alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM
A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.

A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse
Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service
A tristeza, depressão
O esparguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão
O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado

O long play virou CD
A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis

O álbum de fotos agora é mostrado por email
O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo
O break virou street
O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também
O forró de sanfona ficou electrónico
Fortificante não é mais Biotónico
Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike
Folhetins são novelas de TV

Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato
Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou Fénix

Raul e Renato, Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!
A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...De tudo.
Inclusive de notar essas diferenças.

sábado, 25 de abril de 2009

O Sr. Yamaguchi

Este homem sobreviveu a duas bombas atômicas!

Tsutomu Yamaguchi é um japones que tinha 29 anos em agosto de 1945, último mês da segunda guerra mundial, na qual seu país estava envolvido. O Japão já havia sido invadido pelas tropas americanas e sua rendição já considerada inevitável era questão de dias.

Viajando para tratar de negócios, o Sr. Yamaguchi estava em Hiroshima no dia 6 daquele mês, uma segunda-feira. Mal sabia ele o que ocorreria aquele dia naquela cidade. Eram aproximadamente 8:15 quando o B-29 americano Enola Gay lançou a bomba atômica "Little Boy" sobre a cidade. A bomba explodiu a 600m do solo, mas foi o suficiente para praticamente varrer a cidade do mapa e matar imediatamente perto de 80.000 pessoas e mais 10.000 após por diversas causas.

Maquete de Hiroshima antes

Maquete de Hiroshima depois

O Sr. Yamaguchi não entrou nesta estatística. Sobreviveu é verdade, mas sofreu sérias queimaduras no peito e nas costas e foi medicado em um abrigo antiaéreo. Ainda sem saber o que havia ocorrido pegou um trem no dia seguinte para voltar à cidade onde morava, Nagasaki.

Não se sabe o que o Sr. Yamaguchi estava fazendo na quinta-feira, dia 9. So o que se sabe é que às 11:00 Outro B-29 americano soltou outra bomba atômica (a "Fat Man") sobre uma cidade japonesa, justamente a que este senhor se encontrava. A título de curiosidade, o alvo escolhido era a cidade de Kokura, mas o mau tempo por lá fez a missão mudar o alvo para a segunda cidade da lista.

Foram 40.000 mortos na hora e outros tantos milhares por consequências da explosão.

O que sobrou de Nagasaki

E mais uma vez o Sr. Yamaguchi escapou de entrar na estatística, e olha que nas duas explosões ele estava em um raio de três quilômetros do epicentro.

Hoje ele é um senhor de 93 anos que viu muitos dos sobreviventes da bomba morrerem de cancêr, problemas do fígado e outras sequelas deixadas pela exposição a radiação. Seu filho inclusive, um bebê na época, morreu aos 59 anos. Já este japonês atualmente goza de boa saúde e só se queixa de perda da audição em um dos ouvidos e de fraqueza nas pernas.

O Sr. Yamaguchi já era considerado um hibakusha, nome dado às pessoas que foram afetadas pela radiação das duas bombas, por conta da explosão em Nagasaki. Agora no mês passado o governo o reconheceu como vítima também da bomba em Hiroshima, se tornando o primeiro homem conhecido que sobreviveu a duas bombas atômicas. As pessoas que são reconhecidas como hibakusha tem direito à compensação financeira, atendimento médico gratuito e auxílio funeral, porém o Sr. Yamaguchi não terá seu direito dobrado por ter sobrevivido duas vezes.

Este senhor é um exemplo de como se pode ter azar e sorte ao mesmo tempo. Azar por estar no local de dois ataques de bomba atômica e sorte por ter sobrevivido às duas.

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Veja a matéria publicada no site do jornal Zero Hora.

***



Atualização: Achei esta reportagem que passou no Fantástico:

segunda-feira, 16 de março de 2009

Sobre o dia do consumidor (que foi ontem)

Créditos da imagem: PGR/MPF.

Pois é, foi ontem, dia 15 de março, um domingo, dia em que poucos serviços funcionam.

Mas se foi ontem porque é que estou postando só no dia seguinte? - Perguntarão meus incautos (e por enquanto parcos) leitores.

Simples senhores, porque ,por ironia do destino, no dia de ontem a internet do meu prédio ficou fora do ar para todos os apartamentos me deixando interneticamente isolado do mundo e impossibilitando de escrever o texto que tencionava publicar.

Aliás no momento que escrevi este parágrafo (exatamente às 17:34 do dia 16 de março de 2009 Anno Domini) resolvi ligar em casa para me manter informado acerca da situação e, acreditem, a internet ainda não voltou a funcionar. A notícia que tive é que minha mãe ligou na provedora e a mesma disse já ter enviado um técnico para solucionar a situação, isso aproximadamente às 14:00 logo...

Não é a primeira vez que tenho problemas com serviços de telecomunicações, sendo que os mais próximos do casoatual foram com a Brasil Telecom, empresa da qual utilizava o serviço da BrTurbo e que cancelei para assinar com a provedora atual após um período de 3 dias sem o serviço (sem falar os períodos menores de problemas, mas as quedas eram constantes). Aconteceu o mesmo com o serviço de TV a cabo da Net, com desfecho semelhante.

mas o caso mais grave foi quando duas empresas colocaram meu nome no Serasa sem que eu tivesse solicitado crédito algum. As referidas empresas foram a varejista Ponto Frio e a operadora de telefonia Vivo. Em ambos os casos foram adquiridas linhas telefônicas de celular utilizando meu nome e que ficaram sem pagamento. Obviamente que corri atrás de meus direitos e interpelei as duas empresas na justiça.

No caso do Ponto Frio a mesma se mostrou solícita a resolver minha ação tanto que não tardou paraque a mesma retirasse o meu nome da lista de devedores, mas ao chegar na audiência ficou comprovado que a pessoa que utilizou o meu nome precisou apenas do número do meu CPF para abrir um crédito fraudulento, e eu que sou eu mesmo tenho que apresentar um arsenal de comprovações...

Já a Vivo mostrou um misto de incompetência e má vontade, pra não chegar ao ponto de dizer que foi mau caratismo mesmo. Depois de penar em filas enormes em três lojas diferentes (em uma delas cheguei a ficar 3 horas esperando) minha queixa sequer tinha sido registrada pela empresa, como na primeira tentativa pedi para tirar cópia da reclamação protocolada pela atendente da loja tal atitude sófez complicar a situação dos advogados da operadora na audiência.

Ah, e tentar falar no Call Center de qualquer empresa de telefonia é uma das piores experiências que um ser humano pode enfrentar.

Em ambos os casos obtive ganho de causa e indenização por danos morais, o que fez com que meu saldo de sucessos em reclamações ficasse positivo. Com issome foi permitido colocar este testemunho aqui com o objetivo de mostrar que realmente vale a pena correr atrás de seus direitos quando a razão está do nosso lado.

E o objetivo do 15 de março é justamente este, lembrar a todos da mudança de comportamento promovida pela criação do Código de Defesa do Consumidor, instituído pela lei nº 8078 e que fez com que as pessoas parassem de se ver como vítimas ingênuas em casos como este e passassem a se resguardar de possíveis abusos. Mas acima de tudo isso devemos sempre manter esta luta sempre ativa para inibir práticas abusivas e/ou mal intencionadas e garantir a satisfação com aquilo que adquirimos julgando ser para o nosso bem.

Para ter acesso ao texto da Lei nº 8078 clique aqui.

Paramaiores informações sobre o mesmo visite o site do Procon de seu estado. Para acessar o site do Procon do Distrito Federal clique aqui.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Laboratório ou Manipulação?

Dilbert ©2005 Scott Adams, United Feature Syndicate, Inc. - http://www.dilbert.com

Na última segunda fui ao dermatologista para tratar de um problema que acredito (e pelo jeito que o médico falou continuei achando) que seja de simples solução.

Depois de examinado qual não foi minha surpresa quando o mesmo me passou uma receita de um medicamento de farmácia de manipulação.

O mesmo tem até um nome curioso: ácido nítrico fumegante. E o nome não é nenhuma figura de linguagem, realmente quando se abre o frasco sai uma fumacinha que só os mais letrados em química poderiam me explicar o que ocorre na fórmula. Bom, mas é certo que, pelo pouco que sei dos princípios da física, aquela fumaça é o meu remédio indo embora pela atmosfera.

Mas é engraçada a situação porque geralmente toda vez que vou a um médico o mesmo me receita alguma medicação de laboratório, dessas que você compra em farmácias comuns, e acredito que com muitos que leem este post acontece o mesmo, principalmente quando são atendidos por médicos que não são um dos que a gente procura consultar habitualmente.

Mais. Como eu sei que a indústria farmacêutica ganha rios de dinheiro e seria capaz até de inventar uma nova pandemia só pra poder vender o remédio da sua cura imagino o tamanho do lobby para que médicos receitem algum medicamento específico de uma marca específica como num claro cumprimento de metas comercial. Tive inclusive acesso a alguns relatos de que tal prática seria em troca de participação em congressos, seminários, treinamentos, especializações, compra de consultórios e aparelhamento dos mesmos, etc. Tudo custeado por laboratórios.

Mas são especulações, não tenho como comprovar. Com a palavra as pessoas diretamente ou indiretamente envolvidas na área.

Posso sim dizer que gostei da atitude e da prática (se for mesmo uma) do médico que me atendeu, mas também não sou bobo de achar que entre farmácias de manipulação também não possam ter essas mesmas práticas relacionadas acima. Porém, dadas as proporções econômicas entre as partes, se houver um lobby é infinitamente inferior aos praticados pelas gigantes farmacêuticas afinal de contas, se uma farmácia de manipulação possuir uma rede apenas dentro de uma mesma cidade já é muita coisa.

E no meio dessa briga ainda há as farmácias homeopáticas, cujos remédios ainda carecem (será?) de comprovação científica de sua eficácia, há os que defendem seu uso alegando que os mesmos tem como utilidade estimular o próprio corpo a eliminar o mal que o aflige, por outro lado há os que dizem que tais remédias teriam apenas efeito placebo.

Bom, pela primeira vez o blog entra para debater algum tema e com isso deixarei uma enquete no ar: você dá preferência a qual tipo de medicamento? De laboratório, de manipulação ou homeopático.

Quem quiser colocar seu ponto de vista sobre um ou outro sinta-se livre para fazê-lo nos comentários.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Uma segregação silenciosa

Ceilândia (em destaque o P Sul), Taguatinga e lááááááááááááááá longe a "Capital da Todos os Brasileiros" - foto: Augusto Areal - http://www.infobrasilia.com.br

Brasília sendo capital do Brasil já é um atrativo mais do que suficiente para que famílias de comunidades mais pobres do país se aventurem a tentar uma melhor sorte por aqui, afinal de contas foi com este espírito que gente de todos os cantos atenderam o chamado de Juscelino Kubitsckek para participar da construção de Brasília.

Havia um ideal pregado de que esta seria a cidade mais democrática que já existiu, onde, diziam-se, o motorista moraria no mesmo prédio que o deputado. Não era preciso esperar muito para ver que tal fato muito dificilmente aconteceria, a própria epopéia da construção já mostrava o quanto esta visão era utópica, principalmente para os operários, a quem não restava nada a não ser trabalhar incessantemente para atender um cronograma que demandava pressa nas inaugurações. E quando acabava o expediente aquele povo tinha que voltar para as vilas que ficavam cada vez mais distantes daquele canteiro de obras monumental.

E para aqueles que não conseguiam (ou não permitiam) se assentar em vilas operárias restava construir barracos com sacos de cimento em áreas que o poder vigente classificaria como "invasões". Dezenas delas se proliferaram, umas mais perto, outras mais distantes, inclusive uma dessas mais distantes deu origem à cidade de Taguatinga.

Com o passar dos anos as invasões mais próximas da parte monumental da capital federal foram sendo retiradas. O motivo alegado era o de fornecer melhores condições de vida a essas pessoas, mas a verdade é que aquele aspecto de pobreza, produzido diga-se de passagem pela estrutura de trabalho imposta pela construção daqueles prédios próximos, constrastava com a beleza que aqueles monumentos queriam passar, sem falar que as classes mais abastadas não podiam ter aquela visão enfeiando a vista de suas varandas, mesmo que estes não saibam que indiretamente contribuem para que aquelas famílias estejam naquela situação, de que jeito não vem ao caso colocar aqui pois demandaria uma explicação tão ou mais extensa que este texto.

E desse processo de embelezamento da paisagem da capital surgiram as outras cidades-satélites, cada vez mais afastadas da parte monumental: Gama, Sobradinho, Samambaia, Santa Maria, Recanto das Emas, Paranoá e aquela que carrega a razão de sua existência até hoje em seu nome, Ceilândia, nome originado pela sigla do Centro de Erradicação de Invasões - CEI. O Paranoá também merece destaque pois foi criada como um remanejamento de uma invasão que ocupava uma área próxima ao Lago Sul que possuía uma vista privilegiada do Plano Piloto, ideal para a especulação imobiliária.

Há também a questão do entorno do Distrito Federal. Devido às maiores dificuldades de se instalar no quadrilátero, muitas pessoas acabam por fixar residência em municípios próximos no estado de Goiás, cuja infraestrutura básica e de serviços não acompanhou o crescimento populacional, o que faz com que estas pessoas fiquem até mais dependentes dos serviços básicos, como educação e saúde, existentes em Brasília do que as pessoas que moram nas cidades-satélites.

Até hoje tanto os pioneiros como os migrantes que vieram depois vivem como na música Cidadão cantada por Zé Geraldo, ou pior que isso pois a maneira como a cidade se desenvolveu no que diz respeito à setorização foi para separar bem definidamente os espaços de ricos e pobres. Quatro exemplos deixam isso bem claro:

- Conte nos dedos, quantas linhas de ônibus passam em locais como Pier 21, clubes à beira do Lago, Academia de Tênis, entre outros locais notoriamente frequentados por pessoas que tenham dinheiro para comprar uma carro que chegue até lá;

- O Conjunto Nacional que também já é um exemplo notório: Percebam que a parte sul (a mais próxima da Rodoviária) tem maior concentração de lojas populares enquanto a parte norte tem maior concentração de lojas mais chiques e de grife;

- Há também a resistência da população moradora do Lago Norte à construção de pontes na península. O argumento é a de que tais obras aumentariam a criminalidade, ou seja, na cabeça deles pobreza é sinônimo de criminalidade, sendo que ninguém para pra pensar porque que há essa ligação (preciso dizer?);

- Pra finalizar é comum em hospitais de Brasília a concentração de ambulâncias de cidades do interior de Goiás, Minas Gerais e até da Bahia. Muitos condenam tal prática por considerarem que isso contribui para a superlotação da rede hospitalar, mas estas pessoas por acaso teriam acesso a atendimento semelhante em suas cidades de origem? Aliás isso vale para diversos serviços, tanto públicos como privados.

A melhoria das condições de vida nos bolsões de pobreza criados pelo descaso e pela sanha eleitoral assim como a desconcentração dos postos de trabalho (aqui em Brasília mesmo quase todos os empregos se concentram no Plano Piloto, além do que trabalhar perto da Esplanada traz mais status) resolve muito mais do que simplesmente afastar estas pessoas de nossa convivência como quem varre a sujeira pra debaixo do tapete. Isto demandaria uma mudança de consciência que este texto por si só não é capaz sequer de iniciar. Mas não percamos a ciência de que grandes mudanças se fazem a longo prazo, e cada contribuição feita nesse sentido é um passo que se dá para que alcançemos nossos ideais, que aqui é o da inclusão de todos na sociedade que queremos viver, independente de onde elas nascem ou moram.

***

Atualização: Acerca da temática, recomendo dois filmes dirigidos pelo cineasta Vladmir Carvalho: Conterrâneos Velhos de Guerra, que mostra o surgimento da Ceilândia, relatos de pioneiros de Brasília e a ação da polícia no despejo de invasões; e Brasília Segundo Feldman, que é um apanhado de filmagens feitas pelo americano que dá nome ao filme no ano de 1959, durante a construção de Brasília.

domingo, 1 de março de 2009

Acadêmicos do Salgueiro... Nota 10!


Há muitos anos que não assistia um desfile de escola de samba por inteiro, parte disso é que já com idade para curtir carnaval, seja brincando ou viajando, não me fazia sentido passar os dias de momo com a fuça na frente da TV vendo os outros se divertindo. A outra parte é que acompanho desfiles desde pequeno e vi como o sentido do espetáculo foi completamente desvirtuado, fazendo com que tudo aquilo pra mim tivesse perdido o sentido da coisa.

Pois bem durante os últimos anos parece que se instituiu um padrão de desfile a ser seguido a risca. Até onde eu sei uma escola de samba, sendo uma "escola", deveria ensinar essa arte às pessoas, principalmente às da comunidade onde a escola está inserida, pois foram (e são) elas que construiram (e constroem) aquele patrimônio. E quando entra fevereiro chega a hora de essas pessoas mostrarem o que aprenderam defendendo as cores de sua agremiação mostrando a todos que eles são os melhores no que fazem. Também deveria ser um celeiro para que compositores fizessem músicas que se estenderiam por gerações por suas letras leves e de fácil compreensão pelo povo.

Não vivi os carnavais do passado para ver se algum dia foi assim. pelo menos é o que a minha utopia permite imaginar que seria o cenário ideal. Mas se nunca foi assim com certeza não poderia ser pior do que vemos hoje. Enredos esdrúxulos e vazios (os nomes quilométricos já dizem tudo - coisas do tipo "A grande viagem do imaginário popular atrávés do tempo e do espaço: o maior espetáculo da terra contada pela Unidos do Fundilho de Dentro fazendo o nosso carnaval" (risos)), desfiles que mais parecem uma marcha, sambas que parecem aquelas musiquinhas decoreba de professor de cursinho, pseudocelebridades usando o espaço para se promoverem (às vezes até pagando ou sendo pagas para desfilar), enfim, tudo perdeu a razão de ser, tudo ficou vazio, a alegria e a espontaneidade deu lugar à necessidade da perfeição extrema.

O mais importante deixou de ser o samba e passou a ser a nota 10, mas nota 10 no quê? Será que alguém ainda lembra?

Fiz essa resenha toda porque ná última segunda a chuva precipitou o fim do meu carnaval naquele dia. E chego em casa exatamente quando está começando a transmissão do desfile. Não tive muito ânimo para ver a primeira escola porque se encaixou mais ou menos em tudo que falei aqui anteriomente.

Em seguida entra o Acadêmicos do Salgueiro, que já entrou com os gritos do Setor 1 de "é campeão". Já pensei de cara que em outros carnavais a opinião dos jurados muito raramente batia com o grito do povo no arquibancada. Mas bastou eu ver o carro abre alas pra ver que tinha alguma coisa diferente, algo que não dava pra descrever com palavras. Tudo estava me impressionando: o samba, as alas, o enredo (era simplesmente "tambor", e só), etc. etc. etc.

Trocando em miúdos: O Salgueiro não mostrou um desfile, mostrou samba.

Não podia dar em outra coisa: campeão do Carnaval 2009 com um ponto de vantagem para o segundo colocado. Levou ainda o Estandarte de Ouro do jornal O Globo. Mas mais importante do que isso tudo é o legado que deixa. Só pra exemplificar, o Samba, diferenciado por si só a ponto de parecer uma composição para um sambista e não para uma escola de samba, é tão envolvente que ouso dizer que é melhor que o "Explode Coração" do enredo Peguei um ita no norte de 1993.

Acadêmicos do Salg...

Torço agora para que as outras escolas aprendam a lição mostrada pelo Salgueiro para que se resgate a alma das escolas de samba, que se perderam pelo tempo na ânsia pela vitória.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Comportem-se!


O título é meu e nem sei se ele casa direito com a idéia do verdadeiro autor mas é a impressão que tenho sobre o tema.

O texto a seguir foi publicado na coluna Crônica da Cidade, do Correio Braziliense, assinada por Conceição Freitas. No entanto, as bem-traçadas linhas foram escritas por um leitor. Legítimo folião. Um perfeito desabafo para uma Brasília que anda bem abafada.

Carta de um leitor

"Conceição, hoje finalmente me dei por vencido. Muitas vezes me revoltei com os comentários de pessoas de fora, de membros da minha família de que a cidade se parece com um cemitério, ri quando me chamaram a atenção para o fato de que os cachorros aqui não latem, quando estranharam o fato de tão pouca gente desfrutar das áreas verdes, das crianças não brincarem nas quadras, de haver tão poucos bancos para que as pessoas tomassem conta realmente daquilo que é seu.

Amo esta cidade, amo. Mas hoje percebi que o que amo de verdade é a cidade que ela poderia ser, e não a que é. Não consigo mais separar a genialidade do doutor Lucio Costa e os estonteantes verde e azul dos gramados e do céu, da falta de convivência, da intransigência e da hipocrisia dessa classe média sombria que se assenhora dos espaços públicos como se fossem os quintais da sua casa.

Brasília. A cidade sonhada. Visionária. Planejada. Que teve seu sonho esmagado pelo automovél. Pela mediocridade. Pelo medo infundado. Pela arrogância dos que se acham exclusivos. Cidade que reinventou o termo "sossego", utilizando-o para justificar toda sorte de arbítrio.

O silêncio que antes me encantava, agora me oprime. Depois de uma semana em que fui parado em três blitze num intervalo de 48 horas, em que o Galinho decretou seu próprio fim, em que o prefeito de uma quadra reclamou da vendedora de pamonha e de barulho de bar em tardes de sábado, em que o ego do doutor Niemeyer se arvorou a defender o indefensável, em que vi o pilotis do meu prédio ser cercado por arames de cercas vivas, em que a administradora de Brasília comemorou a vitória da meia dúzia de mal-humorados da 203/204, em que foram propostos os aumentos das tarifas do transporte público tornando-o, disparado, o mais caro do país e provavelmente o mais ineficiente e o que mais desrespeita o cidadão, em que, mais uma vez, fui praticamente expulso de um restaurante à meia-noite porque minha presença e a de qualquer outra pessoa incomoda o sono de algum morto-vivo que habita uma janela próxima em um bloco construído fora das especificações do projeto inicial da cidade, me dou por vencido.

A lua-de-mel acabou. Sim, parece um cemitério triste. Não, não venham pra cá no carnaval. O elevador da torre está quebrado, o parque infantil interditado, a polícia bate em quem ousa brincar o frevo na rua e você vai ter que ir cedo pra casa, porque o lazer tem hora pra acabar, mesmo para os que estão de férias. Vá para outro lugar, e quando eu puder, vou me encontrar com vocês.

Já não tenho mais vontade de envelhecer aqui. Já não acho que aqui seja um bom lugar para as crianças crescerem. Todo esse sol merecia mais sorrisos. Todo esse azul merecia mais alegria. Todo esse verde merecia mais gente, mais som, mais tolerância. Toda essa genialidade urbanística merecia mais bom senso.

Muito triste acabei de comprar minha passagem para o carnaval. Vou pra Recife. Preciso de abraços, risos, suores, sorrisos. E também de gente namorando, vizinho brigando, cachorro latindo de noite, uma eventual madrugada sem hora pra acabar, e qualquer manifestação natural, que não tenha local certo, hora pra começar e acabar determinadas por autoridades. Estou triste. Muito triste. Um abraço. Marcelo. "

***


Assim como o autor deste texto, também estou com passagem comprada para Recife, portanto as postagens no blog ficarão bem irregulares.

Mas nem tudo está perdido, extraí este texto do site da Troça Carnavalesca Mista Suvaco da Asa. O bloco sai todo ano duas semanas antes do carnaval, e este ano sairá do Quiosque da Codorna (Quadra 10 do Cruzeiro Velho) amanhã (07/02) onde se concentrará à partir das 13:00 ao som de muito frevo e cerveja gelada.

Compareça, traga sua alegria e não deixe de aproveitar a cidade nas oportunidades que o povo cria, e não nas que as autoridades determinam.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Amante Profissional - Parte 2


Antes de mais nada quero responder a Sil a pergunta que a mesma me fez quanto a regravação da música Amante profissional. Pelo que eu pesquisei a música foi regravada pela banda Dibob, e me recuso a contar o atentado que o Latino cometeu ao também gravar a música, só espero que ele não tenha tido a audácia de fazer um clipe com ela.

Agora três perguntas valendo pra todo mundo colocar aí nos comentários:

1 - Você que está lendo este texto agora, se lembra quando foi a última vez que você foi a uma loja de discos pra comprar um CD? E se lembra de qual foi?

2 - Qual foi a última vez que você viu algum músico ou conjunto desses mais famosos lançando algum trabalho novo?

3 - Você tem idéia de quantos arquivos em mp3 você tem no total? (incluindo os que estejam em mídias externas como iPods, mp3 players, pen drives, etc.)

Agora vou responder minhas próprias perguntas como se estivesse formulando a mim mesmo.

R1 - Se não me engano foi em Setembro do ano passado, no auge da minha caça às músicas de aberturas de novelas da Globo. O CD em questão foi o da novela Uma Rosa Com Amor, que foi exibida entre 1972 e 1973, e comprei para extrair apenas uma música - a da abertura, claro.

R2 - Acho que a última que vi foi a Vanessa da Mata lançando um CD, mas não me pergunte o nome que eu não vou lembrar mesmo.

R3 - Só a coletânea das músicas de novelas dão quase 300 músicas, com um pouco mais de 400 músicas na minha coleção de "atrocidades" e podemos arredondar para uma 700 arquivos, o equivalente a uns 50 CDs*.

Tudo isso é pra bater numa tecla que deve estar até funda: a indústria fonográfica está entrando em colapso. Não vou ficar aprofundando aqui nos sintomas nem nas causas, mas vou dar umas pinceladas nas consequências de um modo geral.

Todo mundo sabe que um CD já há muito tempo deixou de ter um preço atrativo, some-se a isso o fato de que a tecnologia de reprodução de mídias deixou de ser exclusividade industrial e já está acessível em qualquer PC do mais simples. Então alguém compra o CD original, faz um enesilhão de cópias e vende na rua. O incauto chega em casa, converte todas as músicas para mp3 de modo a poder ouvir também em seu iPod junto com as músicas que ele baixou na Internet via programas de compartilhamento, onde as músicas que você tem também ficam disponíveis para troca e etc. etc. etc.

Mas o principal de tudo, a maioria das músicas baixadas e compartilhadas são coletâneas. As próprias gravadoras já notam isso desde o início da década, é só observar a quantidade de séries que já foram lançadas desde então (focus, millenium, bis, identidade, para sempre, etc.). A chance de ter músicas que você gosta em uma coletânea são infinitamente maiores do que em um trabalho novo, afinal é uma coletânea não é mesmo? E hoje ninguém quer correr riscos de ter a obra encalhada: nem o artista, nem a gravadora e muito menos as lojas.

As lojas, é mesmo, onde é que as lojas foram parar mesmo? No caso de Brasília o sinal vermelho foi acionado quando a Discoteca 2001 fechou as portas, e olha que ela tinha diversas filiais mas num cenário desses quem é que consegue sobreviver? Só a Discodil, que se especializou em CDs remasterizados e - vejam só - coletâneas. Até o cinema percebeu isso, só quer filmar aquilo que é certeza de sucesso, e tome continuações de Indiana Jones, Rocky Balboa, Batman, Super-Homem, Homem-Aranha, marcas já consolidadas e com menos chance de fracassar do que trabalhos novos que são uma incógnita.

Voltando à questão dos riscos, se passa a ser mais jogo lançar coletâneas, paulatinamente as portas para novos trabalhos vão se fechando, e toda aquela efervescência que citei na parte 1 fica só na nostalgia, isso quando não nos acomodamos com o novo modus operandi. Recentemente o jornal Campus da UnB, fez uma reportagem sobre este panorama e os efeitos sobre as rádios, que teoricamente não daria espaço a divulgação de novas bandas. O caso mais emblemático foi o da Clube FM (antiga 105) que respondeu de cara "que só tocava sucesso".

E como se alcança o sucesso se te dizem que só se abre espaço para o que já é sucesso? Talvez tentando identificar a origem desses tais sucessos. A maioria vêm de novelas, elas sempre foram célebres em produzir hits tocando sua "trilha sonora original" dia após dia para o povão ter a sua história favorita embalada pela canção do mocinho. Agora feche todas as outras portas, se já não for assim não demorará para que a entrada em uma trilha sonora acabe se tornando um comércio envolvendo altas cifras.

O ciclo se fecha com os artistas já consagrados no meio de toda essa crise. E o que eles estão fazendo atualmente? Nos shows só se ouve os sucessos das antigas, tudo o que Renato Russo mais temia ("senão fica aquele monte de gente pedindo 'toca Ainda é Cedo!'"), e em "novos" trabalhos o que mais se vê são regravações e mais regravações, a maioria acaba por detonar as gravações originais, mas há as exceções claro, o que não pode é essa exaustão de trabalhos repetidos.

Será que um dia conseguiremos sair desse cenário e promover uma nova revolução de ideias (sem acento agora)?

sábado, 17 de janeiro de 2009

Palavras que tocam



Já prestei aqui ontem as minhas condolências às vítimas do acidente com o ônibus do Brasil de Pelotas, mas somente hoje pude ver a magnitude do ocorrido por meio das reportagens sobre o que ocorreu.

O fato foi bastante mostrado durante todo o dia. Muitas imagens do local onde o ônibus capotou, o resgate aos jogadores e membros da comissão técnica, o velório, a tristeza, o choque, o luto.

Mas as palavras que o ex-presidente do clube Cláudio Montanelli falou em entrevista e que foram ao ar no Jornal Nacional me marcaram de um jeito particularmente diferente:

- Assisti o Cláudio Milar, maior goleador do Brasil (de Pelotas), entrar no Bento Freitas dentro de um caixão! Compreendeu? isso é uma coisa inexplicável. É uma coisa que não se aceita.

Essas palavras pra mim resumiram não só o sentimento que tomou conta de toda Pelotas, mas de todas as pessoas que perdem algum ente querido em tragédias como a de ontem. Mostra também como o destino pode ser cruel em seus acontecimentos pelo quão repentino alguém pode nos deixar já que é uma coisa que nós nunca esperamos e, portanto, nunca estamos preparados para ela.

E isso é porque eram pessoas conhecidas, idolos para aquela cidade, mas quantas pessoas anônimas não passam por um choque tão grande com esse por aí sem nem darmos importância?

Que estas palavras nos façam refletir.

***

Atualização: Em São Paulo aconteceu nova tragédia, o teto da sede da Igreja Renascer em Cristo desabou matando nove pessoas e deixando feridas outras 96.

Novamente o choque toma conta da cidade. Novamente uma frase me chama a atenção, mas desta vez pelo sentido contrário.

O Bispo Estevam e a Bispa Sônia divulgaram uma nota lamentando o ocorrido, declarando solidariedade às vítimas entre outras coisas. Mas arrematam dizendo que deve haver algum propósito de Deus no que aconteceu.

Achei altamente inoportuno esta frase e acho que era a última coisa que os familiares das vítimas, principalmente as fatais, queriam ouvir, além de ficar parecendo que querem se eximir de uma possível responsabilidade ou omissão jogando a culpa em Deus.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009?


Antes de mais nada já deixo bem claro que já passei há muito dessa de desejar a paz mundial, ou qualquer coisa que o valha. Acho que já me dei mal o suficiente pra voltar a fazê-lo, pois a última vez que o fiz nesta época do ano; acreditando que podia fazer planos, desejos e não-sei-o-quê-mais; não deu três meses os EUA invadiram o Iraque (isso pra não entrar no mérito pessoal, do qual não sinto nenhuma saudade do referido ano).

Fazer um balanço do que ocorreu no ano anterior sim vale a pena, dado que é fato consumado. Particularmente acho que este foi um ano de aprendizados como todo bom ano deve ser. Acredito que a vida é uma sequência de aprendizados pois sou adepto de que, assim como o porco que tem que tomar um choque pra ter medo de tomada, só somos verdadeiramente sábios naquilo em que já nos demos mal, só assim polimos nossas escolhas o suficiente para que tenhamos sucesso naquilo que desejamos.

Por que digo isso? Por nada, deixa eu ver: sabe aquele negócio de que azar no jogo, sorte no amor e/ou vice versa? Esquece, pois pelo menos este ano serviu para comprovar que essa "máxima" é uma grande furada.

Mas deixemos o ano acabar em paz e falemos do ano que está para se iniciar. Saibam que não farei planejamentos, e se você é como eu que diz que vai fazer isso, que vai fazer aquilo, que vai fazer aquilo outro e no final das contas só lembra destes planos no dia 31 de dezembro do ano seguinte (e depois da São Silvestre) porque já os tinha jogado na parede da memória desde a segunda quinzena de janeiro é melhor economizar seu tempo preparando rabanada.

Agora definitivamente o mais divertido do dia de hoje é a proliferação de previsões para o ano seguinte. Hoje é o dia mundial de dar trabalho para pais de santo e cartomantes, mas como eles não devem achar ruim o aumento no movimento é melhor deixar quieto. Eu só não quero é que a tal da crise econômica se agrave porque algum megainvestidor apostou numa previsão de lucros feita por algum vidente de fim de ano.

O colunista do Correio Braziliense, Márcio Cotrim, é que é esperto. Ele guarda o máximo de previsões possíveis das que aparecem por aí só pra fazer um comparativo no ano seguinte. No ano que o fiz acompanhei um apurado de previsões feitas no Fantástico, era ano de copa do mundo e a previsão era de que a seleção ficaria nas oitavas, além disso Ayrton Senna estava cotado para ser tetracampeão mundial de F1 folgadamente. O ano era 1994 e a história se encarregou de registrar quem tinha razão.

E acabei de ler uma previsão dizendo que a coisa* vai surpreender na libertadores. ou seja, esse ano promete.

Quem lê pensa que sou um chato pentelho que vai na contramão de tudo que se costuma fazer no fim de ano, mas uma coisa eu não deixo de fazer:

De desejar a todos que o ano que começa seja de muitas felicidades.

*se você não sabe quem é a "coisa", me desculpe mas eu me recuso a dizer o nome daquela desgraça. Mas caso você queira mesmo saber clique aqui.