sexta-feira, 30 de abril de 2010

Reunião de condomínio


Terça passada, ao chegar em casa, percebi o hall de entrada do prédio mais iluminado - a senha para que se soubesse que ali houve uma reunião de condomínio. Depois que me toquei que pela época (fim de abril de um ano par) se deduz que aconteceu uma eleição para o novo síndico.

Movido pela curiosidade por mudanças indaguei à minha mãe sobre a reunião. Para minha surpresa ela diz que o quórum foi baixíssimo mesmo sendo dia de eleição e que só teve uma candidata: a síndica atual, que vai para o seu quarto mandato e se tornando a sídica com mais tempo no cargo em toda a história do prédio.

Pode parecer estranho mas o meu prédio, talvez por conta de suas proporçoes - 297 apartamentos - há um histórico de boa, pra não dizer grande, participação dos moradores na vida, digamos, "política"do condomínio. Inclusive estas reuniões e eleiçoes de síndico já renderam muitas histórias para ver que hoje ninguém mais está interessado em participar da gestão do edifício.

Ser síndico inclusive era uma questão de "status", e até mesmo por causa disso já rolou confusão na hora de escolher o candidato vencedor, assim como há relatos de pessoas mal-intencionadas que ocuparam o cargo para levar algum "por fora". Em 1992, por exemplo, me lembro que houve até briga, outros disseram depois (e isso se falou por décadas) que até tiro rolou no meio da discussão. Bom, nunca vi marcas de balas na parede, só sei que o vizinho da frente acabou levando o cargo pelo biênio seguinte, e até onde eu sei ele não iniciou o mandato no hospital.

Sua sucessora foi a síndica Marli. Vencedora de uma eleição em que houve inéditos quatro candidatos, ela ficou conhecida entre nós que vivemos a infância e a adolescência no edíficio como aquela que acabou com os espaços de convivência e lazer dentro do prédio, tudo em nome da paz e do silêncio - sem crianças gritando ou fazendo estardalhaço. Por conta disso muitos de minha geração se renderam à ociosidade e ao sedentarismo, trazendo também a desagregação dos laços de amizade entre os moradores que ficavam cada vez mais entocados em seus apartamentos sem contato com o mundo exterior.

Talvez este tenha sido o ponto de partida para que aos poucos a participação fosse minguando nas reuniões. Telvez tenha havido outras cousas, talvez as causas tenham sido outras. Não cabe a mim tentar decifrar mesmo porque essas são histórias que podem render outros textos.

Agora iremos para mais um novo biênio sem grandes mudanças ou novidades, tão aguardadas a cada novo síndico que tomava posse. E com isso o bom e velho Edifício Rio de Janeiro vai ficando cada vez mais com a cara dessas pessoas de hoje em dia que não se dá bom dia pro vizinho, se é que essas pessoas sabem quem são os seus vizinhos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Histórias curiosas do passado de Brasília

Rua virou garage na Asa Norte (Correio Braziliense - 13/01/1975)


A história de hoje eu achei no bem servido blog do Marcelo Almirante. Para quem se interessa por veículos antigos, principalmente ônibus, ou se interessa pela história de Brasília o blog tem um acervo que bem retrata a evolução do transporte na capital federal.
"Um espetáculo deprimente e um exemplo acabrunhador está dando a TCB ao transformar a rua da interquadra 410-411 em garagem de ônibus e páteo de estacionamento dos seus veículos".
Todos lembram que, não faz muito tempo, a Asa Norte ainda possuía diversos espaços abertos ainda não ocupados por superquadras. Imagine um quadro destes então há 35 anos atrás, numa época que ainda era evidente o crescimento "destro" de Brasília resumido em superquadras inexistentes. Por conta disso era comum que os ônibus cortassem caminho para não ter que andar inutilmente até um fim de Asa Norte que nada havia ainda, quanto mais passageiros para buscar. Como consequência os motoristas da linha L2-W3 Norte (hoje linha 115) resolveram fazer da entrequadra da comercial 410/411 Norte o seu terminal e ponto de apoio. Literalmente.

Num enredo bem "a la Maiakovski" começaram, como relata o recorte acima, com dois ou três ônibus da referida linha que paravam para descanso do motoristas, depois a TCB chegou e instalou um escritório para os fiscais, por fim a entrequadra virou estacionamento para os ônibus em períodos ociosos tal qual acontece hoje com o estacionamento do Mané Garrincha. E se hoje em dia é difícil imaginar ônibus de linha trafegando e pegando passageiros nas comerciais do Plano imagine naquela época em que, a despeito de não haver o trânsito caótico dos dias atuais, os monoblocos que rodavam eram infinitamente mais barulhentos e poluidores do que os veículos modernos. Pronto, está formado o cenário caótico relatado na reportagem do recorte do Correio Braziliense de 13/01/1975, relato este feito de maneira bem curiosa para os padrões atuais.
"Enquanto os 'donos' dos ônibus tomavam água e café e batiam aquele papo, os passageiros ficavam esperando dentro do ônibus que era estacionado junto à mercearia".
Imagine toda aquela muvuca de ônibus da Rodoviária bem aí pertinho da sua casa, com o agravante de que o causador é pertencente ao GDF e conta com a complacência indireta do mesmo (por meio do escritório do despachante instalado na quadra). Inclusive é interessante notar como naquela época a figura do governador parecia mais próxima e alcançável do que hoje em dia, tanto que as reportagens possuiam um tom incisivo de reclamação como se fossem uma carta direcionada diretamente ao mesmo.

As consequências? Tem uma foto ali que o ônibus posa com uns três tambores de óleo, e pelo estado de conservação do mesmo você deve imaginar como é ser vizinho de ônibus soltando óleo e fumaça e ocupando as vagas que deveriam ser para os clientes do comércio local. Isso sem falar em outros riscos como os relatados aqui:
"Também os pedestres foram prejudicados, pois correm o risco de serem atropelados pelos ônibus que fazem manobras em plena rua sem se preocupar com as consequências."
E os motoristas e cobradores? Gaiatos e galanteadores que só eles até hoje, é comum eles segurarem moças bonitas na roleta para elas irem na frente sem pagar, assim como os motoristas de van as colocavam nos bancos da frente para desfrutar de suas companhias. Tanta fama não existe à toa e, por isso, o CB da época nos brinda com este trecho:
"A presença dos ônibus (...) trouxe um outro inconveniente: cobradores, motoristas e fiscais , em grande número, passam horas a fio batendo papo nas calçadas e dirigindo gracejos às senhoras que passam por lá. Este fato provocou, inclusive, reações de dois moradores da superquadra 410 que responderam à altura, quando suas esposas foram molestadas pelos funcionários da TCB".
Lendo assim a celeuma me parece sem solução já que quem provoca a confusão é um agente público. Em conversa com minha chefe que mora aqui em Brasília há mais de 40 anos ela me disse que situações como essa não raro acabava com o povo fazendo fogueira de ônibus, e como o mesmo é que é o causador do problema não deve ter sido difícil para alguém ter tido esta idéia, com a palavra aqueles que viveram naquela época.

Hoje o cenário da polêmica já está completamente preenchido pelos blocos que lhe cabiam ocupar, e a área onde os ônibus encostavam na entrequadra hoje é ocupado por um prédio de kitinetes. E não há nada no lugar que faça lembrar que um dia houve tal polêmica.

Mas e se fosse nos dias atuais? Como os cidadãos que habitam a região atualmente reagiriam caso tal confusão acontecesse novamente? Passividade? Radicalização? Diplomacia? A questão está aberta.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Postagem tardia e convocatória

Encontro de titãs: José Emanoel, Marcelo Porrada e Fábio Barbachan

Publicado originalmente no Blog do Santinha.

George me liga no início da tarde e fala: "Acabei de falar com Samarone no telefone e ele disse para vocês tirarem um monte de fotos, vídeos e o escambau, também é pra levar um bloquinho de anotações para registrar os lances da viagem".

George para quem não sabe é o Analista DF que vez ou outra comenta aqui. Ele já havia pago seu lugar para ir na nossa caravana para Goiânia, mas desistiu alegando outros compromissos logo cedo pela manhã (como se houvesse compromisso mais importante do que o Mais Querido jogando a um alcance tão perto de nós exilados).

E onde danado que eu ia achar tempo para ficar anotando as coisas num jogo tenso como foi o de ontem, ainda mais considerando todos os percalços pelos quais passamos? Eu mal tive tempo para registrar nossa epopeia em fotos...

Começou que fizemos um desvio alternativo para pegarmos alguns passageiros. E para nossa surpresa nos vimos completamente presos num engarrafamento incomum - houve um acidente na Via Estrutural que bloqueou todas as faixas da pista. Na hora estavamos em cima de um viaduto, descemos eu e o André Cintra e saímos abrindo passagem pelos carros até que conseguimos entrar no trevo depois de meia hora parado, fora o tempo gasto no trânsito lento. Por conta disso só conseguimos pegar o coitado do Romero (Coral DF) às 18:45 e acabamos chegando no estádio com 20 do primeiro tempo (e não 30 como o exagerado do Marco André colocou aqui).

Do jogo o que posso dizer já foi dito por Eduardo Moura, primeiro tempo de equilíbrio, mas está nítido que melhorar, e muito, a preparação física do time. Brasão além de viver sua sina de mil impedimentos parecia jogar sem vontade: ou estava morto ou de saco cheio. O zaga não foi tão horrorosa quanto dizem, salvou cada jogada de perigo que eu vou te contar. Alguns no estádio afirmavam que esta dupla é que tinha que ser mantida. Vejo por outro lado, pois o esquema montado por Dado não permite fazer grandes avaliações individuais, afinal ele pode ter mudado a escalação ontem por dois motivos: ou queria jogar nos erros do Atlético (em alguns momentos deu certo) ou queria diluir as deficiências do setor defensivo - foi depois que o time voltou a ser mais ofensivo que surgiram os gols do adversário, todos originados em jogadas de contra-ataque, incluindo a falta que deu origem ao primeiro gol.

Falaram também que a edição dos lances foi tendenciosa. Pois eu digo, foi e muito, principalmente dos lances do segundo tempo onde os dois personagens principais foram os dois guarda metas. Teve pelo menos uns quatro lances de perigo contra a meta goianiense que a Globo simplesmente ignorou. Precisamos manter Tuti e Leandro Cardoso, e arranjar um companheiro de zaga para colocar Luiz Eduardo no banco, além de um lateral-esquerdo. Por fim, Dedé deveria entrar no clássico, mas no lugar de Jackson.

Show mesmo pra variar foi na parte da arquibancada designada aos representantes da torcida coral. Mutas vezes puxamos o Tri-Tricolor entre outros cânticos de exaltação ao Santa (e não a alguma torcida). mas também havia aqueles que pareciam emergir das sociais, um deles inclusive era a cara de Naná. Entre as pérolas que a figura soltou, em uma gravata recebida por Goiano ele solta: "Larga esse macho que ele já é casado".

Além de nossa caravana teve mais gente que veio por conta própria de Brasília - pegamos até dois corais que estavam a pé a caminho do estádio. Elenildo foi o encarregado de fazer o censo daqueles que ainda não tínhamos contato, mas parece que tricolores de Goiânia eram poucos. Dois destaques: primeiro para um grupo que veio de Uberlândia prestigiar o Mais Querido, ou seja, viajou bem mais do que a gente; segundo o encontro inédito de lendas da tricoloridade em terras candangas - Emanoel, Marcelo Porrada e Fábio Barbachan.

A torcida deu show apesar de não ter trazido a classificação. É uma triste rotina mas que não pode deixar de ser registrada pois este apoio que nunca cessa vai ser fundamental para a conquista do bodão, resta aos jogadores reacenderem a chama da vontade que brotou naqueles jogos memoráveis de poucos dias atrás, afinal a vitória contra o Botafogo foi há menos de um mês.

Em tempo, não levei bloquinho, escrevi tudo baseado apenas nas boas lembranças e nas amizades formadas nesta aventura. E lembrar que a Planalto Coral surgiu quando houve a possibilidade de o Santa jogar contra o Goiás nesta mesma Copa do Brasil e precisávamos nos mobilizar para uma possível viagem. Dois anos depois finalmente pudemos concretizar este feito.

Am grande agradecimento especial a todos que nos acompanharam na caravana e contribuiram para que ela, apesar de tudo que aconteceu, fosse bem sucedida. Espero que logo estejamos juntos novamente comemorando as vitórias do Terror do Nordeste.

Visões de Brasília (VIII) - Visita ao fundador


Bom, já dei aqui neste espaço os meus parabéns por mais uma tentativa da classe política de Brasília de engambelar a população. Agora é torcer para que esta dê uma mostra de maturidade nas urnas.

Mas o dia 21 de abril de 2010 ficará marcado como o aniversário em que Brasília foi mais Brasília em sua celebração. Somente o povo que a constrói a cada dia esteve presente nas festividades, confirmando que pelo menos para isso toda a crise institucional que a cidade viveu nos últimos meses serviu, para que ninguém se utilizasse da data para tantar colher dividendos políticos, como Arruda e Paulo Octávio pretendiam fazer. Não rolou, quer dizer, quase rolou.

Vou dizer o que presenciei, ou seja, não posso fazer um panorama detalhado. Como brasiliense que se preze fui pra Esplanada coalhada de gente. As mesmas atrações de sempre, e acho que a única coisa diferente que rolou foi a Parada Disney que eu mesmo não fiz questão de ver pois não me empolgou nem um pouco, além de não ter nada a ver com a ocasião. Fui foi torrar no solzão do vôlei de praia, que po falar nisso está bem disputado pelo que eu andei vendo, a disputa das finais é uma boa pedida pro fim de semana.

Porém tempo demais no sol acabou me deixando com um princípio de insolação e fui pro almoço meio molenga, decidido a voltar pra casa e encerrar meu feriado. Porém no caminho (estava com minha colega, a Cris) decidimos dar uma passada no Memorial JK acreditando que a coasião proporcionaria uma viagem inesquecível. Estava certo.

Para minha surpresa, muita gente teve a mesma idéia, incluindo aí muitos estrangeiros ávidos para conhecerem a epopéia candanga.

Para mim sempre que entro no memorial a parte mais marcanté é quando me deparo com este vão central no piso superior onde está a lápide preta escrito "O FUNDADOR". Aquele espaço tem uma aura que é difícil de descrever, só estando lá para sentir e naquela quarta estava especialmente mais forte esta sensação.

O resto do prédio também transpirava história, por conta dos objetos expostos e dos vídeos apresentados. O único revés se deu quando desci para o piso inferior e dei de cara com Paulo Octávio, o clã dos Kubitschek (do qual ele agora faz parte) e uma claque de companhia que aos poucos foi tomando o lugar do povo comum que ali estava há algumas horas atrás. Era a cerimônia que PO participava no dia, só que sem toda a exposição que ele teria se ainda fosse vice-governador-e-articulador-de-esquema.

Seja como for, meu 21/04/2010 foi melhor do que eu esperava.

E independente de já ter passado o dia 21, a visita ao Memorial é sempre uma boa pedida para quem quer viver (ou reviver) um pouco do que foi os tempos de JK, portanto, quem quiser conhecer pode se informar do horário de visitação e pode tirar o escorpião do bolso, pois a entrada custa R$ 6,00. Sem meia.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

"Parabéns" Brasília

Foto: Gilberto Abelha/Jornal de Londrina

Felicidades ao brasiliense. Faltando dois dias para a grandissíssima (nem tão grandissíssima assim, diria aguardadíssima) comemoração do cinquentenário da inauguração oficial de Brasília você ganhou de presente da "egrégia" Camara Legislativa o título de cidadão idiota.

Ao digníssimo Supremo Tribunal Federal, está devidamente reservado igual honraria caso não decrete o mais rápido possível intervenção federal na capital federal, completamente contaminada pelo esquema montado pela cambada de Roriz e Arruda e que pelo andar da carruagem até o PT quer fazer parte.

O presente de grego oferecido ao povo pelo arremedo de legislativo que existe em Brasília tem nome e sobrenome: Rogério Rosso. Novo governador quebra-galho a assumir os esquemas de propina deixados por Arruda. Sim, isso mesmo, esquemas, pois só isto explica a lista de "eleitores" do peemedebista.

Desde sábado quando acompanhei as primeiras notícias das negociatas para escolher o novo "Capo" tive uma sucessão de sentimentos variados: primeiro o nojo do leilão de votos, depois a surpresa pelo resultado, a revolta quando foi divulgada no dia seguinte a lista dos votantes e seus respectivos votos e decepção ao saber como se deu a vitória de Rosso.

Ricardo Noblat já ilustrou bem o perfil dos eleitores que votaram sábado passado no vencedor do pleito. A eleitora mais célebre é Eurides Brito, única das estrelas dos filmes de Durval que ainda dá o ar da graça na Câmara. Também votaram em Rosso os ex-suplentes Pedro do Ovo e Geraldo "suborno" Naves, que substituiram os renunciantes famosos - Júnior "oração" Brunelli e Leonardo "meião" Prudente. Ressalte-se que o o segundo dos suplentes foi preso tentando subornar testemunhas do inquérito do mensalão e o primeiro também foi citado na Caixa de Pandora, assim como Aylton Gomes, Benedito Domingos, Benício Tavares, Rogério Ulysses e Roney Nemer, tovos eleitores de Rosso. Juntando com os votos do Batista que transformou a Administração de Águas Claras na sua cooperativa e de Aguinaldo de Jesus, cuja passagem pela Secretaria de Esportes não deixa saudade em ninguém, são dez votos dos treze que elegeram o novo "governador".

E não pensem os senhores que alguém se salva nesse merdelê todo. O PT local fez parte da articulação que elegeu, vejam só, uma ex-cria de Roriz e ex-aliado de Arruda. Oficialmente voraram em seu candidato, Antônio Ibañez, mas estava prontos para votar em Rosso caso o mesmo não conseguisse votos suficientes para levar no primeiro turno. Todas estas manobras tiveram o aval de Lula e Dilma, que querem ver a coligação nacional se repetir a nível distrital.

E Wilson Lima? Era o candidato que Roriz apoiava. Roriz que já ofereceu palanque a José Serra, candidato que vai medir forças com Dilma em outubro. logo...

Depois vem o Correio querendo convencer alguém que tá tudo bem, como se o esquema que culminou nesta crise toda já fosse coisa do passado. Se não rolar vamos celebrar num rodízio de pizzas a ignorância do brasiliense.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Justiça (da república) de bananas

Charge: Angeli

Ano passado me envolvi em um acidente de carro onde um indivíduo saiu detrás de um caminhão querendo passar pro outro lado de uma via de mão dupla (um senhor "gato") debaixo de um temporal, e eu fui o azarado de estar passando na hora.

Ontem foi a audiência de conciliação - a segunda já que na primeira ele disse que havia se mudado pra não receber a intimação. Na verdade um esforço hercúleo para se livrar logo de mais um processo atravancando a justiça.

O infrator chorou muito que ganhava pouco , que trabalhava na noite, que tinha que fazer bicos pra sobreviver, que era retirante, etc. etc. etc. Só faltou falar que anda num Gol possante (velho, mas possante) e fica fazendo barbaridade nas ruas sem pensar nas consequências.

O mais incrível foi que não me surpreendeu a pressa do conciliador em terminar aquilo logo, para que eu aceitasser qualquer coisa - inclusive nada. Com os argumentos de que TÍNHAMOS que chegar a um acordo, que uma audiência de instrução ia demorar uma eternidade, que eu corria o risco de o juiz forçar a diminuição do valor, praticamente uma admissão de que a justiça é uma lesma e que pode muito bem ser injusta sem problemas.

E por mais que o conciliador fizesse propostas, baixasse valores, dividisse em mil prestações pro cara pagar ele sempre dizia que não tinha dinheiro, que o carro quebrava, que ele tava com o motor fundido, que ele gostava de verde mas tava de amarelo, que isto, que aquilo... que no final acabei tendo que arcar com um prejuízo de quase R$ 300,00 fora as despesas indiretas, como ir em oficinas, ficar sem o carro, ter que ficar indo no fórum...

É uma pena que, como eu falei no texto anterior, as instituições queiram se livrar o mais rápido possível dos problemas em vez de tentar solucioná-los da melhor maneira possível. Se as coisas funcionassem como deveriam talvez não fosse preciso tanta gente acionar a justiça para remediar a situação.

Mas não, vamos deixando a imprudência correr solta, dá menos trabalho.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Quem é o Estado?


Bom, se um dia a pergunta foi feita a Luís XIV com certeza ele definiu de um jeito como muitos não teriam a coragem de definir nos dias de hoje por uma questão de falsa ética, pois apesar de não admitirem, muitos de nossos governantes agem numa inversão de funções.

Hoje assisti um comentário do Alexandre Garcia no Bom Dia Brasil que foi mais uma voz a cutucar o Estado e sua omissão/deturpação, pois nesta nunca ficou tão nítido que o desinteresse e o jogo de empurra (com a barriga ou pra debaixo do tapete, tanto faz) promoveu tragédias na sociedade.

Nesta oportunidade Alexandre se referiu ao caso dos meninos desaparecidos de Luziânia, que teve sua conclusão de caso com um desfecho trágico e uma sensação de final que poderia ter sido evitado se as funções básicas previstas em lei tivesse msido seguidas a contento. O autor dos assassinatos em série levou apenas uma semana para cometer novos crimes tão logo saiu da prisão, meio que como se confirmasse atestado feito pela justiça de que o recém liberto necessitava de acompanhamento psicológico, coisa que não ocorreu provavelmente porque alguém deve ter pensado "ah mas pra que esse trabalho todo, não deve acontecer nada de mais". Mas aconteceu, e agora?

Mesma coisa ocorreu no Rio de Janeiro. Já virou lugar comum afirmar que as tragédias ocorridas por conta das chuvas (as piores dos últimos anos) se deram por conta de ocupações irregulares dos morros com a conivência passiva de sucessivos governos que hoje se preocupam mais em se esquivar da culpa do que tomar ações efetivas principalmente de prevenção de novas tragédias. O diferencial desta vez é que as palavras vazias de omissão governamental desta vez ganharam nome e sobrenome. O Ministério da Integração Nacional, a quem a Defesa Civil está vinculada, destinou a maior parte de recursos para obras de prevenção de desastres(segundo auditoria do TCU) para a Bahia, estado que por uma "incrível coincidência" é o reduto eleitoral do agora ex-ministro Geddel Vieira Lima que se licenciou do cargo para disputar o governo do estado. Nos últimos quatro anos de gestão foram 133 mi para a Bahia contra 2,3 mi do Rio. O agora deputado se defende dizendo que foi o Rio que as verbas foram destinadas a quem apresentou projetos, e agora?

Foto: Eduardo Naddar/ Agência O Dia

O que fica parecendo é que o motivo que leva os políticos brasileiros a disputar eleições e/ou ocupar cargos no governo é pura e simplesmente aparecer ao máximo pensando na eleição seguinte para se perpetuar no poder enquanto o jogo de interesses assim permitir. Por isso vemos várias obras grandiosas cheias de placas de pretensos "pais da criança" em detrimento de ações governamentais que não permitam colher dividendos políticos já que não dá para se colocar uma placa em resultados subjetivos como programas educacionais, gestão de saúde ou sistemas de transportes - é só ver o caso do Arruda que quis melhorar o transporte público de Brasília apenas obrigando os empresários a comprar veículos novos, pois estes poderiam carregar faixas enaltecendo o "feito" governamental - leia-se do mandatário da vez. É por isso que pintura de ônibus muda a cada nova gestão que entra.

E quando ocorrem grandes catástrofes como o que ocorreu no Rio? Aí sim todo mundo quer tirar o seu da reta. Quem não se lembra do acidente com o voo 3054 da TAM, cuja primeira preocupação do governo foi desvincular o episódio com o caos aéreo que permanecia instalado à época, seja eximindo controladores de voo, seja descartando falhas no grooving da pista de Congonhas, tudo isso antes de se fazer qualquer investigação ou sepultamento das vítimas.

E é por isso que, enquanto vigorar no Brasil esta concepção por parte da classe política de que o estado deve servir ao dono do cargo como vitrine eleitoral, e não como instrumento de transformação social, ainda assistiremos por muitos anos esta patacoada popularesca promovida por prefeitos, governadores, ministros, presidentes, etc.

E daqui a três meses começa a campanha eleitoral, preparem sua paciência e, principalmente, afiem sua capacidade de discernimento.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A aurora da minha vida.

Edifício Rio de Janeiro

Senhores, para quem ainda não sabe ontem completei 28 anos. De maneira discreta passei o dia em casa mesmo, sem muitas estripulias.

Ontem almocei fora e ao passar em frente ao Colégio Marista me assutei como o mesmo estava completamente diferente de alguns poucos anos atrás (eu acho).

Pra falar a verdade não é só o Marista que mudou, muita coisa em volta se modificou com o tempo sem que eu percebesse em minha correria diária. parece que quando a gente vai ficando mais velho a gente vai prestando menos atenção nas coisas.

Algumas das lembranças de outrora já desvaneceram com a ação do tempo. O parquinho mesmo deu lugar a uma pracinha sem graça que niguém frequenta a não ser os mendigos. Era bem melhor quando as crianças ao sairem da escola iam para lá e enchiam o espaça de alegria com suas brincadeiras. Coisa que o sedentarismo do Playstation sepultou dentro das casas de cada um dos pirralhos viciados em Winning Eleven e afins.

Mais abaixo o terreno onde estavam os escombros do que um dia foi a primeira Taguauto virou, para a criançada, o Casarão, mal visto pelos pais e que de início serviu de campinho de futsal até que virasse ponto de abrigo para cheira-colas. Acabou comprado por várias construtoras e hoje abriga alguns prédios prontos e outros em fase de construção.

Poucos sabem, mas antigamente a Taguauto ficava na CSB 10, porém contam os antigos que um incêndio consumiu a estrutura que ali jazeu por muitos anos até começar a dar lugar a estes conjuntos de edifícios.


Visto que houve tantas mudanças (óbvias) em vinte anos, tirei a tarde do meu aniversário para filmar as redondezas dos lugares por onde cresci e passei durante minha vida, e tirar algumas fotos também, para que um dia sirvam como um registro para a posteridade. O resultado está aí embaixo.

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Em frente a um dos prédios em construção no terreno onde ficava o "Casarão", o estande de vendas. Ali logo aparecera um novo e imponente prédio. E lá na Samdu a parada de ônibus que tanto fez parte de meus caminhos, porém o abrigo de alvenaria deu lugar a uma moderna estrutura tubular com vidros e totens de propaganda. A unica coisa que mudou foi isto porque a avenida mesmo parece que parou no tempo.

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Quando descia da mesma parada subia a QSB 15 até chegar em casa. As casa são praticamente as mesmas, com algumas modificações leves mas a rua, assim como a Samdu, continua quase do mesmo jeito. Até as crianças continuam a brincar ali.

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Contraste do velho com o novo. Prédios novos e vistosos com mais de vinte andares dividem o espaço aéreo taguatinguense com os residenciais antigos como o Angra dos Reis (5 andares). Maison Esmeralda (10 andares), Marília (4 andares), Renata (3 andares), Palmares (3 andares), Olinda (10 andares) e Aeronáutica (12 andares, por muito tempo o maior). E claro, o Rio de Janeiro (11 andares).

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Este estacionamento em frente ao Marília já foi espaço para muitas brincadeiras com bete, golzinho, etc. As mangueiras eram bem menores e não escondiam a fachada do prédio.

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Já o bom e velho Marista agora tem várias estruturas, algumas aparecem assim de relance para quem vê de fora e instiga a pensar do que se tratariam. Seriam salas de aula? No lugar onde antes ficavam várias quadras de esportes?

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E aqui as lojas que ficam embaixo do Rio de Janeiro. Sem Visão Vídeo, sem Mercadinho Celeiro, sem a Barbearia do Antônio. Só quem atravessou os anos até chegar aos dias de hoje foi o Bar do Gilmar, local onde meu pai passava todo dia depois que chegava do trabalho para confraternizar o fim doa com os amigos antes de ir para casa.

Tentei entrevistar o Gilmar, mas o mesmo estava rouco, quase afônico, o que impediu uma gravação, ficou o registro da conversa e a promessa de dar um alô mais vezes.


Registre-se também neste meu passeio pela vizinhança que encontrei com o "Seu" Daniel, que faz aniversário no mesmo dia (vejam só). Depois do parabéns mútuo o contrate, eu fazendo 28 e ele fazendo 62. Pelo menos a sua lanchonete continua lá, agora dividindo espaço com outras lojas no lote.


Por mais que o registro tenha ficado saudosista tem a sua utilidade, quem sabe num futuro próximo estejamos olhando para estes vídeos e fotos com um pingo de satisfação e como um parâmetro de novos caminhos, que sejam tão bem trilhados que não olhemos tanto o passado com esta nostalgia.

Para isto temos que o fazer o futuro bem vivido, como fizemos antigamente.

Passado e futuro.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Uma noite de histórias


Por Eduardo Melo Moura Filho, servidor público federal exilado em Brasília

Na última quinta-feira cheguei com um amigo tricolor ao local combinado para assistir à partida contra o foguinho aqui em Brasília, vimos de longe um bandeirão pendurado com as três cores mais bonitas do mundo. Fomos logo convidados para a mesa dos tricolores da Planalto Coral, torcida santacruzense da capital federal. Sentamos e cinco minutos depois já estávamos de pé comemorando o primeiro gol!

Nesta hora chega Elenildo, tricolor que conheci naquela noite, correndo já imaginando que tínhamos saído na frente. Alguns minutos depois, gol do foguinho. Aquela tensão inicial diminuiu e começamos a conversar sobre momentos históricos que cada um tinha vivido com o Santinha. Elenildo lembrou logo das partidas contra o cruzeiro pela Copa do Brasil em 1997, Santa 1×0 cruzeiro no Mineirão com Palhinha, Dida e Cia, e contra o sampaio corrêa em 1999 quando o Tricolor venceu e, com uma combinação improvável de resultados, passou para a fase seguinte da Série B, tornando-se vice-campeão depois. Eu me lembrei da final do pernambucano de 1993 e do jogo contra o volta redonda em 1998 em que o Santa ganhou de 3×2 mandando o fluminense para a Série C.

Daí vieram outras lembranças com cada um narrando sua versão dos fatos. Mal sabíamos nós que, sentados àquela mesa, estávamos prestes a testemunhar outro dia histórico.

De repente, pênalti para o Santa!! Elvis batendo!! Confesso que nessas horas sou medroso, preferi não assistir, fiquei do lado de fora do bar esperando a vibração dos amigos tricolores. Não veio. Elvis perdeu. Fim do primeiro tempo. Nesse momento um ser iluminado chamado Quental (N. do E.: Roberto Quental o nome dele) (o profeta) solta: “O Santa Cruz vai fazer o gol aos 45 minutos do segundo tempo”. Ninguém deu muita bola.

Nessa mesma noite, ainda tive a prova de que ser Santa Cruz é uma coisa que vem de dentro e não tem lógica. Clébio é um legítimo torcedor coral santacruzense das bandas do arruda (tricolor di cum força), já tinha ouvido falar dele, nascido e criado na capital federal. Perguntei a ele como o pai dele tinha feito para consolidar um filho tricolor, diante da lavagem cerebral carioca que a TV costuma a fazer com as pobres crianças de Brasília (aqui só se torce para times do Rio). Foi quando ele me disse uma coisa que me deixou mais surpreso que o segundo gol do foguinho: “Meu pai não torce pro Santa, é torcedor fuleiro da barbie e passou a torcer pro fluminense”. Não tinha explicação! Mas como era possível aquele cara ser um Santacruzense fanático? Me enchi de esperança.

Começa um morno segundo tempo que Brasão tratou de esquentar. Santa 2×1! Nossa mesa enlouqueceu. Daí em diante o relógio começa a se arrastar e o nervosismo só aumentava. Acaba logo esse jogo! Acaba logo esse jogo! Gol do foguinho! PQP!!!

Comecei a me consolar: o empate foi bom, o time jogou bem, pena que não deu. Foi quando o Profeta Quental solta na maior calma: “O gol vai ser aos 45 minutos, e eu pago a rodada de cerveja!!”. Que confiança, digna do Profeta Inácio França! 44 minutos e não sei quantos segundos!

Sabe aqueles momentos tão intensos que a gente se esquece da ordem das coisas? Só me lembro estar correndo do lado de fora do bar gritando como um louco! 3×2! Fim! Vamos pra Goiânia dia 21! Valeu Souza, valeu Quental!!

Depois, mais calmo, Elenildo solta: “Como aconteceu em 1997 contra o Cruzeiro, lembraremos dessa noite daqui a 13 anos”. Hoje eu digo: “Dessa e de muitas outras noites, Elenildo!”. Mais um dia histórico.

***

Nota(s) do Editor:

1 - Texto publicado originalmente no Blog do Santinha, no qual este que vos bloga é citado sem o aviso prévio (kkk);

2 – Assisti o jogo todo do lado de Seu Horácio (primeiro à esquerda), a quem conheci naquele dia, sem saber que se tratava do vice-prefeito de Olinda;

3 – Quando houve o primeiro empate umas meninas que estavam torcendo para o Botefogo começaram a cantar aquela música da Beth Carvalho que o povo lá no Rio tem cantado nos jogos…

Chora!
Não vou ligar
Não vou ligar!
Chegou a hora
Vais me pagar
Pode chorar
Pode chorar…

Quando Brasão desempatou no meio do segundo tempo fiquei matutando como poderia responder à altura. Aos pouquinhos comecei:

Madeira do rosarinho
Vem a cidade sua fama mostrar
E traz com seu pessoal
Seu estandarte tão original…

Quando chegou no “E se aqui estamos, cantando esta canção…” toda a tricolorzada do bar já tava cantando junto.

Para uma canção de uma botafoguense, nada como revidar com uma música à altura de um grande tricolor;

4 – Quando houve o segundo empate as meninas começaram a provocar dizendo que iriam pra Goiânia (quem vencesse enfrentaria o Atlético-GO). Na hora do gol do Souza o Quental já tava querendo vender as passagens do pacote que estamos montando pro dia 21 (kkk);

5 – Levamos uma camisa da Alemanha pro bar na expectativa de que as profecias de Pai Inácio começassem a se concretizar. A referida camisa é o primeiro passageiro a adquirir bilhete para Goiânia;

6 – No fim do jogo os moçoilos aí começaram a puxar papo com a "torcida derrotada". Ninguém veio me dizer se as xavecadas que esse bando de macho ficaram dando nas botafoguenses deu certo, pelo visto não;

7 – Não me lembro de ter falado em torcedor “fuleiro”, mas não duvido que tenha dito mesmo;

8 – De fato este é um episódio para que perpetuemos nossos feitos pelas próximas gerações de tricolores.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O dia de hoje

Arte: Fernando Gonsales

E já que tocamos no assunto de dominação aproveitarei para homenagear Armando Nogueira com um documentário que todo mundo já deve ter visto ou ouvido falar e no qual ele participa ao final.