domingo, 2 de agosto de 2009

Cemitério de lojas


Já que falamos do retorno do Mappin e da Mesbla no post anterior, obviamente vem à memória outras empresas do ramo que simplesmente sumiram e ficaram apenas na memória de botequim.

Estão vendo o prédio da direita na foto acima? É o Venâncio 2000. Até meados da década de 90 era o shopping com a maior quantidade de lojas no Distrito Federal. Assim como várias lojas de rua sofreu com a concorrência dos novos shoppings que surgiram, principalmente este que aparece à esquerda da foto - o Pátio Brasil. Hoje possui um andar inteiro desativado por conta da debandada de lojas e mesmo as que ainda sobrevivem acabam por ilustrar o caráter agonizante do edifício. Recentemente as marquises da entrada em frente ao SHS foram retiradas, o que deu um ar mais tétrico ainda.

No segundo subsolo ficava a loja âncora do shopping: As Casas da Banha, que ocupava metade do andar. E já que tocamos no assuto vamos incrementar a conversa de botequim. Sempre tem aquele que tenta lembrar de lojas antigas que havia em Brasília para impressionar os amigos, mas no fim das contas o que aconteceu com elas:

Já que falamos nas Casas da Banha vamos começar por ela. A rede de supermercados carioca possuía cinco lojas no Distrito Federal: a do Venâncio 2000, a do Brasília Rádio Center, a da 513 norte, a de taguatinga e a de sobradinho. Com o fechamento da rede em 1992 por "questões de ordem financeira" os condomínios tiveram que se virar para ocupar as grandes áreas onde ficavam o supermercado.

Destino semelhante tiveram duas lojas tradicionais e que sempre são lembradas pelos saudosistas como sinônimo de Brasília. A Bi Ba Bô existia desde 1957 - ou seja, mais antiga que Brasilia - e sempre ocupou aquela loja da 508 sul. Chegou a iniciar a construção de um grande magazine nos moldes do Mappin paulista, mas as dificuldades financeiras acabaram por interromper a obra e deixar o esqueleto abandonado. Em 2007 foi realizada a implosão do mesmo e em seu lugar foi erguido um moderno prédio de escritórios. Já a sua irmã informal (ninguém lembra de uma sem lembrar da outra), a Fofi, ficava na 510 sul e se destacava por vender artigos para recém nascidos e nunca deixava de aparecer na mídia, o que fez com que sua marca nunca deixasse de ser lembrada. As duas, assim como diversas lojas tradicionais como as Casas Nordeste, sucumbiram com a decadência que se abateu na W3 sul durante a década de 90.

Já uma outra rede de supermercados se acabou por outras razões. A Cobal (Companhia Brasileira de Alimentos), empresa pública que era vinculada ao Ministério da Agricultura, foi fundida com a Cibrazem (Companhia Brasileira de Armazenamento e formou a Conab durante o Governo Collor, com isso seus supermercados foram fechados, os imóveis repassados a outras redes e a Rede Somar - mercados menores, de particulares, que eram abastecidos pela empresa como numa franquia - extinta, deixando os estabelecimentos vinculados por conta própria. A maior das unidades da Cobal ficava na Entrequadra 310/311 e hoje abriga um Carrefour Bairro. Destino semelhante teve a SAB, a equivalente a Cobal no GDF, e que era famosa por seus Mercados Volantes, expediente que a Cobal também possuía.

Havia também as lojas ligadas à Companhia Brasileira de Distribuição. A mais famosa delas era o Jumbo que possuía lojas no Conjunto Nacional, no Gilberto Salomão, na 502 e na 516 sul, em Taguatinga, entre outras. Durante a década de noventa o grupo passou por uma reformulação estrutural e as outras marcas pertencentes a CBD como Minibox, Superbox (tinha em Taguatinga e no Guará) e Sandiz (ocupava toda a parte esquerda do Parkshopping onde hoje fica a praça da alimentação e a Fnac) foram incorporadas ou à marca Pão de Açucar ou à marca Extra.


Havia também a Sears (satisfação garantida ou seu dinheiro de volta, lembra?). Ficava na parte acima de onde hoje é a Riachuelo no Conjunto Nacional. Se juntou à Sandiz e seguiu o mesmo destino listado acima.

Outros supermercados menores foram sucumbindo com o tempo. Alguns exemplos: Panelão (EQS 306/307 e Venâncio 3000), Chapecó (Av. Hélio Prates - Taguatinga), Slaviero (505 sul, isso mesmo, atrás da concessionária, lembra?), Bom Motivo (ocupou a loja posteriormente), Planaltão (foi comprado pelo Carrefour e virou Champion), entre outros. Quem lembrar de mais pode postar nos comentários.

E as lojas do texto anterior? Da Mesbla todo mundo lembra: ficava ao fundo do Parkshopping onde hoje fica a Renner. As Brasileiras ocupavam dois andares do Conjunto Nacional, mais precisamente o primeiro (na área onde está atualmente a Zelo e as lojas em volta) e o térreo (onde está a Novo Mundo). E poucos sabem, mas chegou a ter uma loja do Mappin em Brasília, a mesma foi inagurada junto com o Pátio Brasil para ser uma das lojas âncora do novo shopping mas foi fechada junto com toda a rede dois anos depois, no local está agora a loja Otoch.

Enfim, muitas marcas não resistiram às mudanças do mundo, mas na memória provavelmente irão existir eternamente, pelo menos enquanto houver engraçadinhos a invocá-las para impressionar os colegas de bebedeira.

13 comentários:

  1. Nossa, fiz uma verdadeira viagem no tempo com esse teu texto....estava me lembrando de mais uma antigona da W3 sul, a SOLOMAQ, eu acho...apesar do nome, não vendia máquinas ou coisa parecida. Vendia roupas...lembro que minha mãe comprou um casaco pra mim uma vez lá.
    Antes de existir o Jumbo da 502 sul, havia ali um supermercado chamado "Servebem" (caramba, quanto tempo...).
    Ai, tô me sentindo velhona, ehehe....
    Ah, e a discoteca Machine no Venâncio 2000? Karakavei.....e a pista de patinação que havia no Gilberto Salomão, naquele prediozinho redondo? Se eu lembrar de outras, posto aqui...

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  2. A Sears.....eu e uma de minhas irmãs costumávamos entrar naquela loja grande e chique só pra olhar vitrines e comer o amendoim torrado da lanchonete...hummm...era uma delícia, e olha que não sou tão fã assim de amendoim....

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  3. Sil, no meu caso meu pai trabalhava na agência do Banorte que ficava na 507 sul, ou seja, relativamente perto da Bi Ba Bô. Naquela quadra eu lembro que havia cinco bancos (Banorte, BB, Caixa, Mercantil do Brasil e Banestado), além de uma loja da Vasp. Hoje a quadra está mortificada, só sobrou o BB.

    Não me lembro dessa Solomaq, em que quadra ficava?

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  4. Clébio, acho que ficava lá pelo início da W3 sul....talvez 503 ou 504, algo assim...vou perguntar pra minha mãe.

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  5. Clébio, A saudosa Solomaq ficava na 504 sul, ao lado do cartório Mauricio Lemos.....

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  6. A loja solomaq tinha como dono um senhor chamado Teixeira que jogava futebol esporadicamente em um time que até hoje funciona no setor de clubes sul,com o mesmo dono da época .

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  7. o time chama-se gerovital e funciona no setor de clubes sul com o mesmo dono da época.

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  8. Perdi minha carteira de trabalho e preciso de uma declaraçao de tempo de serviços prestados para empresa CASA DA BANHA,para que eu possa ser averbado junto ao INSS para fims de aposentadoria,se alguem tiver aluguma informaçao sobre escritorio da casa da banha em brasilia POR FAVOR, posta para mim uma resposta.DESDE ja muito grato.
    assi: jessica(filha), podem mandar informaçoes para meu email ,obrigado.
    jessica_rosamorena@hotmail.com

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  9. na 507 sul tinha também o banco SULBRASILEIRO que o meu pai trabalhou ate aposentar e do lado a loja yoga que esta até hoje la no mesmo lugar

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  10. Comprei no início dos anos 70s um toca-discos phillips portátil e um gravador K-7 na loja Solomaq.

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  11. O que houve com a Pioneira da Borracha,ela ainda existe ?

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  12. Este comentário foi removido pelo autor.

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