domingo, 18 de outubro de 2009

Pa, pa, pa, paapeeel...

Não, nenhum desses caras é o Morrissey.

Antes de falar do vencedor da enquete surgiu outro assunto, o que indica que esta será a semana de falar de velharias (ou quem sabe o mês).

Domingo à noite, horário de verão recém iniciado, aquela preguiça anunciando a aproximação da labuta diária, etc. etc. Do nada uma música começa a martelar na minha cabeça sem maiores explicações. Build.

Não tá ligando o nome à pessoa? Por conta disso é que pedi a assesoria do nosso assessor (a redundância é de propósito) para velharias em geral, o Seu Ronca, para obter tanto o vídeo como maiores informações sobre a turminha de nerds que aparece no vídeo aí de baixo: The Housemartins.



Por várias vezes que escutei a música dessa banda metida a The Smiths fiquei pensando que depois iria ao computador para esclarecer o que significa "Pa, pa, pa, paapeeel..." - sim, esta música tem o apelido infame de "melô do papel". O caso é que acabou que nunca fiz isso, já que esquecia de ver isso assim que a música acabava.

Mas desta vez estava em casa e no computador, então não havia nada que me impedisse de finalmente decifrar tamanho enigma, enigma este que só poderia ser resolvido recorrendo à letra da música, método que se mostrou pouco esclarecedor.

Então, já recorrendo a Seu Ronca, que me indicou o caminho das pedras, cheguei a um resultado meio que... digamos... decepcionante.

Imagem meramente ilustrativa.

Nota mental: pegar o dicionário de inglês amanhã e ver qual a pronuncia exata da palavra build.

Quem quiser esclarecer mais curiosidades milenares sobre esta banda e esta música clique aqui.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

50 anos de Fantasia Real


Se há alguém que deve ser homenageado por conta da comemoração do Dia das Crianças, esse alguém deve ser aquele que marcou toda minha infância.

Ou seria aquela.

O que eu sei é que com certeza não foi só a minha, pelo menos umas cinco gerações de crianças foram marcadas pelas histórias e aventuras dessa menina gorducha e enfezada, e também pelas de seus amigos, um que fala elado, um que não é muio chegado a banho e outra que come feito uma draga.

Pra falar a verdade essa saga não começou com este quarteto, começou com um cachorro, um bem estranho, de cor azul. Começou com ele e com seu dono, mas isso já é(são) outra(s) história(s).

E bota histórias nisso, já faz cinquenta anos que acompanhamos as aventuras dessa turma em vários meios: quadrinhos, desenhos, filmes, tirinhas, etc. Aventuras essas que já conquistaram o mundo e já são traduzidas para mais de 40 países.

Minha homenagem hoje é para Maurício de Sousa, o homem que deu vida à Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, Chico Bento, Horácio, Piteco, Tina, Rolo, Astronauta, Bidu, Penadinho, Papa-Capim, Pelezinho, entre tantos outros de um universo que se eu for ficar listando aqui vou levar o dia inteiro, mas que encantam as crianças até hoje. E neste ano de 2009 ele está completando cinquenta anos de carreira.

Neste fim de década o universo mauriciano tem dado grandes saltos, o principal deles é o da Turma da Mônica Jovem, que, por mais que as pessoas venham a mim para criticar, conseguiu atender as expecitativas daqueles que, como eu, eram curiosos para saber como seriam aventuras dos garotos adolescentes, e isso sem perder a magia da turma original - foi só acentuar os conflitos naturais de quem vive esta fase da vida.

Desde pequeno que compro os gibis de toda a turma, hábito que ainda tenho algumas vezes. provavelmente pode ter sido o primeiro contato de muita gente com as letras. espero inclusive que meus filhos também se iniciem com as historinhas da Mônica, historinhas que alimentam também o companheirismo e a fantasia da petizada.

Meus desejos de que Maurício, que irá completar 74 anos no próximo dia 27, ainda possa levar a turminha para cada vez mais longe, para alcançar cada vez mais crianças do mundo inteiro.


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Rock'n Roll Doctor

Ilustrações (geniais) do colega Pablo Gomes.

Jimi Hendrix

Ozzy Osbourne

Gene Simmons

Para conhecer mais do seu trabalho clique aqui.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O Santinha e a resistência

Foto: Inácio França

Por Alexandre Gois de Victor, Advogado

O produto do coração de três cores de Capiba, nascido Lourenço da Fonseca Barbosa, aparece em coro uníssono masculino e, sobretudo, bem afinado. São vozes de timbre grave, que entoam numa crescente o já tantas vezes bradado: "Santa Cruz, Santa Cruz, junta mais essa vitóooria, Santa Cruz, Santa Cruz, ao teu passado de glória. És o querido do povo o terror do Nordeeeeeste(...)"

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A grandeza do compositor e o tom guerreiro do hino, tomado por adoção pelos tricolores, apareceu-me no último sábado. Deitado no sofá de casa, lendo Antônio Maria, ouvi o que mais parecia ser um trio elétrico. Era volume para ninguém botar defeito. Olhei de lado e vi pela janela um camarada percorrendo o calçadão da Avenida Boa Viagem empurrando uma carrocinha, tipo daquelas de raspa-raspa. Para não fugir muito à nomenclatura de seu ofício, o cabelo do sujeito era raspado nas duas laterais da cabeça. Era aquele penteado à la moicano, com a diferença de que a parte da frente do cabelo era preta, no meio descolorida (o que de longe dava a ideia de ser branca) e, a de trás, vermelha. Camisa e short, obviamente, padronizados. Semblante fechado como quem vai para a guerra. Se duvidar, os dentes deveriam trazer consigo as três cores de sua bandeira. A carrocinha era um viveiro de entulho, pinturas e adesivos, todos tricolores, o que parecia deixar transparecer um sonho do futuro sonhado por Andy Warhol.

Não bastasse a cena, de metro em metro, no momento em que o coro, repetida e reiteradamente executado, exaltava o nome do seu time, o camarada estendia o braço direito com o punho fechado e baixava um pouco a cabeça como quem faz um gesto de reverência a uma entidade superior.

Além desse gesto do punho, vi que se tratava de um rapaz negro e, também por isso, lembrei-me, de imediato, dos Panteras Negras Tommie Smith e John Carlos, que foram banidos das Olimpíadas da Cidade do México por conta da saudação black power que fizeram no momento de premiação daquele evento. E assim o gesto de resistência ficou cravado na história.

O nosso emblemático vendedor de raspa-raspa é, de certa forma, o símbolo da resistência do Santinha. Penso que esse exercício continuado e coletivo de resistência e abnegação dos tricolores será lembrado um dia. Num dia em que o clube voltar às disputas de elite e às conquistas, em momentos opostos ao calvário e a via crucis que vive. Aí quem sabe o vendedor de raspa-raspa feliz feito pinto no lixo, mesmo sem esquecer o passado de dificuldade, abra o sorriso para que possamos, assim, ver o preto e o vermelho pintados de forma alternada entre os seus dentes.

Ah, sim... antes que os "amigos" destilem seu veneno acusando-me de defender time alheio deixem-me fazer uma consideração final. Não sou torcedor do Santinha, tampouco vou sê-lo, só não lhe quero mal. Na verdade, em matéria de futebol, só torço em duas situações e para times diferentes. O Náutico, sempre, e contra a coisa (também conhecida como Sport) eternamente.

Texto publicado no Diário de Pernambuco do dia 28 de setembro de 2009.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Não vai ser aqui


Agora que os ânimos midiáticos se arrefeceram com relação à escolha do Rio de Janeiro para ser a sede das Olimpíadas de 2016 acho que posso escrever alguma coisa sobre o fato. Ainda quero conhecer melhor o projeto de preparação para as olimpíadas só para ver onde entrarão os projetos de infraestrutura.

Mas uma coisa salta os olhos e muita gente já passa a se perguntar, por que esta insistência em que a sede de todo e qualquer evento deste porte seja obrigatoriamente no Rio de Janeiro? É um dado até interessante para uma candidatura que usou como argumento o ineditismo de uma olimpíada na América do Sul mas que nega o ineditismo de qualquer coisa para o resto do país.

Olhem os EUA: segundo os brasileiros que estavam em Copenhague aquele país já havia sediado olimpíadas demais (foram quatro vezes), porém as mesmas foram em Saint Louis, Atlanta e duas vezes em Los Angeles, já no Brasil se houvesse dez oportunidades de sermos sede, nas dez ela seria no Rio. Há concentrações semelhantes - Londres vai sediar o evento pela terceira vez em 2012, porém compare o tamanho do Reino Unido com o do Brasil - o certo seria comparar com países com dimensões e diversidade semelhantes a nossa como os próprios EUA e a Espanha, que levaram a candidatura de Chicago e Madri, lugares que nunca receberam jogos deste porte.

Não sei se esta poderia ser uma explicação para tamanha concentração, mas toda a estrutura esportiva brasileira se concentra no Rio de Janeiro, independente do esporte. Só para tomar os dois esportes mais populares do Brasil, o vôlei construiu seu centro de treinamento... no Rio. O futebol está construindo sua nova sede e seu novo centro de treinamento... no Rio. A única exceção que conheço é a Ginástica Artística que tem centro de treinamento em Aracaju. Quem tiver maiores informações sobre outros exemplos de concentração (ou exceções) pode colocar nos comentários.

Outra pergunta que se faz é: O COB se faz presente em algum outro estado que não seja no Rio de Janeiro? O COB promove alguma coisa, qualquer que seja, fora do Rio de Janeiro? Há desenvolvimento de atletas olímpicos fora do Rio de Janeiro? Sim, pode-se dizer que há em São Paulo (a cidade, bem mais que o estado), mas fora isso pode até ter alguma coisa mas alguém ouve falar?

Depois reclamam que um país deste tamanho ganhe poucas medalhas em olimpíada, se formos parar pra pensar, ganha o proporcional ao tamanho do território onde acontece essa concentração, ou seja, do Rio e de São Paulo (as cidades, não os estados).

Se querem deixar mesmo um legado para o Brasil (e não só para o Rio) o maior de todos seria usar os jogos para promover atividades esportivas e garimpar valores em todos os pontos do Brasil, desenvolvendo estrutura desportiva suficiente para que isto aconteça. Ganhamos uma oportunidade única e não podemos desperdiçá-la como foi feito no Pan, que por falar nisso, pareceu que foi realizado muito mais para dizer que o Rio podia receber uma olimpíada do que para promover o esporte no país. Mas ao que tudo indica mais uma vez o egoísmo vai prevalecer em pindorama e a Olimpíada será usada pra transformar o Rio em sala de estar para turistas, escondendo o resto da cozinha e da área de serviço, leia-se o resto do Brasil (menos São Paulo, esse pode ficar como escritório).