segunda-feira, 13 de abril de 2009

Quatro casas na Vieira Souto - Parte 2

O cartão preferido do Daniel Dantas.

Como prova da minha máxima de que tudo que o dinheiro toca vira merda, no primeiro texto dessa série falei como a sanha mercadológica das empresas de brinquedos, já abalada pela concorrência com a indústria eletrônica, conseguiu piorar um panorama que já não estava indo bem: a venda de jogos de tabuleiro.

É só vermos o exemplo mais clássico de todos que é o futebol, que possui regras simples e que foram puquíssimas vezes inalteradas ao longo dos anos e é o esporte mais popular do planeta, enquanto outras modalidades se perdem em mudanças e mais mudanças que confundem os fãs. Até a máxima que retrata isso parece retirada do futebol - em time que está ganhando não se mexe.

Ignoraram completamente isso e o Banco Imobiliário, bem como outros jogos tradicionais, se perdeu em mudanças de regras e versões cada vez mais esdrúxulas.

Pra começar a Estrela que perdeu os direitos do Monopoly ainda fabrica o BI, mas teve que fazer uma leve modificada nas regras e no visual do jogo. Levando em consideração apenas as versões Standard, as principais mudanças ocorreram nos nomes das ruas, que promoveu o que seria um absurdo para a Globo: passar a abranger cidades de todo o Brasil e não só do Rio e de São Paulo como era antes, ou seja, agora é possível comprar casas na Av. Navegantes (Florianópolis), na Av. Recife (Recife) ou até mesmo na Praça dos Três Poderes(!) (Brasília). Além disso as casas agora podem ser empilhadas umas nas outras para formar um edifício e foi promovida uma inflação para Sarney nenhum botar defeito: as notas agora são de 1.000, 5.000, 10.000 e respectivamente até 500.000. A Justificativa dada pela Estrela é a de fazer com que o BI esteja mais próximo da realidade.

Mas se o negócio é se aproximar da realidade, o nome Banco Imobiliário está bem longe dele. Isso se fosse levada em conta a proposta original do Monopoly que, como o nome diz, é construir monopólios e não estritamente loteamentos. Além disos há outras diferenças sutis que podem soar estranho para o brasileiro, como os peões com formatos diferentes uns dos outros (e que parecem totalmente sem noção) e dois tipos de cartas de eventos contra apenas um tipo do BI - o tradicional sorte-revés.

Olhando por este lado a intenção da Hasbro em trazer o original americano para o Brasil pode parecer louvável do ponto de vista lógico. Mas o BI é fabbricado pela Estrela desde a década de 40, então como acostumar um povo a jogar um jogo com regras diferentes? É como pegar jogadores de tênis e colocá-los para jogar badmington.

Alterações à parte, a máxima do primeiro parágrafo se confirma quando vemos a proliferação de versões do Monopoly (Ou do BI, que ninguém é santo), criando o que podemos chamar de Monoxploitation. Neste contexto podemos dividir as versões entre variantes úteis e mero oportunismo. A onda começou quando o jogo ainda estava sob monopólio (com trocadilho, por favor) da Estrela e se iniciou com versões da Disney, Disney-Pixar e Bob Esponja, como foi mostrado no texto anterior. Com a entrada do jogo da Hasbro essas versões passaram para a tutela da empresa americana, que criou novas versões com a dos Simpsons, ou seja, focando em personagens ianques.

Já a Estrela que foi a introdutora da prática no Brasil - havia iniciado criando uma versão "de luxo" para o BI - teve que se adaptar ao resgate dos direitos do jogo feito pela Hasbro, e criou uma versão da brasileiríssima Turma da Mônica, com o mesmo estilo seguido pela concorrente: em vez das tradicionais ruas, locais que remetem às historinhas como Casa da Mônica, Tumba do Penadinho, Caverna do Piteco e por aí vai, sem falar que as cartas de sorte-revés viraram cartas sulplesa.

Agora se no Brasil esta ainda é uma prática incipiente, la nos Estados unidos já passou do limite do abuso. Há versões do Banco (ops. Monopoly) pra tudo quanto é tipo de Série ou coisa famosa (como Star Trek, Star Wars, Seinfeld, Beatles, Nintendo, Senhor dos Anéis, etc.) ou público (tem versão pra fãs de fotografias e animais como gatos, cachorros e até cavalos). Alguns são versões oficiais, outras são criações de fãs do jogo.

Versão do Monopoly para amantes de Gato

Mas nem tudo é inútil, entre versões bizarras há quem bole inovações interessantes. A que chama mais atenção por aí é curiosamente uma negação a tudo que o Monopoly representa. É o Anti-Monopoly, considerado o BI para comunistas. Obviamente diferente do original, o jogo é dividido entre dois tipos de jogadores: “Competitors” (competidores) e “Monopolists” (monopolistas), os primeiros basicamente cobram preços razoáveis no aluguel enquanto os outros cobram preços exorbitantes entre outras práticas, tendo cada lado as mesmas chances de vitória. A Parker Brothers obviamente exigiu o fim da comercialização do jogo, num processo que se arrastou por 10 anos e resultou em 40.000 unidades do jogo enterradas num lixão. Porém duas cortes já deram ganho de causa favorável ao Anti-Monopoly, o que o mantém disponível para venda.

Anti-Monopoly: Salve o seu filho de virar um capitalista selvagem.

Há também inovações "oficiais". A principal delas feita pela Hasbro consiste em uma versão que abole o dinheiro substituindo-o pelo cartão de crédito, que faz tudo que as cédulas faziam no jogo com relação a pagamentos mas com direito até a leitora de cartão inclusa. Também existe uma versão em 3-D criada por outra fábrica, a Reveal, mas o 3-D em questão é uma espécie de tabuleiro 3X1 que possui três níveis de dificuldade, um dentro do outro no tabuleiro.

Monopoly sem dinheiro, só aceita cartão.

Na Terra de Pindorama, o BI ainda não inovou tanto, a Estrela limitou-se a criar versões do jogo com alterações no nome das ruas. Em uma versão por exemplo, as casas são monumentos como o Cristo Redentor, o Memorial às Bandeiras, o Laçador e as Cataratas do Iguaçu, tornando real a possibilidade que tudo quanto é golpista já deu vendendo por exemplo a Ponte Rio-Niterói. Mas há uma versão que está para ser lançada que quer levar o jogo pro lado do políticamente correto: o BI sustentável, que deve estar nas lojas em breve.

Até a caixa é verde, como não poderia deixar de ser.

Já o tradicional Banco Imobiliário Júnior mantém a mesma concepção na Estrela (uma versão com menos ruas). Já a Hasbro cometeu um Monopoly Júnior em que as ruas dão lugar a atrações de um parque de diversões(!), um convite á petizada a ir para o computador jogar Roller Coaster Tycoon.

Sem comentários.

Enfim, as inovações são muito bem vindas e espero que elas estejam disponíveis o mais breve possível no Brasil. Já as versões... essas deveriam ter sido enterradas no lugar do Anti-Monopoly, se bem que a versão da Turma da Mônica até que ficou engraçadinha.

Fonte das informações e imagens: Blog de Brinquedo.

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