quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010?


2009 está se encerrando e eu aqui trabalhando e ouvindo A Cor do Som enquanto Brasília vive o clima de abandono no estilo "o último que sair (da cidade) apaga a luz".

Fato que passou despercebido foi que o blog está fazendo seu primeiro aniversário esta semana. Mas tal fato pelo menos ocorre do jeito como eu queria: discreto, sem alardes.

Porém, e é nesse ponto que quero chegar, tinha planos para o blog quando chegasse esta data. Queria mudar o visual para a virada, mas esse é mais um daqueles planos que fazemos e que são postergados ad eternum. Como meu plano (também eterno) de aprender a tocar baixo.

Quantos planos concretizamos em 2009? Quantos vamos cair na besteira de fazer em 2010 sabendo que daqui a 3 dias já os teremos esquecido todos?

O bom mesmo da data de hoje são as previsões. E como ano que vem é ano de copa e de eleição aí é que os videntes e pais de santo vão fazer a festa. Ano passado uma previsão que me chamou a atenção no fim das contas se concretizou.

Quanto as previsões que estão mais em evidência no dia de hoje obviamente são aquelas que respondem às duas perguntas mais óbvias de 2010. Vou colocá-las aqui para posterior conferência:
  • O Brasil será o campeão da copa, a Espanha corre por fora;
  • Dilma será eleita presidente.
Para mim parecem previsões meio óbvias, típicas de quem está com medo de errar. O jeito é voltar aqui no ano que vem e fazer uma análise mais profunda.

Lembre-se que o ano novo só será feliz se nós fizermos por onde. Então que mereçamos um feliz 2010.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Visões de Brasília (VII)


Lembram da foto que eu tirei do alto de um penhasco há alguns meses atrás?

Agora tirei uma da posição opsta ao entardecer.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Vergonha alheia em sua plenitude

Troféu "joinha, joinha" pro Luan né não Brunelli?

Dia de Natal é um dia que nem as padarias e os supermercados 24 horas abrem não é mesmo?

Não, não é.

Tanto eu como a Renata, minha amiga, nos recusamos a passar o Natal na morgação total. Tá certo que de dia fomos almoçar na casa da minha tia o almoço tradicional do dia 25 - as sobras da ceia - mas depois, de noite, decidimos sair para ver se havia alguma coisa na cidade. Encontramos o Blues Pub aberto, mas como era cedo ainda resolvemos ir comer primeiro. Aí batemos numa pizzaria rodízio aqui mesmo em Taguatinga.

Depois de sermos (mal) servidos, eis que adentra no recinto uma piada pronta: Júnior Brunelli.

É óbvio e evidente que tal presença chamou a atenção de todos os presentes na pizzaria, as pessoas chegavam a ficar pescoçando no pórtico que dividia os dois salões do local, sendo que vossa excelência se postou lá no fundão. A única coisa que me limitei a fazer (a mesa onde estávamos era a primeira para quem entrava) foi sacar o celular e mandar pro twitter: "Estou na pizzaria D'lanonna e entrou agora o Junior Brunelli. Pelo visto a CPI ja acabou".

Depois de tudo acabar em pizza desistimos do Blues Pub por acharmos que as redondezas estavam muito perigosas. Rumamos para o Plano em busca de algo aberto e funcionando. Só encontramos o Mont Sion.

Vou ser sincero com vocês. Nesta ocasião presenciei uma das cenas mais deprimentes que eu já vi na minha vida. Passava nas TVs do bar não o Roberto Carlos vivendo esse momento lindo pela enecentésima vez, mas um DVD de um cantor sertanejo que nunca havia ouvido falar até aquele momento, um tal de Luan Santana, e graças a Deus todas as TVs estavam inaudíveis.

Porém as legendas estavam lá para denúnciar o teor das músicas e das rimas ricamente elaboradas. Ai chegou um momento bizarro: uma música daquelas preparadas a toque de caixa, mas que inseriram no meio da letra nomes de marcas de bombons e chocolates(!) como Serenata de Amor, Sonho de Valsa, Diamante Negro, Talento, Bis, Prestígio, etc. fazendo trocadilhos infames. Mas nada supera a cena em que uma fã(?!) sobe no palco e o cantor abre um bombom e se oferece para botar na boca da menina. Quando a mesma se aproxima ele afasta o bombom como quem estivesse colocando ua cenoura na frente de um burro e...

Já chega, eu vou poupá-los dos resto dos detalhes sórdidos porque sinto vergonha alheia só de ficar lembrando dessa cena deprimente. E aí eu me pergunto, vale a pena passar um ridículo desses por causa de um ídolo? Ou pior, dá pra abstrair algo de aproveitável em alguém assim a ponto de se tornar fã? E não é pouca gente não, pelas cenas do DVD o cara estava cantando para uma enorme multidão de fãz histéricas como a que subiu no palco para ser "pescada".

Está aberto o debate e, principalmente, a reflexão.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Serenata eterna


Custei a recuperar minhas forças e arranjar inspiração para voltar a escrever aqui no blog porque tinha um dever "moral e cívico" de falar alguma coisa sobre a Serenata.

Mas dizer o quê depois do texto da Bia?

Sei lá, às vezes copmplementar, já que fui citado.

Se um dia a Serenata de Natal precisaria passar por privações, este dia chegou já há algum tempo. É besteira esconder que o coro minguou de uns anos pra cá - quando eu entrei enchíamos cinco ônibus, hoje dá pouco mais que um - e por conta disso o grupo precisou muitas vezes se adaptar à nova realidade.

Aliás, adaptação é a palavra que deve nortear quem estiver a frente da mesma daqui pra frente, mesmo que o coro volte a engrossar.

Com certeza o que mais me marcou na edição deste ano foi, de uma hora pra outra, me ver à frente dos ensaios passando a música aos coralistas, ou conduzindo os mesmo durante uma apresentação: muitas diga-se de passagem. E fiz tudo isso admitindo que não me considerava pronto para assumir tal responsabilidade.

Independente das muitas pedras nas quais tropecei nesta epopéia serenatal posso dizer que este foi um ano de muito, mas muito aprendizado mesmo. E de engrandecimento como pessoa. Aprendi a me relacionar melhor com as pessoas e a buscar a última energia que está lá no fundo de todos nós para que nunca desistamos de nossos desejos.

Reger a Serenata para mim foi muito mais do que mexer os braços, foi um exercício de motivação.

Acabei ficand omarcado pela insistência em colocar Bom Natal no repretório da apresentação toda vez que eu ia lá pra frente, mas é como eu disse, é uma música linda, que sempre me marcou e que traz uma emoção que eu sempre queria passar para todos, coralistas e platéia.

Só no último dia me decepcionei, me decepcionei porque não pude agradecer a todos aqueles que fizeram desta uma Serenata vitoriosa, resiliente. Me decepcionei também porque nenhum elogio era suficiente para demonstrar o carinho que eu tinha por todas aquelas carinhas sorridentes que nos ajudaram a tornar aquele momento realidade.

Pra variar, na última quadra, não contive o choro ao cumprimentar todos aqueles que estiveram junto da gente nos últimos quatro meses, porque para a maioria seria o último cumprimento do ano - depois só em agosto do ano que vem e olhe lá.

Agradecimentos? Deixa eu ver... Aos colegas de organização (Artur, Juliana, Nilo e Simone, além do Léo e da Dal), aos colegas de regência (Dashiell, Gabriel, Karen, Moisés e Ronaldo) e a todos os coralistas que foram bravos nos grandes momentos e compreensivos nos difíceis.

Muito obrigado por este Natal!
E muito obrigado por esta chance de viver para ver outro Natal!
E nos trinta anos cantem conosco!

Eu vou estar lá, e vocês?

Quem quiser ver a galeria com as fotos das carinhas da Serenata clique aqui.
Como não couberam todas numa página só coloquei algumas na página do ano passado. Depois unificarei as duas.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Licença


O blog está em um recesso temporário enquanto o autor estiver participando da Serenata de Natal.

Estaremos de volta assim que minha rotina (e minhas noites de sono) voltarem à normalidade.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Dilbert - Política

Dilbert ©2006 Scott Adams, United Feature Syndicate, Inc. - http://www.dilbert.com

Essa é para aquelas que são contra manifestações só porque atrapalha o trânsito e interrompe a rotina.

No Brasil parar o transito não pode. Cobrar propina por favorecimento em contratos e licitações pode.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fim da ocupação

Fotos: Rafael Targino/G1

Recebi, meio consternado, a notícia de que a Câmara Legislativa foi desocupada pela polícia nesta terça.

Digo isto porque tinha esperança que assim, quebrando o protocolo, poderia ocorrer alguma mudança radical assim como ocorreu na UnB ano passado contra o Timothy. Aquela ocasião se tornou um marco revolucionário na gestão da universidade.

Agora que os manifestantes saíram os distritais já ligaram o forno para assar a pizza. Já há vários esquemas armados para pôr panos quentes na história do mensalão do DEM.

Aliás, é o próprio DEM quem vai de certa forma definir os rumos da política brasiliense a partir da decisão que será tomada amanhã. Se acontecer qualquer coisa que não seja a expulsão do Arruda pode ter certeza que todo mundo vai ser absolvido e que não vai rolar nem CPI nem processo de impeachment.

E hoje teve o protesto em frente ao Buriti. Quem diria, a PM aumentou as expectativas dos manifestantes, pena que pra variar baixaram o cacete. Queria ver se fossem manifestantes a favor se rolaria isso.

Foto: Dida Sampaio/AE

As estruturas do poder existentes em Brasília exigem que haja um choque de atitudes inovadoras, como foi a ocupação, para quebrar este sistema deturpado de interesses. os meios legais estão todos contaminados, infelizmente.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Sobre hexas, salvações e pancadaria

Foto: Marcos de Paula/AE

A Operação "Salve o Rio" se mostrou bem mais exitosa do que a Operação "Caixa de Pandora". Se na segunda ninguém foi preso nem sequer perdeu cargos ou renunciaram (só sairam as piabas no meio dos tubarões), a primeira conseguiu 100% de aproveitamento. O Flamengo conseguiu seu sexto título e Botafogo e Fluminense escaparam de vez do fantasma do rebaixamento. Com a volta do Vasco para a Série A a alegria do STJD está completa, só falta o Ameriquinha se reerguer graças ao baixinho Romário no seu departamento de futebol (o problema é a distância até chegar à Série A, o clube acabou de voltar da segundona fluminense).

No noticiário da segunda feira, dois episódios foram os de maior destaque. Um obviamente ocorreu no Maracanã, onde o Flamengo venceu o Grêmio e foi campeão. Apesar do time gaúcho ter aberto o marcador tenho certeza que eles não queriam ganhar o jogo, mas fizeram o possível para disfarçar a campanha do "entrega", digamos, se empenhando em campo. Não me convenceram, afinal de contas foram para o Rio com o time reserva e queriam apenas que não ficasse tão feia a situação de ter que perder um jogo de propósito, e isso é possível de camuflar sim, é só vermos o noticiário sobre a máfia das apostas na Europa.

Enfim, não dá pra ficar fazendo prognósticos em cima de suposições, só posso parabenizar o Flamengo pelo seu sexto título nacional. Pelo menos quebrou a hegemonia paulista que vinha desde 2004.

O outro evento pode parecer que não tem nada a ver com o que acontecia na capital carioca mas pode ter a ver com a Operação citada acima. O quebra-pau generalizado que arrasou o Couto Pereira depois da partida entre Coritiba e Fluminense é extremamente condenável, porém tenho quase certeza que os baderneiros que invadiram o gramado querendo bater em todos que viam pela frente não estavam revoltados apenas com o desempenho do time, com certeza em algum momento passou pela cabeça oca desse povo que fizeram de tudo para evitar que outro time carioca caísse de divisão. Talvez se o time que estivesse em campo contra o Coxa fosse de outro estado ou se a briga contra o rebaixamento também não o fosse contra times cariocas a pancadaria, acredito eu, não teria acontecido.

Foto: Valterci Santos/Agência de Notícias Gazeta do Povo

O tamanho do destaque que a mídia nacional dá para os times cariocas quebra o princípio da imparcialidade (conforme já havia descrito aqui) e, pelo menos por esta semana, ficará mais insuportável ainda. Cabe aos outros estados, principalmente seus clubes, acabarem com este complexo de inferioridade e acreditarem que podem, de maneira organizada e empenhada, fazer frente ao eixo Rio-SP. Ou não poderão se queixar depois.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Uma foto que diz muita coisa...

Foto: Breno Fortes/CB

... sobre a mediocridade do eleitor brasiliense.

É o homem da multiplicação dos panetones e o homem do bezerro de ouro.

Resumindo, não apoie um por causa do outro. Ajude a execrar de vez os dois.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Corrupção? Nossa! Que surpresa...

Imagem: TV Globo/reprodução

Mas, obviamente, estou sendo irônico, ainda mais a nível de política no Distrito Federal.

A única novidade desta vez é que agora há vídeos, um mais tosco do que o outro, mas tudo de coisas que até o mais ignorante dos eleitores já sabia que acontecia. Vimos meias recheadas de dinheiro, orações pedindo para Deus que ninguém seja punido. Como disse minha mãe, imagine então o que deve rolar em salas onde não há câmeras e em telefones que não estão grampeados.

Arruda e companhia estão sendo ameaçados por todos os lados: de abandono pelos partidos aliados, de desfiliação pelo DEM, de impeachment pela OAB, etc. Diga-se de passagem é como sempre funcionou no Brasil - o punido não é aquele que comete o erro, é aquele que não consegue escondê-lo. E convenhamos, Arruda se mostrou um belo de um amador nessa arte de parecer honesto que impera no Brasil pois caiu no vacilo de ser descoberto duas vezes (lembram da violação do painel?). Ou seja, um reincidente.

E falando em OAB, a mesma (tanto a nacional com a seccional do DF) já se pronunciou dizendo que vai solicitar o impeachment do governador. Tal atitude vai ser posta em vitação na quarta ou na quinta para, em caso de aprovação ser encaminhado à Câmara Legisla... EPA, PERAE! Como é que eles cogitam entregar tal pedido para uma casa que está cheia de gente envolvida no mesmo caso? E aí, para onde é que a gente corre?

Sim, a Câmara. Ah a nossa amada Câmara Distrital. Todo mundo sabe que aquele é um antro de gente que só quer saber do binômio da vida boa - ganhar muito e fazer quase nada - só tendo que engambelar o povo hora ou outra. O digníssimo presidente Leonardo "dinheiro na meia" Prudente já anunciou uma medida: vai apresentar uma representação contra todos os envolvidos, inclusive ele mesmo.

Era só o que me faltava para atentar contra a minha inteligência, o homem da meia vai se denunciar à Camara. É mole?

Agora o mais interessante disso tudo. Em todos os meios de comunicação foi falado que o esquema começou no governo Roriz. E só. Todo o resto como imagens, gravações, envolvidos, etc. dizem respoeito a eventos ocorridos durante o governo Arruda, não se divulga nada a respeito de eventos que dizem ter acontecido durante o governo Roriz. Desse jeito a cobertura do episódia parece claramente preparar o terreno para um eventual retorno triunfal do "messias" contra aqueles que se rebelaram em 2006 (prestem atenção no nome dos envolvido e verão que eu tenho razão).

E aposto que tanto eu como você que está lendo este texto agora está rindo de tudo que está sendo divulgado na imprensa, mas tem certeza absoluta de que as mesmas figurinhas baleadas de sempre da política candanga continuarão a ser eleitas no pleito do ano que vem, se não os envolvidos gente de igual quilate. E aí veremos cenas como estas se repetindo sempre, e sempre, daí a pior.

Por enquanto deleitemo-nos com as explicações, desculpas e com o desenrolar dos fatos enquanto a imprensa mantiver tais fatos quentes na primeira página. É o que podemos fazer no momento para esfregar em nossas caras o quanto somos idiotas.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Curtinhas - Porta enguiçada

Marcopolo Paradiso 1200 G7 MBB O-500 RS. A foto é minha.


Essa vai para os meus amigos busólogos.

Rodoferroviária, 13:30. Estava eu fazendo hora em meu horário de almoço do trabalho e aproveitei para tirar fotos dos ônibus que aparecessem, para minha sorte estavam na plataforma dois ônibus que começaram a rodar este mês, da novíssima Geração 7 da Marcopolo.

Flagrei este aí da Real Expresso com cara de escolar e outro da Viação Goiânia lá do lado de fora. Quando passo na frente da porta do ônibus percebo uma aglomeração em volta da mesma e olho o motorista fazendo força para abrir a porta que separa a cabine dos passageiros. Embaixo os curiosos especulando que a porta enguiçou, que a fechadura era eletrônica, que tinha uma senha, etc. etc.

Pra variar a culpada é a tecnologia.

Até que me atrevo a subir para ajudar o motorista. Vi que ele constantemente apertava um botão no painel e voltava a puxar a porta, e nada, mexia nos cantos da porta que supostamente estavam travando a porta, e nada.

Por fim olho para a porta e vejo algo escrito em seu vidro, bem grande:

PORTA CORREDIÇA
deslize-a para a direita


indico o escrito ao motorista que fica meio sem entender, explico para ele e a porta desliza suavemente para trás de sua cadeira, diferente do que é habitual onde a porta avança pela cabine obstruindo a passagem se não completamente aberta.

Design 1 x 0 Ignorância.

P.S.:O ônibus está sem placa. Cliquem na foto e confiram.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Uma chance para a democracia (ou Todo Cuidado com Hélio Costa é Pouco)

Por Inácio França, jornalista

Estou em casa repousando, depois de um ataque de cólicas renais, a pior dor que senti em minha vida. Corrijo: a segunda pior. A queda para a terceira divisão em 2007 me prejudicou mais.

Quando algum médico me manda repousar, costumo seguir o conselho ao pé da letra. Nem passa pela minha cabeça desobedecer, já não gosto de trabalhar, quanto mais com recomendação médica. Saí do hospital escolhendo qual DVD da minha coleção pirata iria assistir hoje, na possibilidade de avançar no livro de Milton Hatoum e de atualizar a leitura da Carta Capital. Só não fiz tudo isso porque o analgésico que me mandaram tomar dá um sono danado.

A Carta Capital é a única publicação que assino, por isso faço um esforço imenso para não desperdiçar dinheiro deixando a revista intacta em algum canto da casa, para me informar e tentar transformar informação em conhecimdngo, minha opção é sempre pelos blogs e sites disponíveis na web. E foi exatamente uma matéria a respeito das perspectivas do acesso à banda larga no interior do Brasil, publicada na edição da semana passada (vejam como estou atrasado), que me motivou a atualizar o Caótico com essa “elocubração”.

O texto assinado pelo repórter André Siqueira revela a intenção do presidente Lula de iniciar um grande programa para interiorizar e democratizar o acesso à Internet, mas informa que as coisas ainda não saíram do papel por causa de uma disputa interna na Esplanada dos Ministérios. De um lado, está o eterno funcionário da família Marinho, o ministro das Comunicações, o senhor Hélio Costa. Do outro, o secretário de Tecnologia de Informação do Ministério do Planejamento, o menos conhecido Rogério Santanna.

Cada um apresentou sua proposta ao presidente.

O plano de Hélio Costa é todo fundamentado nas grandes operadoras de telefonia do País: a Oi, Embratel, Telefônica, Vivo, Claro e a Tim. Essa turma investiria R$ 16 bi para criar 30 milhões de conexões Brasil afora. A matéria não diz, mas duvido que esse dinheiro saía dos bolsos das empresas. Aposto que para variar estão de olho no caixa do BNDES.

O ex-repórter da Rede Globo batizou sua proposta de Plano Nacional de Banda Larga, mas as empresas só garantem conexões de 250 k a 1 Mega, aquele serviço caro e ruim que conhecemos nas capitais. A proposta finge ignorar o fato de que as Nações Unidas só consideram Banda Larga as conexões com mais de 2 Mega. Queria ter a cara-de-pau desse ministro.

A proposta do Ministério do Planejamento é completamente diferente. A ideia é usar os 31 mil quilômetros das redes de fibra ótica das empresas estatais de energia (Eletrobrás e Chesf, por exemplo) para levar internet de altíssima velocidade às instituições públicas, telecentros não-governamentais, universidades federais e escolas da rede de pública de ensino. O custo dessa empreitada, segundo a Carta Capital, seria de 1,3 bi.

As conexões domésticas ou das empresas das cidades do interior ficariam sob responsabilidade de pequenas empresas, sim porque ainda existem no Brasil pequenas empresas de internet que resistem ao poder das gigantescas e ineficientes teles.

A disputa não é pessoal. Não há vaidades em jogo. As duas propostas refletem modos diferentes de encarar o mundo e a sociedade.

Hélio Costa defende, de uma só vez, os interesses das grandes empresas de telefonia e dos latifundiários da comunicação. Se o presidente Lula optar pela sua proposta, irá garantir os negócios e os privilégios de empresas como a monstruosa Oi, que fornece seu serviço Velox e o usuário que se lasque para pagar ou reclamar.

Ao mesmo tempo, com serviços pagos a peso de ouro de, no máximo, 1 Mega, o poder de influência das TV e das rádios ganharia uma sobrevida. O que uma coisa tem a ver com a outra? Esse conflito está diretamente relacionado à luta pelo poder de continuar ditando as regras da formação cultural e política da sociedade.

Com uma internet lenta como quer Hélio Costa, a revolução das redes sociais e das lan houses estaria sob contenção, ainda continuaria difícil assistir a filmes e vídeos no computador. Esse direito continuaria privatizado para poucos, ou seja, pelo menos durante mais algum tempo permaneceria exclusivo das famílias Marinho, Sirotski, Saad, de Silvio Santos, do bispo Macedo e dos seus cúmplices regionais, como Paes Mendonça aqui em Pernambuco, Maioriana lá no Pará ou os Magalhães na Bahia.

Se, com conexões lentas, rapazes e moças do interior do Brasil já lotam as lan houses em horário nobre, imaginem como ficaria a audiência da novela e do Jornal Nacional se essa moçada puder assistir coisa melhor ou disponibilizar para o mundo seus próprios vídeos produzidos na escola?

Para se ter ideia do potencial da internet com acesso rápido, vale citar uma pesquisa da Vox Populi, cujos resultados foram comentados por meu amigo Marco Bahé no Acerto de Contas: 56% dos entrevistados afirmaram que sua principal fonte de informação ainda é a TV, porém a mídia que aparece em segundo lugar, com mais de 20% de citações como principal fonte de informação, são os sites e blogs. Os jornais, cada vez mais insignificantes, foram citados por apenas 10% das pessoas entrevistadas.

Percebo que o plano do Ministério do Planejamento pode causar uma ferida mortal e purulenta no latifúndio virtual, pois encara a comunicação como um direito público a ser garantido para todos e não como um negócio que só pode tocado por alguns poucos. O acesso rápido possibilitará que escolas e universidades públicas troquem informações com outras instituições do mundo todo fazendo ligações pela internet, economizando na conta telefônica (olha aí o ministro defendendo os interesses das teles).

Além disso, a proposta pode gerar renda e emprego com centenas de empresas locais investindo em tecnologia e serviços confiáveis em localidades no Semi-árido nordestino ou à margem dos grandes rios amazônicos.

Por tudo isso, temos que ficar de olho em qual será a decisão do presidente da República, precisamos usar o poder dos blogs e dos sites para que mais gente saiba do que está acontecendo e pode vir a acontecer. Sinceramente, creio que essa é uma informação que vale a pena passar adiante, pois dificilmente esse tema terá espaço na mídia corporativa, nós que povoamos a internet é que temos a obrigação de tocar essa discussão.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A vida continua... mas não será a mesma

Quis usar uma foto mais suave do que a do lance do Henry

Por Sandro Meira Ricci, árbitro de futebol

“A vida continua.” Foi assim que o árbitro sueco, Martin Hansson, respondeu à imprensa sobre o gol de mão da França que tirou a Irlanda da Copa do Mundo de 2010. Sabemos, porém, que a vida de muitas pessoas (inclusive do árbitro) não será mais a mesma depois daquela partida.

Afinal, como um pai que ensina seu filho a ser honesto para vencer na vida explica que a seleção de seu país não irá para Copa do Mundo em razão de uma derrota sofrida com um gol ilegal do adversário? Como esse pai explica ao avô da criança, já idoso, que provavelmente ele não terá mais a oportunidade de ver sua seleção disputar uma Copa do Mundo em razão de um gol ilegal? Como um jogador de renome mundial, idolatrado por inúmeras crianças, se propõe a dar um péssimo exemplo, agindo de modo a alterar o resultado de uma partida, por meio da burla ao texto e ao espírito das regras do futebol?

Desde o momento em que presenciei o gol de mão do atacante francês Thierry Henry, procuro respostas para essas perguntas. A única explicação para que esse tipo de atitude ainda sobreviva no futebol mundial é a busca da vitória a qualquer preço, associada à impunidade na esfera desportiva.

Por mais contraditório que possa parecer, a trapaça de Henry é vergonhosa e ao mesmo tempo “normal”. É impressionante como o futebol, do ponto de vista mercadológico, estimula essa cultura da desonestidade, em que os fins justificam os meios e assim será enquanto não houver punição severa a quem desonra o esporte.

Ao assistir à comemoração da classificação da França, me restou o único conforto de perceber a vergonha do cabisbaixo Henry ao saldar seus súditos franceses e confortar os honrados irlandeses. Mas essa vergonha compensa a decepção da criança, do pai e do avô na Irlanda?

Aliás, depois do gol de Henry, quem não lembrou do gol de mão de Maradona na Copa do Mundo do México em 1986? A Campanha Jogo Limpo (“Fair Play”) da FIFA foi concebida como resultado direto daquela lastimável ausência de espírito esportivo do argentino. A Campanha visa a apresentar os benefícios de jogar conforme as regras, usando o bom senso e respeitando os jogadores, árbitros, adversários e torcedores. Nesse sentido, a Fifa também criou um código de conduta para reforçar o princípio moral e ético de que a vitória só tem valor se for conquistada de maneira limpa, justa e honesta, e estabeleceu uma premiação anual para grupos ou indivíduos que contribuíram largamente para a promoção do fair play no futebol. Em tempo: Henry perdeu uma grande oportunidade!

O fato de o futebol ter se tornado um grande negócio não impede que os agentes do futebol, especialmente suas maiores estrelas que são os jogadores, tenham uma conduta ética e responsável. Afinal, ética é fazer o certo quando se tem algo a perder. Ser digno mesmo na derrota. Observar as regras do jogo. Honrar os efetivos interesses do futebol. Promover a boa reputação do esporte. Enfim, jogar limpo para o bem do esporte (Fair Play for the Good of the Game).

Sandro Meira Ricci é árbitro de futebol, aspirante à Fifa, e atuou em 16 partidas da Séria A do Campeonato Brasileiro deste ano.

Publicado originalmente no jornal Correio Braziliense - 23/11/2009

sábado, 21 de novembro de 2009

Engenheiros do Hawaii - Pra ser sincero



Uma banda gaúcha, tudo a ver.

Como identificar uma "amiga"


Homens, tenho certeza que vocês já passaram por coisas semelhantes ao que está listado abaixo, e por isso mesmo conto com vocês para alimentar este tópico.

É fato que mulheres mentem, é fato também que elas não admitem que mentem, é mais fato ainda que elas acham que os homens mentem mais só para elas mentirem a vontade (é autodefesa, dirão).

Mas agora listarei algumas coisas pelas quais não se deve confiar nas mulheres (não necessariamente nesta mesma ordem):

  • Mulheres vivem dizendo que estão atarefadas mas na verdade não querem ser amoladas;
  • Mulheres nunca ligam para um homem, elas nunca tem crédito, só praqueles bonitões de olho azul com cara de pegador;
  • Mulheres dizem que tem um tipo específico de homem que elas gostam mais. Não, não é o mais bonito, é o da carteira mais recheada;
  • Carteira recheada nem sempre é o suficiente, o homem ideal não pode andar de carro 1.0, tem que ser de Audi A3 pra cima;
  • Mulheres hoje em dia são todas concurseiras, mas você nunca vê nenhuma delas estudando;
  • A mulher nunca pode sair com você, mas o orkut dela está cheia de fotos de balada;
  • Quando uma mulher diz que você é amigo dela é porque ela não quer que você ouse se apaixonar por ela;
  • Quando ela diz isso sempre em vez de te chamar pelo nome ela está querendo dizer que você é feio demais pra cogitar se relacionar com outra mulher um dia;
  • Se você se enquadra em algums dos dois últimos exemplos pode ser que ela queira te apresentar para alguma outra amiga e vai acabar vendo uma te empurrando para a outra;
  • Na verdade todas dizem "não fica assim, logo você vai achar outra menina" depois de você ter tomado o trocentésimo toco, te credenciando até a jogar na NBA, isso é sinal de que o jogo de empurra nunca vai terminar;
  • No fim das contas ela vai sair com vc trezentas vezes, sempre dizendo que eatá numa fase de só curtição. Quando esta fase acaba? Quando ela parar de falar com você e começar a se encontrar com o bombadão cheio da grana;
  • Ela não pode te ver porque está estudando para concurso, até que do nada ela aparece namorando outro cara;
  • Elas dizem que gostam de caras românticos, sentimentais e inteligentes. Elas só ficam e namoram com bombados baladeiros que andam de Golf, afinal nenhuma mulher quer ser vista pelas amigas aos beijos com alguém com cara de nerd;
Continua, afinal de contas mulher e sinceridade são coisas que não combinam, tipo água e óleo.

Achou ruim? Então proteste aí nos comentários. Quero só ver.

Jogo de empurra (ou Palavras nas quais não acredito)


Chega de eufemismos, de indiretas e coisas do gênero. Depois de mais uma vez que ocorreu (cheguei a mencionar tal fato em um outro texto) resolvi criar umo coisa que chamo de TAC.

TAC? Mas o que raios é TAC?

TAC é a sigla que criei para Texto de Alimentação Constante. Significa que este texto não acaba aqui, ele será constantemente alterado com a inclusão de novos itens.

No caso haverá uma lista que será acrescida de novos elementos sempre que houver a ocorrência de surgi-los. O objetivo disto é servir de memória para me resguardar (e para que outros que o façam também) de duas coisas nas quais não confio: Em mulheres e em políticos.

Hoje vou iniciar uma lista com elementos sobre mulheres. Em breve iniciarei o de políticos assim que obter material suficiente.

Como identificar uma "amiga"
Como identificar um político profissional (em breve)

domingo, 15 de novembro de 2009

Microfone para a torcida do Flamengo

Por Guilherme Rocha*

Acabo de flagrar a instalação de dois microfones em frente à arquibancada destinada à torcida do Flamengo aqui no estádio dos Aflitos. Moro num prédio situado atrás da referida arquibancada, o que me permite registrar a imagem.

Imagem do setor da arquibancada do lado do Country Club, onde ficará a torcida do Flamengo

Detalhe do equipamento utilizado pela emissora

A exemplo do que foi feito no jogo Sport x Corinthians no ano passado pela Copa do Brasil, os telespectadores terão uma impressão equivocada da participação das torcidas no estádio, com o áudio da torcida visitante superando o da maioria.

Recentemente assisti ao jogo entre Fortaleza e Vasco, no estádio Castelão (em rede nacional pela TV Globo), onde tal estratégia foi também descaradamente utilizada, mostrando um comportamento tendencioso em favor dos times do eixo Sul-Sudeste.

Faço essa denúncia na tentativa de coibir a repetição de tais comportamentos por parte da imprensa, que por definição em eventos esportivos deveria observar a imparcialidade, e ainda para que isto não passe despercebido mais uma vez sem que haja ao menos uma crítica formal.

*Guilherme Rocha é torcedor do Náutico

***

Nota: O texto acima, assim como as fotos foram retiradas do Blog do Torcedor do Jornal do Commercio. Apesar de não concordar com a linha editorial do referido blog, acreditei ser importante divulgar o ocorrido.

Durante a transmissão realmente havia a impressão que só a torcida do Flamengo gritava. Além disso durante o intervalo a Globo mostrava apenas imagens da torcida do Flamengo, em especial aqueles que portavam faixas alusivas à emissora, ao time carioca ou aos dois junto com o nome de alguma cidade, o que aparentemente quer passar uma conotação de que no Nordeste só se torce para o Flamengo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Rock'n Roll Doctor (II)

Mais ilustrações do colega Pablo Gomes.

Joey Ramone

Elvis Presley

Angus Young

Para conhecer mais do seu trabalho clique aqui.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O mundo anda muito louco...

Alguém aí empresta uma lanterna?

Eu cheguei aqui para comentar o episódio da menina da Uniban que... bom, se eu for explicar o ocorrido vou acabar tomando partido de uma das partes de acordo com as palavras que usar. Então deixo vocês com um link para um artigo escrito pelo Flávio Gomes.

De um dia pro outro o assunto mudou completamente, e num piscar de olhos (ou seria de luzes) metade do Brasil e o Paraguai estavam às escuras.

No momento do ocorrido estava na UnB e senti as luzes começarem a falhar, o chamado "pico de energia". Cheguei a comentar com uma colega minha na hora que a luz estava ameaçando acabar.

Não acabou, pelo menos não ali. Ao cheghar em casa me deparo com o noticiário informando do apagão que assolou praticamente o país inteiro, com informações desencontradas dizendo vagamente as cidades e estados sem energia. Mostrando incessantemente São Paulo e Rio às escuras (como se não houvesse mais nada no país para mostrar).

O mais engraçado é que os jogos da Série B, até onde sei, correram normalmente. Só um jogo foi afetado e foi aqui em Brasília, que foi um dos estados menos afetados. Brasiliense e São Caetano se enfrentaram hoje e o jogo terminou 2 x 2.

O mais engraçado é a pressa que o governo teve em desvincular a queda de energia com o racionamento de 2001. Mais uma demonstração de que este povo pensa mais em se manter no poder do que em trabalhar pelo país.

Este ano já tivemos a queda do avião da Air France, a morte de Michael Jackson, a crise no Senado e o golpe em Honduras, e isso é o que eu me lembro. Agora teve o vestido da menina da Uniban e o apagão. Como será que este ano vai acabar?

***

Atualização: Eu ia ficar quieto, mas já que provocaram... pelo visto vai ser bem iluminado.

Mas tudo bem, não tenho pressa.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O que o muro tem para nos ensinar

É muita gente!

Hoje faz vinte anos que uma falha de comunicação desembocou num símbolo de mudança.

A Alemanha vinha de uma divisão que já durava quarenta anos entre o oeste capitalista e o leste comunista. Para conter a grande migração de alemães orientais para o lado ocidental foi erguido o Muro de Berlim, que segurou este êxodo até aquele dia.

Aquele dia. O dia 9 de novembro. Neste dia foi anunciada pela TV uma decisão de abolir as restrições de viagens de alemães orientais para o Oeste. O povo interpretou aquilo como uma permissão para passar para o outro lado e começou a se aglomerar em frente aos postos de fronteira gritando palavras de ordem para que abrissem passagem para a multidão. Os guardas, que ainda não haviam sido instruídos sobre como proceder quanto a decisão anunciada horas antes, se viram num dilema: abrir os postos ou abrir fogo contra àquela quantidade enorme de gente que só fazia aumentar?

Optou-se pelo primeiro e a partir daí a Alemanhã começou a se unir, acima de qualquer ideologia, seja capitalista, seja comunista.

Desde que findou a segunda guerra mundial e procedeu-se com a divisão da administração do que sobrou da Alemanha os dois blocos, de capitalistas e comunistas, usaram sempre que puderam o território alemão - e principalmente Berlim - como massa de manobra para fazer pressão contra o outro lado. Eventos históricos a parte (quem quiser pode começar a pesquisar aqui), culminou-se na construção do muro por iniciativa do lado comunista.

Alemanha Ocidental - Alemanha Oriental

Os meios de comunicação em geral tendem a criar um maniqueísmo entre a Almanha Ocidental capitalista democrática e boa e a Alemanha Oriental comunista tirânica e má. Não vejo desta maneira. Nehum dos dois lados estava certo ou errado, nem é melhor ou pior do que o outro. Existem muitas nuances que são ignoradas e só a disputa política a nível mundial explica a existência do muro, afinal de contas se americanos e alemães ocidentais tivessem achado ruim a construção do muro eles simplesmente iam lá e derrubavam por iniciativa única deles.

E o que dizer do muro que divide EUA e México? E o entre Israel e a Cisjordânia (como o mundo dá voltas) que ninguém comenta? O moro caiu, mas se ergueram outros, numa prova de que a humanidade não aprende mesmo.

Enfim, o que quero ilustrar, acima de qualquer posição, é a força do povo na hora de querer reivindicar o direito de atravessar o muro, o que deixou os soldados incumbidos de deter tal avanço completamente sem ação.

Por fim decidiu-se abrir. Falou mais alto o bom senso de não tentar promover um genocídio que seria condenado por todo o planeta.

Se em todos os cantos do globo as pessoas deixassem em casa o pensamento individualista de ganhar na vida passando, se necessário, por cima dos outros, e se unissem assim para reivindicar melhorias e vontades coletivas de toda espécie, aí sim o povo mostraria sua verdadeira força e a democracia existiria em sua plenitude.

Os "ossies" se uniram para derrubar o muro. Tá certo que foi para poderem curtir a festa do consumismo no lado ocidental, mas pelo menos se uniram. O coletivo apareceu naquele dia, e quando uma grande multidão quer algo à força não há quem a detenha.

Que aquelas pessoas que se uniram naquele novembro de 1989 nos ensinem a sair do comodismo de nossas cadeiras de escritório. Eles levaram 28 anos. Quanto tempo nós levaremos?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Como gerar um engarrafamento (II)


Em mais uma daquela série "Coisas que só o trânsito de brasília faz por você", flagramos esta retenção do trânsito no SIG. Não dá para ver mas a fila vai até a altura do pavilhão do Parque.

Agora olhem a foto seguinte:


Isso mesmo, na continuação da pista não ha interrupção, obra, acidente, blitz, nada! A pista está incrivelmente livre.

Deu para perceber inclusive que os carros estão virando à direita, mas aparentemente sem nenhum motivo a frente que os faça desviar.

Voltemos para a posição inicial:


Aqui vemos algumas motos conseguindo driblar a fila.

Estas fotos foram tiradas em frente ao anexo II do TJDFT. Este congestionamento esta sendo causado pelas pessoas que utilizam o drive-thru do protocolo do Tribunal, que fica nesta via entre a pista principal e a que passa atrás do SIG. Então fica aqui a sugestão para que se reposicione a cabine onde se recebem os documentos a fim de não causar transtornos como este.

Romântico incorrigível


Tentarei ser breve, mesmo porque creio que o assunto não exija muitas palavras.

Tenho andado desanimado com a vida estes dias, por motivos que prefiro não escrever aqui.

Isto não é novidade. Não é a primeira vez e nem vai ser a última que fico assim.

Mas muitas vezes, e talvez nesta última também tenha sido assim, isso vem por frustações. E frustações vêm quando criamos expectativas que não se cumprem.

E aí é que está meu problema. Tenho o hábito de ver e imaginar as coisas de uma maneira muito romantizada, idealizada. É quase como se houvesse um script que define o que é normal de acontecer e o que não é.

Por várias vezes disse a mim mesmo que seria mais racional, menos passional. Que não voltaria a criar mais expectativas quanto às pessoas. Mas não tem jeito, eu não aprendo, eu sou o que escrevi aí em cima no título e, por isso, vivo de me dar mal.

Mas hoje já estou melhor, mais feliz, mais confiante, e escrevi este post pensando em pessoas que às vezes, se sentem assim.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Em defesa de Barrichello

Créditos: Globoesporte.com

Por Flávio Gomes (que acaba complementando um texto meu do início de abril).
Texto publicado após o GP do Brasil, ocorrido no dia 18/10/2009.

De todas as pessoas que encontrei hoje, ouvi: “Esse Rubinho é um cagado, mesmo”, “Puta azar deu o Rubinho”, “Esse Rubinho é muito ruim”, “O cara é muito azarado, tinha de furar um pneu?”, “Esse cara é muito ruim, não vai ser campeão nunca”, “Quando a gente mais espera dele, faz isso”.

E algumas variáveis sobre o mesmo tema.

Eu já tinha dessa impressão, mas depois deste fim de semana, tenho certeza. O problema de Barrichello não é ele, não são seus carros, não são seus companheiros de equipe. O problema de Barrichello é a TV Globo.

E por que a Globo, e não toda a mídia? Porque não se deve ter nenhuma ilusão. A imensa maioria das pessoas no Brasil só se informa sobre F-1 pela Globo. “Se informa” é um eufemismo, melhor corrigir. Digamos que a cultura de F-1 que a imensa maioria das pessoas tem no Brasil vem daquilo que a Globo diz.

E a Globo só diz besteira. A cultura de F-1 do brasileiro médio é zero, talhada pelas cascatas globais.

Barrichello não fez nada de errado ontem, não errou ao tentar a pole com o carro mais leve, não teve azar nenhum, não foi cagado. Mas a histeria global, martelada dia após dia — e quando a corrida é no Brasil, e ele está na pole, chega a ser quase uma lavagem cerebral, uma lobotomia —, faz com que o público aqui acredite que Rubinho do Brasil tem a obrigação de ganhar, e se não ganhar, das duas uma: ou sacanearam com ele, ou é um cagado que não tem mais jeito.

As pessoas veem uma corrida de F-1 aqui com zero de informação honesta. Ontem, depois de dez voltas já era possível afirmar que Rubens não venceria a prova. Simples: não abria de Webber e iria parar cinco voltas antes nos boxes. Cinco voltas, com um carro mais rápido e cada vez mais leve, seriam mais do que suficientes para Webber voltar à sua frente do pit stop. E Kubica, também. Ambos passaram.

Rubens apostou no clima instável de São Paulo, no que fez muito bem. Larga na pole, pula na frente, vai que chove no início, todos têm de parar, a vantagem do carro mais pesado é anulada. Ou, ainda: acontece alguma merda atrás dele, Webber se enrosca, Kubica bate, fica para trás, e a vantagem é igualmente anulada.

Mas há uma desonestidade editorial clara naquilo que a Globo faz, alimentando uma expectativa que não poderá ser cumprida. Porque corrida de carro é muito mais do que essa gritaria de “Vâmo, Rubinho!”, “Não erra agora, Rubinho!”, “Acelera, Rubinho!”. Corrida de carro tem lógica, é matemática, e quem mostra um evento desses a milhões de pessoas tem a obrigação de ser honesto.

Porque se não for, as pessoas não têm elementos para entender a derrota. E se amparam na explicação que está à mão: o cara é cagado, dá azar, não vai ganhar nunca. Ou, ainda: furaram o pneu dele de propósito.

E, aí, vai-se criando a fama, dia após dia, de perdedor, azarado, cagado. Uma farsa, uma mentira. A TV mente o tempo todo. Foi assim nos anos pós-Senna, em que Barrichello, de Jordan ou Stewart, não tinha a menor chance de ganhar uma corrida, embora a TV dissesse o contrário. Porque corria contra Williams, Ferrari, McLaren, Benetton. Depois, na Ferrari, a venda de ilusões baratas era igualmente cruel, porque contra um piloto como Schumacher, Barrichello jamais seria campeão. Não seria porque Schumacher era muito melhor. Se eu for companheiro de Barrichello numa corrida de qualquer coisa, não terei chance alguma de andar na frente dele. Deem um kart para ele e outro para mim, e ele vai chegar na frente todas as vezes. Entreguem um Lada igualzinho ao meu, e não vou ser mais rápido que ele nunca, em nenhuma volta.

Mas a Globo vende a esperança, porque acha que as pessoas só vão se interessar por seu evento se houver a chance de um brasileiro vencer, mesmo se for uma mentira deslavada, como na maioria das vezes. É um engodo, e uma sacanagem com o piloto. A expectativa que se cria por seus resultados é criada na TV. OK, muitas vezes Rubens embarcou na onda, mas é o menor dos culpados.

Se a TV não se dedicasse tanto a iludir seus telespectadores tratados como otários, Barrichello não seria zoado como é há anos, pela Globo inclusive. Poderia conduzir sua carreira com mais tranquilidade e serenidade. Ele não tem a obrigação de vencer por ninguém, pelo povo, pelo país. Tem obrigação de trabalhar direito para quem lhe paga, e por ele mesmo.

Um dia depois de uma corrida normal, na qual fez o que podia fazer dentro dos limites de seu carro e de seu talento, o coitado tem de aguentar um tijolo a mais nessa construção de uma imagem que não corresponde à realidade. Barrichello pode não ser o melhor piloto do mundo, está longe disso, mas é um dos bons dos últimos anos, como outros tantos. Nem muito mais, nem muito menos. Não estaria há tanto tempo correndo se não tivesse qualidades.

Quando parar, muito provavelmente sem ter sido campeão, terá para sempre colado na testa o rótulo de cagado, azarado, lento, o que for. Pode agradecer à TV por isso. Foi ela que, nesses anos todos, disse ao Brasil que Rubens era algo que nunca foi. Talvez ele nunca entenda isso, até porque adora ser bajulado pela Globo, com seu pseudo-jornalismo esportivo meloso, ufanista e cascateiro. Mas é assim.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A resistência do Agenor

Convido vocês a compartilhar as fotos de um evento ocorrido ontem.

Trata-se da cerimônia de entrega de ônibus novos (mais uma) ocorrida nesta última quarta em frente ao antigo Cine Karim.

Tanto o governador como o secretariado estiveram lá para colher os dividendos políticos do evento, com discursos questionáveis e outras coisas mais diga-se de passagem.

Colhendo até mais do que deveria, ou poderia, sei lá, afinal as empresas de ônibus são privadas. quem comprou no fim das contas, mesmo com todas as ações do governo, foram os empresários, com o dinheiro deles, não com o dinheiro público (até que se prove o contrário).

Essa história mesmo de que não houve aumento de passagem, tão martelada pelos anúncios e pelos discursos, é ilusória. O ultímo mesmo foi no dia 01/01/2007 - o primeiro dia do governo Arruda - sendo que a passagem esteve congelada por quatro anos em R$ 2,50, contrariando as palavras do secretário-deputado Fraga que disse que havia aumento de passagem todo ano antes deles assumirem.

E se não houve aumento nos ônibus, houve no metrô (de R$ 2,00 para R$ 3,00, lembram?).

Isso porque nem vou entrar no mérito das outras afirmações como a extinção de acidentes graves com ônibus, o ranking das passagens mais caras do Brasil e a idade média da frota (que segundo eles agora é de três anos).

Precisa questionar tais assertivas?

No fim das contas o governo vive de entragar ônibus novo...

Mas o coitado do Agenor não aposenta nem a pau.

Taí o Wagner Canhedo que não me deixa mentir não é?

Não sabe quem é o Agenor? Então clique aqui.

Como gerar um engarrafamento

Três faixas, sem acostamento...

...que de repente viram duas faixas, com ônibus se espremendo entre elas...

...e de repente tudo se afunila em uma faixa só.

A partir daí é pista livre e fim da agonia.

Este post é para homenagear o "jênio" que teve a idéia de fechar as faixas da EPTG em seu ponto mais crítico: o semáforo da entrada do SIA.

Um dia tem 24 horas, metade delas com luz natural do sol (com mais uma hora do horário de verão), e mesmo com toda esta oferta escolheram estreitar as pistas para as obras do viaduto no pior horário que havia, às 7 da manhã.

O resultado foi um megaengarrafamento que fez um percurso de 10 minutos - no caso a travessia do guará - ser vencido somente com mais de uma hora. E no meu caso em particular, levar quase duas horas e meia para sair de Taguatinga e chegar no Plano Piloto. E sem chuva.

Se preparem que ainda hoje tem mais pérolas de nosso transporte.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Termômetros Malucos (II)

Lembram de um post que mostrava a medição sem noção da temperatura por meio dos relógios que ficam nas vias de Brasília?

Pois é, que tal esta agora?


Agora só falta pegar a medição abaixo de zero para completar a série.

Detalhe interessante na foto: Prestem atenção, o céu está nublado.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Calabouços & Dragões*


Em um belo dia de verão, seis garotos vão a um parque de diversões. São eles Hank, Diana, Eric, Sheila, Presto e Bobby. Num dado momento eles entran numa nova atração do parque: uma espécie de trem-fantasma chamado Caverna do Dragão (pra variar Eric está achando um saco). Porém no meio do caminho eles são sugados e caem em um mundo diferente do nosso, onde eles deparam com dragões, ogros, magos, guerreiros e todos os tipos de monstros. Para se defender de todas estas ameaças eles são recepcionados pelo Mestre dos Magos, que entrega a cada um deles uma arma mágica.

Mestre dos Magos

Hank, o mais velho e líder do grupo vira uma espécie de ranger e ganha um arco que dispara flechas mágicas. Eric, que não para de reclamar, ganha um escudo intransponível e vira um cavaleiro. Diana, a acrobata, ganha um bastão que aumenta de tamanho. Sheila se torna uma espécie de ladina e ganha uma capa que a torna invisível. Presto vira um mago (muito desastrado por sinal) que tira vários objetos de seu chapéu. E bobby, o caçula, ganha uma tacape bárbaro que é capaz de demolir qualquer coisa.

A partir daí eles passam a enfrentar uma verdadeira saga para descobrir um jeito de voltar para casa. Quem se tornará um empecilho nesta empreitada será o Vingador. Este mago ambiciona obter as armas dos garotos para aumentar seus poderes a ponto de derrotar a dragoa Tiamat (sim, Tiamat é fêmea) e assim conquistar o Reino. Durante a aventura todos acabam amadurecendo e levando lições para toda a vida.

Vingador

E assim, com esta história, foi criado aquele que foi considerado pelos internautas daqui, tanto por aqueles que frequentam o blog como por aqueles que viram todas as aberturas de desenho que estão no youtube, O MELHOR DESENHO DA DÉCADA DE 80.

Qualidade refinada

Razões para esta preferência não faltam. O desenho realmente tem um tratamento visual diferente da maioria dos desenhos de sua época, algo como se fosse um desenho de excelência. Além disso a história tem enredos complexos e envolventes, utilizando a temática medieval advinda dos RPGs, bastante popular naquela década.

Porém, apesar de tudo isso, a série foi interrompida sem que fosse feita uma conclusão. O desenho era baseado no jogo Dungeons & Dragons e um belo dia a fábrica detentora dos direitos deste precursor dos RPGs fechou, fazendo com que o interesse pela continuação da história arrefecesse.

O sucesso, especialmente no Brasil, suscitou então uma série de finais alternativos, doa quais já não vale a pena mais ficar citando. Ainda mais depois que jornalistas brasileiros consultaram os roteiristas da série e desmentiram todos estes finais que se popularizaram com o advento da internet.

Réquiem

Michael Reaves, o roteirista incumbido de escrever o capítulo final, concluiu Réquiem em maio de 1985 (ou seja, antes do desenho estrear no brasil, no fim do ano seguinte). Hoje o roteiro original está em sua página na internet (em inglês).

No episódio derradeiro, o Vingador propõe ao mestre dos magos um teste para a coragem dos garotos. Se eles forem bem-sucedidos, voltam para casa. Do contrário, morrem. E o anão topa!

Os garotos estão enfrentando uma hidra quando o Mestre dos Magos aparece, porém ele se recusa a ajudá-los, o que causa estranhamento geral. Mais tarde, o Vingador surge e apresenta uma maneira para a turma voltar ao seu mundo: encontrar uma chave escondida e arremessá-la em um abismo. A proposta faz o grupo se dividir em dois (Eric, Presto e Sheila concordam; mas Hank, Bobby, Diana e Uni não confiam no vilão). Após quase morrerem em um vulcão, eles se juntam novamente e encontram a tal chave dentro de um sarcófago com a imagem do Vingador. Ao serem atacados por uma ameba gigante, Eric usa a chave em uma fechadura e salva seus amigos da morte certa. Isso faz o Vingador se transformar em sua forma real (um cavaleiro) e se revela filho do Mestre dos Magos. Com o vilão libertado, os garotos ganham a opção de voltar para seus lares. O episódio termina sem o espectador saber se eles retornaram ou não para a Terra, deixando aí o espaço para uma continuação na temporada seguinte.

E é justamente quando o assunto é uma possível continuação que todos os que estiveram envolvidos no projeto desconversam. De filhotes mesmo (ou irmãos de uma mesma mãe, o RPG) D&D já virou filmes (dois) e até jogo. Hoje o desenho ainda passa na TV Globinho, talvez sem a mesma audiência da época em que era considerado tão top de linha que só passava nos sábados no Xou da Xuxa, mas mesmo assim o culto e a mística da história tem tudo para atravessar gerações e, quem sabe, o sexteto não volte, desta vez atendendo a um chamado do Mestre dos Magos e não acidentalmente.

Para saber mais clique aqui.
Para ver a lista de episódios (com ilustrações) clique aqui.
* E para finalizar, o título do texto é a tradução do nome em inglês (Dungeons & Dragons), mas o que vale mesmo é o nome que todos conhecemos: Caverna do Dragão.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O chopp nosso de cada dia*

Este chopp tá com muito colarinho.

Neste momento são onze horas do dia vinte de outubro do dois milésimo nono** ano da graça.

Estou dentro de um ônibus. Por estes dias meu carro está no conserto para desamassar algumas peças e por isto voltei a utilizar o sistema coletivo da capital federal.

A falta de aparelho de som no meu carro me faz utilizar um celular com caixa de som para tal fim, porém, andando de ônibus, a barulheira e a necessidade de dividir o espaço com outras pessoas inviabilizam tal procedimento então vi a necessidade de usar fones de ouvido. Fui em uma loja lá na rodoviária mesmo e comprei o dito cujo. O que eu não contava é que teria que passar pelo constrangimento de ter que voltar lá mais três vezes por conta de defeitos: primeiro o fone parou de funcionar do nada, depois o seguinte desmontou o acabamento do fone e por fim o botão de atender do terceiro não funcionava. Que ótimo jeito de começar o dia.

O dia ainda me reservou aborrecimentos bem piores do que este, mas não vem ao caso listá-los aqui, um deles em especial a pessoa nem merece consideração, quanto mais que eu gaste este espaço precioso com ela.

Aí vou eu, após o expediente, fazer hora no Conjunto Nacional até a hora de ir para minha aula na faculdade. Parei no Quiosque da Brahma onde uma promoção de dose dupla de copão de 500ml se apresentava tentadora.

Num instante veria os problemas que dão para uma pessoa se ela não sabe degustar o chopp.

Olho pro outro lado do balcão e vejo uma mulher que me olha incessantemente, e sorri. Vou chamá-la aqui de Mariana para preservá-la. Aí ele chama minha atenção e pergunta pra que time eu torço. Logo já estava pedindo para que eu sentasse ao lado dela, mas aí já era visível seu estado de embriaguez. Mesmo assim atendi seu pedido, creio eu, movido pelo desejo de ajudá-la.

Sentando ao lado dela é que vi que a coitada já estava muito, mas muito ébria: ela babava, cuspia no chão, derramava chopp em si mesma tentava fechar o ziper da calça com dificuldade, um estado muito deplorável.

Aí nesta altura do texto você já deve estar criando um estereótipo da mulher que eu estava tentando ajudar não é? Então... neste caso... apague tudo pois vou descrevê-la. Ao contrário do que se pode pensar ela era uma moça jovem, bonita, e de aliança no dedo. mas já estava num estado que já não conseguia falar coisa com coisa.

Tanto eu como outras pessoas que estavam no local tentaram ajudá-la. Apenas eu e um outro senhor que estava lá (que chamarei aqui de Marcos) obtivemos sucesso, e isto foi conseguido porque demos ouvidos ao que ela tentava dizer, assim conseguimos descobrir quem era, onde morava e tudo o mais. os seguranças do shopping já estavam presentes mas preferiram optar pela cautela.

Num dado momento ela deixa o celular cair. Foi a deixa que eu estava esperando para tentar contactar algum familiar que pudesse vir buscá-la. Consegui falar com o cunhado que logo acionou o marido (sim, lembram que eu falei da aliança?) para vir buscá-la.

Porém o shopping fechou e precisávamos retirá-la de lá - tarefa pouco inglória e muito árdua. Tivemos que guiá-la praticamente empurrando para que não tropeçasse e caísse, principalmente para subir a escada, onde a dificuldade triplicou. Fizemos tal trajeto em contato com o sogro pelo celular (usando o fone comprado de manhã, lembram? Afinal eu precisava falar e rebocar a menina ao mesmo tempo) que se informava sobre nosso trajeto com a nora e repassava ao seu filho que estava sem créditos para ligar.

Finalmente encontramos o marido dela próximo à rodoviária. Com muito sufoco conseguimos colocá-la no banco de trás, mesmo com a relutância dela. O marido, já dentro do carro, parecia nervoso com a situação e parecia descontar no Marcos, mas também pode ter sido só impressão minha. Um último contato com o sogro para confirmar o encontro dos dois e a missão está finalizada, debaixo de uma leve garoa que caía.

Da Mariana e do Marcos talvez nunca mais ouça falar, só posso esperar para ela que se recupere bem e que tenha mais cuidado com o que faz.

Qual a lição que se tira dessa história toda? Bom, isso cabe a cada um de vocês. Só digo que presenciar cenas como esta tem muito mais impacto do que qualquer propaganda que venha dizendo no final "aprecie com moderação". Independente disso, seguirei tomando meu chopinho vez ou outra quando as circunstâncias me permitirem, e no fim voltarei na paz, pelas minhas próprias pernas.

*apesar do trocadilho saiba apreciar um bom chopp, de vez em quando apenas.
**sim, 2009º se escreve assim mesmo.

domingo, 18 de outubro de 2009

Pa, pa, pa, paapeeel...

Não, nenhum desses caras é o Morrissey.

Antes de falar do vencedor da enquete surgiu outro assunto, o que indica que esta será a semana de falar de velharias (ou quem sabe o mês).

Domingo à noite, horário de verão recém iniciado, aquela preguiça anunciando a aproximação da labuta diária, etc. etc. Do nada uma música começa a martelar na minha cabeça sem maiores explicações. Build.

Não tá ligando o nome à pessoa? Por conta disso é que pedi a assesoria do nosso assessor (a redundância é de propósito) para velharias em geral, o Seu Ronca, para obter tanto o vídeo como maiores informações sobre a turminha de nerds que aparece no vídeo aí de baixo: The Housemartins.



Por várias vezes que escutei a música dessa banda metida a The Smiths fiquei pensando que depois iria ao computador para esclarecer o que significa "Pa, pa, pa, paapeeel..." - sim, esta música tem o apelido infame de "melô do papel". O caso é que acabou que nunca fiz isso, já que esquecia de ver isso assim que a música acabava.

Mas desta vez estava em casa e no computador, então não havia nada que me impedisse de finalmente decifrar tamanho enigma, enigma este que só poderia ser resolvido recorrendo à letra da música, método que se mostrou pouco esclarecedor.

Então, já recorrendo a Seu Ronca, que me indicou o caminho das pedras, cheguei a um resultado meio que... digamos... decepcionante.

Imagem meramente ilustrativa.

Nota mental: pegar o dicionário de inglês amanhã e ver qual a pronuncia exata da palavra build.

Quem quiser esclarecer mais curiosidades milenares sobre esta banda e esta música clique aqui.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

50 anos de Fantasia Real


Se há alguém que deve ser homenageado por conta da comemoração do Dia das Crianças, esse alguém deve ser aquele que marcou toda minha infância.

Ou seria aquela.

O que eu sei é que com certeza não foi só a minha, pelo menos umas cinco gerações de crianças foram marcadas pelas histórias e aventuras dessa menina gorducha e enfezada, e também pelas de seus amigos, um que fala elado, um que não é muio chegado a banho e outra que come feito uma draga.

Pra falar a verdade essa saga não começou com este quarteto, começou com um cachorro, um bem estranho, de cor azul. Começou com ele e com seu dono, mas isso já é(são) outra(s) história(s).

E bota histórias nisso, já faz cinquenta anos que acompanhamos as aventuras dessa turma em vários meios: quadrinhos, desenhos, filmes, tirinhas, etc. Aventuras essas que já conquistaram o mundo e já são traduzidas para mais de 40 países.

Minha homenagem hoje é para Maurício de Sousa, o homem que deu vida à Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, Chico Bento, Horácio, Piteco, Tina, Rolo, Astronauta, Bidu, Penadinho, Papa-Capim, Pelezinho, entre tantos outros de um universo que se eu for ficar listando aqui vou levar o dia inteiro, mas que encantam as crianças até hoje. E neste ano de 2009 ele está completando cinquenta anos de carreira.

Neste fim de década o universo mauriciano tem dado grandes saltos, o principal deles é o da Turma da Mônica Jovem, que, por mais que as pessoas venham a mim para criticar, conseguiu atender as expecitativas daqueles que, como eu, eram curiosos para saber como seriam aventuras dos garotos adolescentes, e isso sem perder a magia da turma original - foi só acentuar os conflitos naturais de quem vive esta fase da vida.

Desde pequeno que compro os gibis de toda a turma, hábito que ainda tenho algumas vezes. provavelmente pode ter sido o primeiro contato de muita gente com as letras. espero inclusive que meus filhos também se iniciem com as historinhas da Mônica, historinhas que alimentam também o companheirismo e a fantasia da petizada.

Meus desejos de que Maurício, que irá completar 74 anos no próximo dia 27, ainda possa levar a turminha para cada vez mais longe, para alcançar cada vez mais crianças do mundo inteiro.


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Rock'n Roll Doctor

Ilustrações (geniais) do colega Pablo Gomes.

Jimi Hendrix

Ozzy Osbourne

Gene Simmons

Para conhecer mais do seu trabalho clique aqui.