quinta-feira, 27 de agosto de 2009

30 anos de Anistia

Cartaz que virou o ícone da Campanha Brasileira de Anistia.

No ano de 2009 a lei que anistiou os presos políticos da ditadura militar e permitiu àqueles que estavam exilados que retornassem ao Brasil está completando 30 anos. Este é o típico evento que consegue ser ao mesmo tempo carregado de simbolismo e de polêmica.

Se ela não foi "ampla, geral e irrestrita" como queriam os setores da sociedade engajados na luta pela anistia, para aqueles que praticaram "crimes conexos", diga-se de passagem à serviço do governo (ou do aparelho informal de repressão), foi até mais do que isso. Foi como varrer sujeira pra debaixo do tapete - a sujeira some, mas o calombo no tapete vai ficar lá pra lembrar do tempo de imundície.

Mas nem isso o governo queria que ficasse, o que se queria era que, como por milagre, toda aquela sujeira varrida fosse esquecida, por mais marcas que a mesma tenha deixado, e como deixaram.

Os tais "crimes conexos" foram aqueles err... exageros praticados pelos agentes repressores, por mais que eles na época tenham "somente" torturado, espancado, mutilado, estuprado, violentado, matado, ocultado cadáver, etc., etc. e etc. Se fizeram tudo isso foi em nome da luta contra a subversão e pela manutenção da ordem, então qualquer exceção (entenda-se exceção como eufemismo) cometida era justificável.

Tudo isto lhe parece familiar? Sim, toda esta história se assemelha a uma enorme pizza. É só uma das faces do que foi realmente a ditadura e de como ela emite seus reflexos até hoje.

Lendo vários artigos, textos, reportagens, livros e o escambau sobre este período da História do Brasil dá para resumir tudo da seguinte maneira, no melhor estilo pontepretano (não o time, mas o pseudônimo de Sérgio Porto):
  • A direita reacionária udenista já vinha há no mínimo vinte anos querendo o poder e não conseguia por conta do getulismo e cia., aí como não conseguia vencer no campo das idéias resolveu apelar pra violência;
  • Aí os oligarcas no melhor estilo Sarney, que já eram acostumados a não deixar o povo ter voz desde a época do voto de cabresto, se juntaram com os militares que já são assim por natureza e pronto - estava formada a "redentora", pela volta da ordem e pela moral e os bons costumes e blá, blá, blá;
  • Passaram de 1964 a 1979 dizimando todos os adversários políticos para varrer do mapa qualquer rastro de getulismo, comunismo, qualquer coisa que fosse contrária à doutrina udenis... digo, da Aren... quer dizer, do regime, isso;
  • Depois de terminado o serviço de limpeza resolveram anistiar todo mundo e pediram pra todo mundo esquecer o que aconteceu. Todo mundo ia ser feliz agora que podia votar nos políticos que sobraram e o resto da história a gente vê todo dia lá no Senado;
  • E ai de quem quiser apurar ou julgaro que aconteceu. Isso é coisa de gente que alimenta a discórdia, o revanchismo.
A palavra revanchismo virou um mantra para os militares. A palavrinha mágica que é evocada toda vez que alguém sinaliza com investigações sobre o que ocorreu nos porões da ditadura - na verdade uma tática para que as coisas se arrastem até que não faça mais sentido punir quem quer que seja. O último episódio foi protagonizado pelo ministro da justiça Tarso Genro que disse sabiamente que revanchismo seria defender que "os torturadores fossem torturados". Do outro lado, a AGU se manifestou a favor da anistia para todos, inclusive para os "crimes conexos", com o argumento de que a tortura é um crimes político, e não um crime comum.

Se for assim qualquer um pode sair cometendo violência por aí e dizer depois que o fez porque a vítima era subversiva e queria derrubar o governo. Pronto, tá anistiado.

Independente dessa parte chata, a data deve ser lembrada sim como uma vitória, uma conquista, mais pelo simbolismo do ato do que pelos efeitos práticos. Foi um passo para que pudéssemos ter a liberdade de pensamento e devemos aprender a valorizar aqueles que lutaram para que voltássemos a ser uma democracia, mas sem acomodar diante do que é feito se aproveitando disso.

Fiquem agora com a música que marcou a todos como o hino da anistia.

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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Serenata de Natal - Edição 2009

Serenata de Natal 2008 cantando em uma praça da cidade - ponto máximo das apresentações.

Por Silvana Isabel Francisco Gloor Campos

Em Brasília, quando chega dezembro, um grupo de voluntários visita quadras, hospitais, creches e asilos, levando música e alegria às pessoas. Estudantes da Universidade de Brasília e gente das mais variadas profissões e idades se unem e reservam cerca de três horas semanais, a partir do final de agosto, para ensaios. Eles formam a Serenata de Natal da UnB que, criada em 1981, já é considerada uma das tradições culturais da jovem capital da república. O grupo começou com aproximadamente 20 pessoas cujo objetivo inicial era o de alegrar o Natal dos amigos que, por um motivo ou outro, não podiam viajar para passar o final de ano com seus parentes em outros estados. Com o tempo, o pequeno coro foi ganhando mais adeptos, apoio da Universidade, patrocinadores e uma causa social. A média de participantes, anualmente, é de 200 pessoas, em sua grande maioria leigos em música.

Além de encantar o público nos lugares onde se apresenta, a Serenata alavanca seu trabalho social recebendo doações de alimentos não perecíveis, agasalhos, roupas, calçados, brinquedos, artigos de higiene, produtos de limpeza, fraldas geriátricas, material escolar, etc. Os próprios voluntários do coral doam parte do que é arrecadado, mas a maior parcela dos donativos a Serenata recebe da comunidade: prefeituras de quadras, instituições, órgãos públicos, ONGs, empresas e pessoas encaminham suas doações à Universidade, onde são armazenadas, separadas e preparadas para a distribuição.

Entre Setembro e Dezembro, a Serenata de Natal se apresenta e realiza a entrega dos donativos arrecadados em entidades carentes do DF, e nos dias próximos ao Natal, agradece Brasília com apresentações nas instituições colaboradoras e quadras residenciais.

Essas apresentações são o ponto alto para quem assiste, mas para quem participa, as visitas a doentes, crianças e idosos acabam sendo a parte mais compensadora. Nelas, muitos conhecem, pela primeira vez, uma realidade diferente da que vivem, e sentem a alegria de trocar emoções. Sílvio Salles, biólogo, um dos participantes da Serenata, conta que, algumas vezes, eles levaram mantimentos a creches onde simplesmente não havia mais o que comer naquele dia. O que chegou foi direto para a panela. Os sorrisos e os cânticos de natal, foram direto ao coração…

***

Para quem quiser participar da Edição 2009 da Serenata de natal as incrições estão abertas até o dia 04/09. Os ensaios são realizados na UnB (anfiteatro 4) e acontecem duas vezes por semana nos dias de semana ou nos sábados á tarde. Maiores informações como dias dos ensaios e inscrições podem ser feitas no site http://www.serenatadenatal.org

Participe, cante conosco!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Torcer pra time grande é fácil...

Por Antônio Bordallo (do blog Sport-to-Wear)

Quando vejo hoje que o timezinho da moda é Chelsea, que é blues pra cá, blues pra lá, me lembro que não tem tantas décadas assim, o time era uma coisa meio que relegada à um segundo escalão, que niguém assim escolheria facilmente pra torcer. Na verdade nem eu mesmo achava tanta graça naquele escudo com um leão e CFC… mas agora que entrou capital, grandes contratações e as modinhas de virar torcedor de clube europeu só porque jogou com o mesmo no Winning Eleven ou porque passaram a acompanhar futebol inglês na TV, toda essa paparicação ao clube me fez pensar nos verdadeiros torcedores dele, que aguentavam as gozaçoes dos rivais na época que era apenas um time medíocre de Londres… Bem, esse pessoal criou uma camisa em resposta, e a mesma diz tudo:


(pra quem não entendeu: EU ESTAVA LÁ QUANDO NÓS ERAMOS MERDA!)

Puta resposta, não? Com direito ao escudinho escroto e tudo…

Agora eu tô esperando a hora em que os grandes e leais torcedores do América do Rio vão poder finalmente vestir uma camisa como essa com orgulho…

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Reflexões sobre Mulheres, TPM, etc.



Comentários? Alguém?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Visões de Brasília (V)

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Inferno na torre? Um megapum atômico? Invasão alienígena? Vossas excelências pensando como podem ser honestos?

A explicação real é esta, mas eu tenho outra teoria:



É a marca negra dos Comensais da Morte.

Eu bem que desconfiava.