segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Sobre sacos de doces


Para muita gente deve ter passado despercebida a data de Cosme e Damião, comemorado ontem, mas foi engraçado que para mim não passou. Fiquei com este pensamento dia inteiro, o que contribuiu para que eu ficasse mais observador com relação ao movimento do dia ensolarado de domingo.

Ao sair de casa e olhar para a rua de manhã tudo me parece monotonamente normal, o máximo que presencio de movimentação pueril é uma meia dúzia de garotos jogando bola na praça onde outrora ficava uma parquinho que era o ponto de encontro da meninada para... correr atrás de Cosme e Damião.

Eu, se estivesse na "aurora da minha vida", já estaria devidamente municiado no início da manhã com sacolas de supermercado e montando uma rede de informantes para descobrir os pontos onde haveria distribuição de doces, seja dentro do prédio, seja nas imediações. E eram muitos pontos, muitos mesmo, aparecendo o dia inteiro, e as casas onde houvessem pessoas distribuindo saquinhos atraiam as crianças como se um saco de açúcar caísse perto de um formigueiro.

Com trocadilho, por favor.

No início da noite era chegada a hora de fazer a contabilidade, meu recorde foi batido quando eu tinha dez anos, onde consegui encher três(!) sacos de supermercado com guloseimas cheias de glicose - balas, pirulitos, doces de abóbora, banana, amendoim, marron glacê, paçoca, pé-de-moleque, pipoca doce, etc. Festa para a criançada e para as cáries.

Ontem o dia pacato ilustrava a mudança dos tempos, acho que não só as crianças mas também os adultos - pelo menos no lugar onde moro - não tem mais aquela participação tão ativa na comemoração do dia, que diga-se de passagem, apesar de ser em homenagem a santos católicos, a tradição da distribuição de doces tem origem afro-brasileira, no candomblé e na umbanda, que associam os gêmeos com os ibejis.

Hoje peguei o jornal e vi reportagens que dão a entender que a tradição está mais viva do que nunca, apesar de que, se for do jeito como eu vi há algum tempo atrás no Lago Norte a distribuição parecia mais entrega de cestas básicas. Seja como for pelo visto é a minha vizinhança que está ficando sem alma.

Para saber mais sobre os santos clique aqui.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Visões de Brasília (VI)

22 de setembro de 2009, Brasília-DF, 8:30 da manhã do dia mundial sem carro...

...parecia mais o dia mundial de bater recorde de congestionamento.

Como se isso já não fosse previsível na capital federal.

Obs.: Logo estarei postando a parte 2 do texto anterior.

***

Atualização: O texto novo já está no ar, abaixo deste post.

Eu vi a Legião Urbana tocar em Brasília - Parte 2


Em todos os anúncios, panfletos e tudo o mais do Porão do Rock havia a programação para o domingo, que prometia ser mais farofa, mais pop. Iam tocar Plebe Rude, Paralamas do Sucesso, Raimundos, Maskavo Roots, etc. O objetivo do dia era celebrar Brasília como a capital do rock, especialmente com músicas do cenário da década de 80.

Os shows começaram mais cedo (era domingo) por isso devo ter perdido muita coisa antes de chegar - lá pelas 19h. Desta vez fui acompanhado da menina que havia conhecido no dia anterior, que veio acompanhado de um colega dela.

Chegando lá, o cenário era parecido com o de sábado, a diferença era que tinha menos gente de preto como era de se esperar. Fora isso o povo continuava prestando pouca atenção ao palco, além disso dei o azar de chegar na hora em que acabou a atração do palco principal - e que ninguém que eu perguntei na hora sabia quem era. Tem mais - já que acabou o show em um palco fui para o outro, e cheguei de novo com o show acabando.

Sugestão para os organizadores: no ano que vem, planejem os horários dos show de modo que permita que, enquanto um palco está se preparando para um show, no outro já (ou ainda) esteja acontecendo outro show, assim a música não para nunca.

Ficamos esperando o show do palco alternativo (o pílulas) recomeçar quando ouvimos o locutor do palco principal começar a anunciar a próxima atração. Não dei muita bola na hora mas fomos para lá assim mesmo especulando alguma bandinha desconhecida que fosse tocar, mas aí ele vai e anuncia: Paralamas do Sucesso.

Show com mais do mesmo, mas nem por isso deixou de animar a galera (e a mim, claro). Ainda cantei a pedra de que eles iam abrir com umas duas músicas inéditas, depois com mais duas conhecidas, após isso haveria um revezamento: isso é normal em shows de bandas já consagradas. E assim os Paralamas do Sucesso tocaram na capital.

Findo este show, vamos ao outro palco, uma bandinha mais ou menos e decidimos que é mais jogo ficar esperando no palco principal. Chego lá e olho no telão:

Próxima Atração: SURPRESA

Se isto era pra deixar todo mundo curioso conseguiu. Fui na banquinha oficial de vender badulaques do evento e perguntei que surpresa era essa. A menina respondeu sem pestanejar - Legião Urbana. Foi a senha para começar o burburinho na galera.

Tipo, como é que poderia ser Legião Urbana já que... bom... vocês sabem. A mesma menina resolveu a questão: vários vocalistas iam se revezar no palco. Agora que tinha a resposta do enigma voltei aos meus colegas que obviamente me indagaram se eu já sabia quem iria tocar. Espertamente mantive o mistério só para ver a reação deles na hora.

De repente começam a passar vídeos e entrevistas da Legião no telão, só para aumentar o suspense. Logo após uma banda começa a tocar sem nenhum anuncio prévio do locutor, entrou tocando o quê? Quase Sem Querer (Tenho andado distraido...). Quem começou cantando foi, se não me engano, o vocalista do Móveis Coloniais de Acaju, mas não tenho certeza.

Infelizmente não consegui ver a cara de surpresa de meus colegas, acabei me perdendo deles antes de o show começar, mas era nítido o espanto geral ao ver que o guitarrista era Dado Villa-Lobos e o baterista era Marcelo Bonfá. Só faltou mesmo o Renato Russo no microfone, porque de resto... Porém essa ausência foi suprida pelo revezamento no vocal citado há dois parágrafos atrás. Dentre os que cantaram destaco Toni Platão, Herbert Vianna e Philippe Seabra, alem destes tiveram outros que não identifiquei. Só não vou me lembrar agora qual música cada um cantou mas o final foi fechado apoteoticamente com Que País É Este, e o final de praxe, com todo mundo junto no palco se congratulando com a platéia que já estava em nítido êxtase.

Depois ia tocar Maskavo, mas pra mim a noite já estava completa e nos retiramos. No caminho, uma última passada no outro palco e, aí sim, achei o que estava faltando pra completar o Porão: death metal arrotado (cantado é que death metal não é) por uma bandinha tocando alucinadamente. Lembram que já havia solicitado isso no texto anterior?

O nome da banda? Quem se importa?

Curiosidade sobre o último (e traumático) show da Legião em Brasília - no longínquo anos de 1988 estão neste link.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Eu vi a Legião Urbana tocar em Brasília - Parte 1


Não, esse vídeo aí, como você puderam ver, é do Sepultura.

Mas quem achou estranho o título e está neste momento do outro lado cobrando uma explicação peço que aguarde mais um pouco. Além disso quero vender meu peixe deixando todo mundo com a pulga atrás da orelha.

Neste último fim de semana houve mais uma edição do Porão do Rock. O festival deste ano prometia muito por conta de suas novidades. A principal delas: o evento passou para a Esplanada, e agora seria de graça, resgatando um pouco do antigo espírito do Porão.

O primeiro dia - sábado, dia 19/09 - foi dedicado ao rock mais pesado. Apesar de não ser o tipo de música que eu gosto de ficar ouvindo por aí acho interessante assistir a shows de death metal & cia. É verdade que assisto meio como se estivesse em um estudo antropológico, admito, mas acho interessante, desde que seja num lugar aberto como foi no Porão. Shows assim em locais mais fechados não devem formar um ambiente dos mais salubres.

Infelizmente não rolou o que eu imaginava neste dia, mas rolaram algumas coisas interessantes.

Primeiro: fui esperar uma colega minha, que ia levar uma colega dela, para irmos para o Porão. Como elas estavam presas numa reunião fiquei esperando elas numa quadra cheia de barzinhos. Parei naquele que eu fui mais com a cara e sentei no balcão para matar o tempo. Futebol na TV, mais gente aparecendo e aparentando uma mobilização para o festival, puxo papo com a turma, puxo papo com uma menina legal...

Aí chega minha colega e nos dirigimos pra Esplanada. Aquela cena clássica de show de graça - aglomeração de gente, palco iluminado, profusão de barraquinhas de cachorro quente, trânsito lento e por aí vai. A diferença é que desta vez parece mais um velório do que um evento musical, haja vista todos estarem vestidos de preto. É a típica "festa estranha com gente esquisita".

Tinha mais coisa estranha, o local mais parecia um camping juvenil do que um show de qualquer coisa. Claro que tinham bandas tocando e tudo o mais, mas se você perguntasse pro povo quem é que estava no palco ninguém saberia responder, aliás, o povo ficava conversando, passeando, bebendo, o show mesmo que é bom era só um mero detalhe.

Falando em detalhe teve outro que me chamou a atenção. Me disseram que haveriam duas atrações internacionais, só que não me lembrava do nome das mesmas. Foi só quando uma delas foi anunciada que lembrei o nome de uma - Eagles of the Death Metal - e pelo nome e pelo fato de ser estrangeiro o negócio prometia esquentar. Quem sabe agora o povo não acordava.

Que nada! O marasmo continuou muito em parte graças a banda, que de death metal não tinha nada, parecia mais um new wave das antigas. E o vocalista, que parecia o Leôncio do Pica Pau, ainda tentou puxar papo com o público (obviamente em vão, já que a galera não entende inglês). O bom do show foi só ficar zoando com os riffs que pareciam copiados de outras músicas mais famosas.

O jeito era criar expectativa com a próxima atração, muito mais conhecida e badalada - Sepultura. A turma de BH tinha muito mais metal do que todo mundo que tocou naquele dia, juntos. E realmente, foi o suficiente pra dar uma animada na galera, e foi o que valeu a noite. O som é "massa", a galera colabora pro show ficar melhor ainda e os caras sabem bem levantar o público. Finalmente o Porão do Rock virou Porão do Rock.

Antes de qualquer coisa digo que o Porão ficou muito longe de ser ruim - quem ler o que eu escrevi pode pensar que estou só criticando. os shows foram bons, o povo é que parecia não estar nem aí, só mesmo a galera da frente que embalava o espetáculo.

Queria ver o show do Angra também, mas ao fim do show do Sepultura já estava destruído, era melhor guardar energias para o dia seguinte.

Não podia ter tomado decisão mais acertada, não pelo que deixei de ver, mas pelo que iria ver. E ouvir.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Previsão do tempo


Em tempos de calor setembrino, Seu Ronca nos envia um vídeo de utilidade pública com orientações importantes para enfrentar o clima desta época do ano.



video

Há 22 anos, direto do tunel do tempo (e dos achados de Seu Ronca).

Agradecimentos a Marcelo Andreazza.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A "velha" novela das oito


Ontem estreou na TV Globo uma nova novela no dito horário das oito horas. A novela se chama História de Am... digo, Viver a Vida. Para início de conversa devemos nos atentar para o fato de que a novela das oito deixou de começar às oito há muitos anos - hoje chega a começar até às 21:10 - então o mais correto seria fazer como alguns sites especializados fazem que é chamar o programa de novela do horário nobre, o que é verdade dado o fato de que é a novela que tem o maior destaque na programação e a maior repercussão na mídia.

Pra variar, Por Am... digo, Viver a Vida já em suas chamadas passa uma sensação de déjà vu. primeiro que iniciar com um tema de bossa nova já dá pra imaginar mais uma novela que se passa no Rio de Janeiro, mas vamos falar sobre isso daqui a pouco. Já na abertura deu pra perceber que a Globo plagiou uma propaganda do Banco Santander e logo logo este fato será registrado pelo Kibe Loco na seção Oito Pecados (que por sinal ganhou este nome por causa de outra novela - Sete Pecados - que plagiou um comercial da Ikea).

Pra variar, a protagonista de Laços de Fam... digo, Viver a Vida, se chama Helena, logo deduz-se que a novela foi escrita por Manoel Carlos - por isso o tema em bossa nova. Para não se cometer uma injustiça neste quesito pelo menos a personagem principal é vivida por uma atriz negra (Taís Araújo). É a primeira vez que isto ocorre numa novela do horário nobre da Globo e a segunda vez em todas as novelas da emissora (a primeira também foi com Taís Araújo em Da Cor do Pecado).

Pra variar, Mulheres Apaix... digo, Viver a Vida, é ambientada no Rio de Janeiro, Mas se incrivelmente, em se tratando de Manoel Carlos, a novela não se passa no Leblon, o núcleo de dramaturgia também não foi pra muito longe: foi bem ali para Búzios, à leste da capital fluminense, então é relativamente perto para os personagens irem passear na pracinha cheia de babás e velhinhos e depois disso ir à padaria fazer merchan junto com os outros personagens e relatar seus dramas surreais para todo o Brasil.

Já foi falado aqui no blog em um texto escrito por Sidney Nicéas sobre esta questão de que 99,99...% das novelas da Globo se passam em apenas três cidades: São Paulo (a metrópole industrial), Rio de Janeiro (a cidade maravilhosa) ou em alguma cidade fictícia que fica.. no Rio de Janeiro, contando nos dedos as novelas que fugiram deste script. Quando é que teremos uma novela que se passe em qualquer outro lugar do Brasil? Em pleno Século XXI não dá nem pra culpar problemas de logística para tal, é só ver que lá no longínquo ano de 1990 a Manchete rodou Pantanal toda no Mato Grosso do Sul, então qual seria a dificuldade para a Globo que é a toda poderosa rodar noutro lugar qualquer? Será porque os atores globais não querem ficar longe da badalação?

E agora, a cereja no bolo da falta de criatividade reinante na TV aberta brasileira. No ano de 1984 foi exibida pela extinta TV Manchete uma minissérie que durou mais ou menos um mês e meio. O nome? Felicid... digo, Viver a Vida. O autor? Manoel Carlos. Pois é, né?

Esta crise de criatividade já vem de longa data e o Ibope já vem sentindo esta queda sensível na audiência, principalmente nos outros horários de novelas da Globo e, ao que parece, a novela do horário nobre só não sente essa queda ainda por causa do espaço que dão à mesma (numa espécie de repercussão forçada) em outros programas como Faustão e Fantástico, assim como em revistas de fofoca que pululam nas bancas e enfeitam desde salões de beleza a consultórios médicos.

Nas cenas dos próximos capítulos veremos como serão os desdobramentos da história, mas tudo indica para o mais do mesmo, com muita praia e bossa nova. Ao final de Páginas da V... digo, Viver a Vida retornaremos a este texto para avaliarmos quantos clichês esta novela terá, quanto a Helena da vez vai sofrer, se ela vai ser feliz com seu amado - seja lá ele quem for no final e se Sol de V... digo, Viver a Vida vai superar Caminho das Índias no quesito copiar outras novelas. E olha que a novela dos dalits fez de tudo para ser um clone de... O Clone.

Maiores informações sobre todas estas novelas no site Teledramaturgia.

domingo, 13 de setembro de 2009

O status do sofrimento

  • Preste atenção nas conversas de botequim. Melhor, preste atenção em qualquer conversa por aí, principalmente quando dois conhecidos se encontram. Já perceberam como é a tônica da conversa? Nossa! tô me matando de trabalhar; vou fazer concurso, tô estudando até de madrugada; a pós tem me tomado um tempão, etc. etc.
  • Quando você está andando de ônibus ou de metrô fica aquele debate pra ver quem é mais velho, quem tem mais doença, pra ver quem vai sentado ou não, quem precisa de mais espaço ou não, quem precisa de mais conforto ou não e por aí vai.
  • Aqueles que chegam dizendo que saíram no fim de semana, que viajaram, etc. é logo taxado de folgado, vida boa, marajá...
Estes são pequenos exemplos de como o sofrimento é mais valorizado do que o bem estar no meio social. Poderia incluir mais exemplos mas muitos deles se encaixam nos que citei acima com as devidas adaptações. Sofrer na vida é bem visto. Nos sentimos bem quando os outros se surpreendem com nossa situação, ficam com pena da gente, se solidarizam conosco.

No primeiro exemplo mesmo o importante é saber quem é mais atarefado - quem trabalha mais, quem estuda mais - e não pode ser nada muito fácil não, não pode ser algo que pareça que você fica de pernas pro ar o dia todo. O trabalho que a gente quer mostrar pra impressionar os outros tem que ser em esquema de início de revolução industrial: 12 horas diárias mais horas extras, patrão carrasco e explorador, colegas de trabalho que só fazem te dar mais trabalho, salário mixuruca, etc, etc. Ninguém trabalha no lugar que gosta, sempre está correndo atrás desse lugar que gosta.

Esse lugar geralmente é o tão sonhado emprego público, mas quem admite que passou em concurso pra depois ser taxado de marajá? Nada disso, o que faz a pessoa ficar bem na fita é ser concurseiro profissional. De dia, trabalhar (e ficar o tempo todo falando em provas, editais, apostilas...), de noite ficar no cursinho até às onde da noite pra chegar em casa e se enfurnar nos livros até de manhã, quando o ciclo se reinicia...

Mas ainda tem a faculdade. Sim, prova toda semana, às vezes revezando com seminários, provas, trabalhos. Ou então está fazendo pós-graduação, mestrado, doutorado ou coisa que o valha: uma monografia ou uma tese a redigir e que tem tirado suas noites de sono.

Agora para locomover-se para todos estes lugares você também não pode ter mordomias, ora essa, tá pensando o quê? De carro? Tem que dizer que sofre pra estacionar, que para na terra. De ônibus? Lotado, que roda por toda a cidade, que anda muito e para longe do destino.

Aliás, no transpore público é quando mais reclamamos da saúde, ou da idade. Agora passou a ser uma coisa boa ser idoso ou grávida, assim tem prioridade pra ir sentado. Aliás, é bom para várias coisas, principalmente para ter atendimento preferencial, passar na frente da fila e outras coisas mais. Se você não se encaixa nesse perfil, basta dizer q tem algum problema de saúde e está resolvido, todos se apiedam de você e te dão todo o privilégio possível. Só não pode se gabar por isso.

Tudo isso pode ser explicado da lógica de que quando alguém está melhor do que nós em algum aspecto sentimos uma ponta de inveja, e se estamos melhor a pessoa sente inveja. Como fica meio chato parecer bem quando todos estão mal vivemos a reclamar de tudo, de ficar insatisfeito com tudo.

O problema é que interiorizamos isso e essa insatisfação acaba por consumir a gente a ponto de querermos realmente virar burros de carga, já pensando no que os outros vão pensar se estivermos "bem de vida", então nada fica satisfatório mesmo. Sem falar quando este sentimento se transforma em inferioridade, quando o outro sempre está melhor do que a gente - e a velha máxima de que o jardim do vizinho está sempre mais verde do que o nosso passa prevalecer.

Bem, existem mil explicações para tais fenômenos, principalmente culturais, mas fica a lição para que não nos matemos com mil compromissos, abra sua agenda para atividades prazerozas e de lazer sem vergonha do que os outros vão achar. Você fica perto do bem estar e longe do stress. Afinal de que adianta sofrer tanto se sofrer é uma coisa ruim, por mais que os outros achem bom?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

VLT - ação efetiva ou picaretagem?

Arruda e seu novo ferrorama - Foto: George Gianni

As três letrinhas mais comentadas do feriadão formam a abreviatura de Veículo Leve sobre Trilhos. O bonitão aí da foto (o bonitão é o que está do lado do governador) está exposto no SCS na esquina ao lado do Sarah e foi recebido com toda a pompa pelo governador José Roberto Arruda e pelo presidente da França Nicolas Sarkozy. O projeto é contruir estradas de ferro para esses bondes modernos circularem pela avenida W3, utilizando para isso o canteiro central e uma das faixas em cada mão. O trajeto se iniciaria no aeroporto e percorreria toda a avenida até o fim da Asa Norte, ou não, e é isso que vocês vão ver a seguir.

Fui conhecer a traquitana hoje lá na referida exposição e fui recepcionado por pessoas que estavam distribuindo panfletos com detalhes do projeto e explicando o mesmo aos transeuntes que conheciam e admiravam os vagões. Tudo muito bem, tudo muito bonito até que uma delas diz que o trem só irá até o Brasília Shopping.

Opa! Alerta vermelho ligado! Nos jornais de ontem e de hoje, no site do governo e até mesmo no panfleto que a dona estava distribuindo (e que fiz questão de mostrar para ela) dizia que o danado iria até o fim da asa norte, e ainda tinha os banners do lado de fora pra reforçar a idéia e que iam além: uma linha cortando o eixo monumental do congresso à rodoferroviária (prédio que vai ser desativado ano que vem, é importante ressaltar). A moça mesmo assim insistia que só ia até o BSB shopping. Depois de eu insistir nos argumentos acima ela mudou o discurso - agora o projeto ia até o fim, mas o trecho norte não havia sido aprovado, ainda.

Aliás estava presente também o secretário de transportes Alberto Fraga, dando entrevista na ocasião para o Correio Braziliense. Não peguei muito do que ele falou mas deu pra ter uma sacada do teor político do negócio, além de uma pérola dita em off:

- "O povo passou 30 anos sem comentar nada do transporte daqui, agora que a gente assumiu que o povo vem reclamar?"


Tá bom, secretário. Tá bom.

O povo deslumbrado com o VLT e tão massacrado pela realidade do transporte nem parou para pensar nos detalhes práticos de uma obra dessas:

Primeiro, essa conversa com a moça do vagão refletiu o desencontro de informações, cada veículo noticia o projeto de um jeito diferente. Isso dá uma impressão de que como sempre o importante é fazer alarde - já perceberam que quase toda notícia de ação do governo é redigida no futuro do presente? (fará, construirá, inaugurará, etc.) Pois é, é porque assim o governo aparenta estar fazendo alguma coisa, mesmo que depois a obra não saia (lembram de uma certa rodoviária que levou uns quinze anos pra sair do papel)?

A obra é essencialmente política, fato, e todos sabem que político em qualquer lugar do mundo não tá nem aí com o bem estar da população, quer mais é aparecer para se perpetuar no poder. Senão vejamos: essa obra só vai sair por conta da Copa do Mundo (por isso a esticadinha até a rodo) para poder ligar os turistas do aeroporto ao estádio e vice-versa. Mas você consegue imaginar turista pegando coletivo no Brasil? Pois mesmo que ele seja o mais modernoso possível vai fazer parte do Brasília Integrada. No fim das contas quem vier ver a Copa em Brasília vai fazer como todo bom visitante da capital faz: andar de táxi.

E ainda está previsto que o trem (junto com a pista para os carros) passe por baixo do SCS, transformando a pista em frente ao Pátio numa praça(!). Quem está vivendo o inferno das obras da Linha Verde na EPTG já deve imaginar que maravilha que vai ficar aquela área durante as obras de escavação do túnel.

Longe de mim querer melar o projeto - se vier é óbvio que será muito bem vindo, mas não creio que saia do jeito como está sendo veiculado por aí pois muito do que está sendo prometido me parece muita viagem, fazendo toda a propaganda parecer picaretagem pura. Por fim é importante abrir o olho para tamanha pirotecnia: lembrem-se que as eleições estão bem ali em 2010 então tudo quanto é obra maluca e "inovadora" vai aparecer em tudo que é canto.

Vou aproveitar e guardar mais uma data de promessa de inauguração: 30 de junho de 2010, a conferir.

Quem quiser conhecer o VLT (e souber ler francês) pode entrar neste site aqui.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Residencial Rio de Janeiro


Hoje o local que se confunde com a minha vida está fazendo aniversário, completando 26 anos de inauguração.

Ele possui 297 apartamentos divididos em cinco torres, cada um com onze andares e batizados com nomes de bairros da capital fluminense. São elas:
  • Torre Leblon: 44 aptos;
  • Torre Ipanema: 44 aptos;
  • Torre Barra: 55 aptos;
  • Torre Gávea: 44 aptos;
  • Torre Copacabana: 110 aptos.
Estou falando do Edifício Rio de Janeiro. Ele que foi concebido como um dos primeiros edifícios com mais de dez andares numa cidade que notadamente os mesmos não chegavam a seis andares.

Por conta disso e por possuir uma numerosa população o edifício sempre foi considerado um referencial em Taguatinga, e continua sendo mesmo depois de passado tanto tempo e os arranha-céus terem se popularizado na cidade.

Como disse no primeiro parágrafo, minha vida se confunde com o Rio de Janeiro. Inaugurado no dia 03/09/1983, minha família fez parte da primeira leva de moradores a se instalar, isto em dezembro do mesmo ano. De lá pra cá passou-se a minha infância, adolescência e fase adulta; amizades chegaram, passaram e se foram; festas foram realizadas; Momentos de lazer, momentos de alegria, momentos curiosos. De tudo já se passou por aqui.

Lembro vagamente da piscina ainda funcionando e, depois de desativada virando campo de queimada, vôlei, golzinho ou qualquer coisa que seja dividido em dois campos (mesmo sendo um curto e raso e o outro comprido e fundo). Hoje, em nome da paz daqueles que não gostam de ver a alegria das crianças, fez-se um jardim em seu lugar.

Aliás a trajetória do Rio de janeiro também serve para ilustrar a mudança dos tempos. Antes cheio de opções de lazer para todas as idades dentro de suas instalações, hoje o mesmo não possui vida além da porta de cada apartamento. Além da piscina já houve uma quadra improvisada numa parte separada da garagem onde já se realizou até torneios de futebol com a garotada. Havia também a quadra entre o Leblon e o Ipanema, que de quadra só tinha o nome, e a rampa da descida da garagem que furou a bermuda de muito moleque que descia a mesma escorregando com uma tábua, ou então as corridas de bicicleta onde o escritor aqui já deslocou um braço numa queda.

Outros momentos para destacar foram as festas juninas que aconteciam no estacionamento externo e que tinham até quadrilha com as crianças do prédio, mas infelizmente a deturpação e a desorganização sepultaram mais esta tradição. Houve também os momentos de mobilização para preparar o prédio pra torcida nas copas em que o mesmo viveu, e aí a pirralhada descia pra ajudar a amarrar aquelas fitinhas verdes e amarelas que enfeitariam a fachada do prédio em mais uma disputa futebolística.

Bem, 26 anos de histórias são impossíveis de serem resumidos em um texto só, são histórias e mais histórias que com certeza renderiam muitos textos como este. No momento só duas palavras existem para o momento:

PARABÉNS E OBRIGADO.

Aqueles que quiserem contribuir com histórias do Rio de Janeiro é só mandar um e-mail.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Photoshop na comida

Já é até comum no papo de fila de lanchonete os fregueses comentarem que os sanduiches que a gente compra nunca vem grandes e arrumadinhos como os do cardápio.

Bom, é hora de colocar um pouco mais de lenha na fogueira. Comparem as fotos de alimentos comercializados por aí:

Big Tasty - McDonald's


Pizza de Chester Apreciatta - Perdigão


Hot Pocket X-Burguer - Sadia


Hot Pocket Frango e Requeijão - Sadia


Panettone Linha Viver Light - Carrefour


Double Habib's - Habib's


Cookies 'n Creme Max +Cookies(?) - Hershey's


Petit Gâteau de Limão - Giraffas


Cookies com Gotas - Cacau Show


Chocottone Maxi - Bauducco


Lasanha à Bolonhesa Apreciatta - Perdigão


Risoto Funghi - Ragazzo


Bolo Recheado Romeu e Julieta - Pullman


Esfiha de Carne - Habib's


Maxi Goiabinha - Bauducco


Rocambole - Pullman


E não para por aí, ou seja, não se limitem a estes produtos, esta prática ocorre em qualquer marca.

Pode até parecer viagem mas pergunto aos entendidos: Cabe Procon nestes casos?

Enviado por Túlio Fortuna